sexta-feira, 9 de outubro de 2026

UM CONTO AOS DOMINGOS – #036 – ATÉ O AMANHECER (Artemisa Lopes)

Publicado em 8 de junho de 2025, às 10:37

Um ano após o misterioso desaparecimento das gêmeas Heather e Ana Watters. As garotas deixaram o chalé de seus pais e saíram em uma nevasca após eventos ainda desconhecidos. O que de fato aconteceu com essas jovens?

Ela leu as linhas da manchete do jornal enquanto deslizava os dedos pela tela do celular. Eles não sabiam. E nem tinham como saber, pois todos eles tinham mentido para a polícia um ano atrás.

A garota ainda se lembrava como se tivesse acabado de acontecer. Heather e Ana ali, seu irmão mais velho, Brian, e Trevor, Dan, Rick, Maya, Daisy e ela. Os amigos quiseram brincar com Heather, que era a fim de Trevor; fazer um vídeo e enviar para toda a turma ver. Não deu muito certo, é claro. Foi só uma brincadeira, Nancy, eles disseram. Uma brincadeira que custou a vida de duas irmãs e o resto da sanidade de Brian.

Heather percebeu que estava sendo filmada e saiu correndo, chorando. Eles tentaram impedir Ana, mas ela decidiu seguir a irmã e encarar uma forte nevasca naquela noite. As montanhas Blackwood eram famosas pelo forte inverno e os chalés de esqui, com os quais a família Watters fazia sua riqueza. Haviam tido mais desaparecimentos pelas montanhas, alguns mais antigos e intrigantes. O lugar tinha uma lenda e história peculiar, como o dramático resgate de um grupo de mineradores que ficaram vários dias presos nos subsolos das montanhas nos anos 50 e foram tratados em um sanatório que ainda existia ali, mas toda a história ainda tinha um ar de mistério e não se sabia ao certo o que foi feito deles naquele lugar. No dia em que Heather e Ana desapareceram, Nancy jurou ter visto um homem estranho; um homem que diziam ter jurado vingança contra a família Watters.

Brian havia juntado o grupo novamente para passarem aquele fim de semana juntos. Heather e Ana iriam querer isso, alegou ele. É claro que ele pensava assim. Ele também não sabia de toda a verdade.

Nancy olhou para o relógio. Já eram quase duas da manhã; cerca de 4 horas para amanhecer e ela não sentia nem um pouco de sono. O grupo havia se dispersado e Brian insistia em se demorar só para consertar um aquecedor velho. 

–  Brian? Brian! Será que vou poder tomar meu banho antes que amanheça? –  ela gritou; sua voz ecoando pela sala. Como não houve resposta, ele se levantou suspirando e foi até o porão dos Watters, que estava frio e escuro como o resto do enorme chalé. Ela ligou a lanterna do celular para se guiar melhor. Quando chegou no porão, ela parou. O aquecedor estava ligado e funcionando, mas nenhum sinal do amigo.  – Brian! –  ela gritou mais uma vez.  –  Para de se esconder! Isso não é engraçado! –  Ela apenas parou para mirar a lanterna ao redor e escutar os estalos e rangidos do lugar. 

Seu coração deu um salto e quase saiu pela boca quando alguém bateu na janela de vidro atrás dela. Um homem, desconhecido, que batia insistentemente, como se chamasse a atenção dela para alguma coisa.

–  Mas que merda…? –  murmurou ela. 

O homem começou a forçar a janela a abrir e foi nesse momento que ela correu. 

Ofegante e aos tropeços, ela conseguiu voltar até a sala, onde se deparou com Trevor e Maya também tentando entrar. Ela abriu a porta sem delongas e começou a dizer: 

–  Tem um homem estranho no chalé e o Brian sumiu e… –  ela recuperou o fôlego e só então reparou nos amigos: ambos ensanguentados, com o semblante aterrorizado, os rostos sujos e os cabelos emaranhados, e Maya tinha lágrimas secas nas bochechas. –  O que diabos aconteceu?! 

Trevor engoliu em seco.

– Brian está morto, Nancy. 

–  Tem um maníaco na montanha! Ele retalhou o Brian na nossa frente! Cortou ele no meio! –  Maya atropelou as palavras, desatando a chorar de novo. 

–  O quê?! –  o celular tremeu na sua mão. –  Mas ele estava aqui… e vocês? E onde estão os outros?  

Eles se entreolharam um pouco envergonhados.

–  A gente estava… indo para a cabana que o Brian indicou. Daisy voltou com Rick para buscar umas coisas que ela deixou no carro e Dan deve ter se perdido por aí –  disse Trevor.

–  Eu vi um cara estranho agora há pouco no porão –  contou Nancy.

O trio se entreolhou em silêncio.

–  A gente precisa de ajuda! – disse Maya, desesperada. 

 –  A nevasca tá muito forte –  observou Trevor, olhando lá fora como se de alguma forma eles pudessem escapar. – Talvez a única alternativa seja a gente esperar aqui até amanhecer.

Mas tudo o que Nancy conseguia pensar era que Brian estava morto, eles estavam sozinhos com um assassino naquela montanha e rodeados de neve por toda parte. Os demais estavam lá fora e eles não poderiam arriscar sair e se perder, ou pior – dar de cara com aquele maníaco. 

–  O rádio –  Nancy soltou de repente. 

Trevor franziu o cenho para ela. 

–  Rádio? 

–  A torre de rádio! Não é muito longe daqui! –  lembrou ela quando havia visitado o quarto de Brian e tido um vislumbre de um dos mapas da montanha que o amigo estranhamente parecia colecionar. 

–  Talvez a gente possa pedir ajuda! Alguém tem que escutar! –  concordou Maya, esperançosa. 

Nancy foi tomada por um ímpeto repentino e correu até o quarto de Brian, arrancando o mapa, dobrando-o e entregando-o a Maya. 

–  Vocês vão até a torre e eu fico aqui, para caso os outros voltem. 

–  Não, Nancy! E o assassino? –  Trevor quis saber. 

Ela engoliu em seco. 

–  Não se preocupem comigo. Vou me trancar aqui e não vou abrir a porta para ninguém a não ser um de vocês. –  Ela parou, observando o semblante incrédulo dos amigos, e soltou um suspiro confiante. –  Vai ficar tudo bem. Vocês precisam ir logo. Se encontrarem mais alguém do grupo, digam para virem para o chalé. Vão! 

Trevor agarrou a mão de Maya e ambos saíram do chalé com cuidado. A garota apertava a mão do rapaz com força e só a soltou para abrir o mapa. Apesar da neve e do frio, suas palmas suavam e seus casacos não pareciam surtir efeito nenhum contra o vento cortante e congelante. Seus tênis faziam um som como se mastigassem a neve, enquanto afundavam seus pés na neve fofa, que os cobria completamente. Suas respirações ofegantes saíam de suas bocas em jatos esbranquiçados e eles espremiam os olhos para tentar enxergar algo em meio à nevasca.

– Por aqui! –  Trevor disse ao avistar a estrutura da torre de rádio; já com o mapa em mãos àquela altura. Maya esfregou os braços para espantar os arrepios provocados pelo frio e uma estranha sensação de que eles estavam sendo observados. 

–  Trevor… eu estou com medo… –  murmurou ela com os dentes batendo. 

Ambos quase caíram na neve e tropeçaram um no outro ao serem tomados por um susto quando uma luz se acendeu repentinamente acima deles. 

–  Merda! A torre tem sensor de movimento… –  deduziu Trevor, já puxando Maya até uma escada que levava à cabine da torre. Ambos subiram ao mesmo tempo que eram atingidos de leve pela ventania da nevasca. Era impressão de Maya ou ela parecia mais forte e mais fria naquela noite? 

Ela abriu uma espécie de portinhola e, assim que Trevor entrou, ele a trancou com uma fechadura em forma de ferrolho. O casal olhou ao redor e logo se deram conta de que há tempos parecia que alguém havia ido ali. Em um dos armários, Trevor encontrou uma espingarda. Maya vasculhou alguns papéis e viu recortes de notas de desaparecimentos e relatos de aparições estranhas na montanha. 

–  Aqui! –  a garota sorriu quando finalmente se deparou com o rádio. O aparelho parecia meio velho, desgastado e inutilizável, mas era a única esperança que eles tinham. Ela tentou mexer nos botões, ajustar a frequência, mas o rádio não deu qualquer sinal de vida. –  Olá? Alguém me escuta? Por favor! Precisamos de ajuda! –  implorou. –  Alguém aí? 

Ela foi tomada pelo desespero e girou o botão de frequência mais uma vez. 

–  Por favor! 

–  Não é possível… –  murmurou Trevor, angustiado. 

O rádio chiou quando Maya encontrou um sinal.

–  Alguém pode me escutar? Precisamos de ajuda! 

Então o rádio chiou mais uma vez e uma voz masculina grave ecoou do aparelho:

–  Alô? Tem alguém tentando nos contatar? Câmbio!  

–  Ah, meu Deus! –  Maya colocou a mão no peito, aliviada. –  Por favor, ajuda a gente! 

–  Alô? Aqui é da guarda florestal do parque –  o homem disse novamente.  –  O sinal não está muito claro. Por favor, se identifique e repita a mensagem. Câmbio!

A garota tomou fôlego.

–  Meu nome é Maya! Nós estamos presos na montanha Blackwood e tem um assassino aqui atrás da gente! Por favor, vocês têm que nos ajudar! 

O rádio chiou.

–  Senhora, por favor, pode… repetir… o sinal… não está…

–  Merda! –  xingou Trevor.

–  Por favor, mande ajuda! Eu e meus amigos estamos presos na montanha Blackwood e estamos em perigo! Precisamos de ajuda e tem um maníaco à solta! Por favor, vocês tem que ajudar a gente! Olá? Conseguem me ouvir? –  Maya berrou para o aparelho; sua garganta ardendo.

De repente, a luz de sensor de movimento se acendeu lá embaixo e ambos foram tomados pelo horror. 

– Trevor…

–  Deve ter sido um cervo –  ele tentou tranquilizá-la; nem mesmo ele acreditando naquilo por um segundo.

O rádio chiou mais uma vez. 

–  Entendido, senhora –  foi a resposta do guarda florestal. –  Não saia da sua posição. Enviaremos uma equipe de resgate assim que a tempestade passar. Câmbio.

–  O quê?! Mas isso em quanto tempo? 

O rádio chiou com a resposta:

– Ao amanhecer. Não antes de amanhecer. Sinto muito. Câmbio.

De repente, alguém começou a bater e forçar a portinhola pela qual eles haviam entrado com uma força absurda e o casal pensou que, quem quer que fosse, iria entrar. Instintivamente, Trevor se colocou à frente de Maya, que agarrou seu braço. Para a surpresa de ambos, as batidas cessaram e o invasor pareceu ter desistido, descendo as escadas, mas com passos rápidos demais para um humano.

–  Vamos voltar para o chalé, AGORA! –  Trevor agarrou Maya e abriu com cuidado a portinhola, ajudando-a a descer.

Ambos alcançaram a floresta e começaram a correr. Silvos e grunhidos inumanos ecoaram através das árvores ao redor deles. Trevor começou a cogitar seriamente se era mesmo um assassino que estava atrás deles – um assassino humano. Ele se lembrou das passadas ritmadas demais para um humano que havia escutado minutos antes. O casal escutou um guincho mais alto dessa vez. Estava mais perto deles, assim como o chalé. Maya acabou tropeçando nos próprios pés e caiu na neve. Trevor parou e voltou para ajudá-la, e foi quando ele viu.

Havia uma criatura diante deles. Alta, esquelética, com a pele cinzenta esticada, os dedos e unhas longas, usando trapos rasgados; o rosto era fino, com olhos negros esbugalhados e dentes afiados manchados de sangue. 

Congelada pelo terror, Maya gritou horrorizada ao ver o que aquele ser segurava: Dan, completamente banhado em sangue, seu corpo envergado como o de um boneco pela força com a qual a criatura o apertava, e com uma ferida grotesca em carne viva que vertia sangue sem parar em seu pescoço.

Ele os encarou com o rosto pálido e lânguido:

–  So… socorro… –  sua voz mal saiu como um sussurro. 

Aquilo pareceu enfurecer a criatura, que soltou um guincho e jogou o corpo moribundo de Dan a alguns metros na neve – e partiu para cima deles.

Maya sentiu um puxão no braço e se deu conta de que Trevor a guiava até o chalé. Ambos sentiam o coração martelar forte no peito e a criatura trotava atrás deles, ora marchando pela neve, ora escalando as árvores. Em determinado momento, aquela coisa sumiu, ao mesmo tempo que eles alcançavam a porta, batendo nela insistentemente. Quando ela foi aberta, o casal praticamente se jogou para dentro.

–  Fecha essa porta! Fecha essa porta! –  Trevor dizia sem parar. 

Eles finalmente notaram que Daisy havia aberto a porta. Atordoados, eles nem se deram conta de que ela havia voltado, juntamente com Rick. Os dois também estavam com as roupas sujas e abalados. 

–  O Dan morreu! Ele tá morto! Uma… coisa pegou ele! –  contou Maya aos prantos.

– A gente viu também –  revelou Daisy.

–  Espera, cadê a Nancy? –  indagou Trevor.

Rick olhou com pesar para os amigos. 

–  Vocês tem que vir aqui.

Eles adentraram a sala principal e se depararam com um estranho homem; alto, robusto, de meia idade, com uma cicatriz no rosto e cara de poucos amigos. Ele estava armado e também tinha um lança-chamas. 

–  Quem é esse?

–  Tá tudo bem, Trevor –  Nancy se pronunciou. –  Ele quer ajudar a gente. 

A sala foi preenchida pelo som da risada do homem.

–  Ajudar? Vocês realmente não entendem o que se passa nessa montanha, não é? É isso que dá quando um bando de moleques atrevidos não dão ouvidos aos mais velhos… –  ele murmurou.

–  Nossos amigos estão mortos! –  retrucou Nancy. –  E mais cedo eu pensei que você fosse um maníaco tentando me matar!

O homem revirou os olhos.

–  Não quis assustar você, garota! Estava tentando alertar todos vocês do perigo que se colocaram ao voltarem para essa montanha amaldiçoada.

–  O senhor viu também, não é? Aquela coisa –  Trevor o encarou e o estranho sustentou seu olhar. 

–  Aquela coisa é um wendigo –  revelou ele. –  Um mal que assombra esse lugar há séculos. Vocês precisam se esconder até que amanheça.

–  Um o quê? –  Rick franziu o cenho.

O homem suspirou, como se esperasse aquela pergunta. 

–  Existe uma maldição na montanha. Uma que ressuscita os mortos, daqueles que tiveram mortes trágicas nessas terras. O espírito maligno do wendigo irá se apossar deles e espalhar sua vingança no mundo. Não há nada nem ninguém capaz de detê-los, a não ser o fogo. Eles também não podem te ver se estiver parado. Vocês estarão mortos antes do sol raiar caso não se escondam. 

–  Eu pedi ajuda pela torre de rádio –  contou Maya. –  Eles disseram que vão enviar um resgate! 

O homem se armou com o lança-chamas. 

–  Boa sorte esperando sentada enquanto os wendigos retalham você.

De repente, eles ouviram um estrondo. Uma das janelas laterais explodiu e dois wendigos entraram. O homem grunhiu e mirou no que estava mais perto, que pulou. O outro se adiantou para pular, mas Trevor atirou nele usando a espingarda que havia pego na torre de rádio, jogando-o longe, mas a arma escapou de suas mãos e escorregou para longe. O primeiro conseguiu se recuperar e foi na direção do homem, rasgando sua garganta com as unhas. Eles gritaram e o homem resfolegou, engasgando no próprio sangue enquanto caía lentamente no chão, pintando-o de vermelho.

Mais três wendigos entraram, chiando. Nancy, Daisy, Maya, Trevor e Rick tremiam ao mesmo tempo que davam passos lentos. Eles se entreolharam, cada um em um canto da sala, se lembrando das palavras do homem a respeito daqueles seres. “Fiquem parados”, Nancy murmurou em silêncio. Eles mal respiravam. Uma das criaturas se aproximou de Maya, que murchou. 

–  Ei! –  Trevor gritou e o wendigo foi para cima dele, que voltou a ficar imóvel, saindo do campo de visão da criatura.

Nancy olhou ao redor em busca de uma saída. Um dos wendigos foi até ela, mas a garota apenas fechou os olhos e sentiu o hálito fétido da criatura enquanto ela chiava na sua cara. 

Ela conseguiu se movimentar e abrir a porta, se escorando em uma parede em seguida. Ele olhou para Trevor e viu que havia uma lâmpada perto dele. A jovem fez sinal indicando o objeto e fazendo um movimento com a mão para que ele quebrasse o vidro. Fogo. Fogo queima os wendigos, ela se lembrou. Mas como eles iriam poder usá-lo? O lança-chamas estava inalcançável e nada prático àquela altura. Eles precisavam de algo mais. 

Trevor cerrou os dentes e quebrou a lâmpada, o que atraiu as criaturas. Nesse meio tempo, Rick e Daisy correram para fora. Os wendigos sentiram a movimentação, mas não podiam mais vê-los. Dois deles começaram a brigar com unhas e dentes, como animais. Um deles, mais corpulento, agarrou o derrotado e o jogou na direção da lareira, e seu corpo colidiu e arrebentou o cano de distribuição de gás do chalé. Nancy precisava que Maya e Trevor saíssem em segurança, para então ela pôr em prática sua ideia. 

–  Aqui! –  ela murmurou e se aproximou mais da porta. Os wendigos foram até ela, mas a garota finalmente se escorou para mais perto da porta, e eles a perderam de vista. Ela acenou com a cabeça para os amigos, e Maya e Trevor seguraram as mãos e saíram do chalé. 

Agora só restava ela. 

O cheiro de gás impregnou o ar e os wendigos a caçavam com os olhos afiados e assassinos. Ela ainda precisaria percorrer alguns passos para sair dali e não tinha mais como distrair as criaturas. Só restava uma saída: ela tinha que correr.

Nancy tomou fôlego e disparou a correr com toda a força de seus músculos, sentindo os wendigos atrás dela. Ela desviou, tropeçou e enfim alcançou a porta, para então esticar o braço e apertar o botão que ligava a lâmpada da sala. Uma explosão amarela se acendeu atrás dela enquanto labaredas de fogo preencheram o local, as criaturas eram incendiadas e lançadas por todos os lados ao mesmo tempo que tudo ao redor queimava e era consumido pelo fogo, e seu corpo era lançado para fora com o calor das chamas atrás dela.

Trevor a amparou e a arrastou para a neve, e ambos observaram cinco névoas fantasmagóricas em formato de rostos demoníacos emitirem um grito suplicante ao mesmo tempo que se dissipavam no ar. O chalé se iluminou em chamas altas, que dominaram toda a estrutura, o que fez parecer a noite virar dia. Não, foi o que eles pensaram. O grupo franziu o cenho, estranhando uma luminosidade peculiar que não vinha das chamas. Vinha do céu, com um tímido e expoente sol que raiava no horizonte. Eles haviam sobrevivido até o amanhecer. 

Exaustos, ensanguentados e congelados, ao longe, eles ouviram um barulho de helicóptero, que cobriu o sol de mais uma manhã por um segundo, à medida que se aproximava deles.

–  Espera… –  eles ouviram a voz de uma mulher que parecia falar ao rádio. –  Parece que estou vendo alguma coisa. Acho que temos sobreviventes. Hora do resgate. 

SOBRE A AUTORA – Artemisa Lopes – Jornalista, leitora, escritora, colunista e também autora independente dos livros “Os Campeões das Estrelas”, “O Leonino Que Vira Estrela” e “Os Cavaleiros de Merlin”, Vol 1 e 2, obras já lançadas na Amazon. Gosta bastante de livros de fantasia, mas também é uma curiosa e entusiasta fã em particular de histórias de suspense, mistério e True Crime, e curte um bom enemies to lovers. Também é produtora de conteúdo literário em suas redes sociais: @artemisalopes_. Tomou gosto pela leitura e escrita ainda na infância, com HQ’s e gibis da Turma da Mônica e os livros da série Vagalume, sem imaginar que um dia iria dar vida às letras que colocava no papel. Quando não está lendo ou escrevendo, você sempre vai encontrá-la maratonando sua série ou anime preferido, ou consumindo conteúdos de casos criminais.

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