terça-feira, 18 de agosto de 2026

SALIMP, PATRIMÔNIO IMATERIAL DO MARANHÃO: O RISCO DE MAIS UM CANCELAMENTO POR FALTA DE RECURSOS

Publicado em 18 de agosto de 2024, às 18:45
Fonte: Elson Mesquista Araújo – Advogado, jornalista, escritor, membro da Academia Imperatrizense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz.
Imagem: Sire Regiao Tocantina

A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) completou, em abril deste ano, seus 33 anos de existência. Idealizada pelo jornalista Edmilson Sanches e um grupo de visionários, todos movidos pela mesma paixão pelo universo literário, a AIL hoje reúne 40 membros. São homens e mulheres de diversas áreas, mas unidos pela devoção à palavra escrita e suas múltiplas facetas. Ao longo dessas mais de três décadas, a Academia tem cumprido a nobre missão de humanizar Imperatriz, disseminando a cultura literária e colhendo bons frutos não só para a cidade, mas também para todo o Maranhão.

A AIL se consolidou como a grande guardiã da cultura literária na região, e se destaca como uma valiosa fonte de pesquisa sobre a história do Maranhão e do Brasil. Seu vasto acervo bibliográfico, disponível gratuitamente à comunidade, é um tesouro sem igual. Vale lembrar que essa é uma entidade sem fins lucrativos, dedicada exclusivamente à promoção da cultura.

Ao longo dos anos, a Academia não se limitou aos encontros protocolares. Com o patrocínio da Prefeitura, por  meio  da Fundação Cultural, realiza anualmente o maior prêmio literário do Maranhão, promovendo saraus literários mensais e reuniões itinerantes nas cidades vizinhas. Mas talvez o maior feito da AIL seja o Salão do Livro de Imperatriz (SALIMP), uma ousadia rara no cenário brasileiro. O evento, que já contou com a presença de ícones como o inesquecível Ariano Suassuna, é um dos momentos mais aguardados do calendário cultural da cidade.

No entanto, em 2023, por falta de recursos, o Salão do Livro não foi realizado. Este ano, a direção da AIL ainda luta contra o tempo para evitar mais um cancelamento. A continuidade do evento depende, crucialmente, do apoio da Prefeitura e do Governo do Estado. Sem esses patrocinadores, o SALIMP torna-se inviável.

Há risco de que 2024 também fique sem o Salão? Infelizmente, há. Mas a direção da Academia ainda alimenta a esperança de que isso não aconteça. Uma esperança que tem prazo para se esgotar: se até o dia 30 de agosto de 2024 não houver resposta aos pleitos apresentados, o cancelamento será inevitável, pela segunda vez consecutiva, de um dos maiores salões do livro do interior do país, programado para a semana entre 27 de novembro e 3 de dezembro de 2024.

Lembro-me bem do aniversário de 33 anos da Academia, quando fui convidado a falar sobre a importância dessa instituição. Em breves cinco minutos, destaquei a coragem de realizar um evento da magnitude do Salão do Livro, algo que, na maioria das vezes, é feito por grandes empresas ou sob a tutela exclusiva de prefeituras e governos estaduais.

Ainda ecoam em minha memória as palavras que proferi naquela ocasião, e que agora tento reproduzir aqui:

“Caros confrades, como novo ocupante da cadeira que outrora pertenceu ao prolífico Salvio Dino, cuja memória honramos com reverência e saudade, reconheço a grande responsabilidade que recai sobre meus ombros. Não sou um acadêmico de longa data, mas sim um observador atento e um participante comprometido com os ideais desta instituição. Como jornalista, tive o privilégio de acompanhar desde o início as atividades desta academia, sempre com admiração e respeito.

O Salão do Livro merece destaque especial, um verdadeiro monumento à literatura que hoje se ergue como um dos maiores eventos do gênero no país. É uma prova irrefutável do compromisso da Academia Imperatrizense de Letras com a promoção da cultura e o incentivo à leitura. Por meio de sua perseverança e dedicação, esta casa de letras tem se firmado como uma luz brilhante no cenário literário, local, regional e nacional.

Os objetivos que orientam nossos esforços são nobres e urgentes: promover e preservar a língua, a literatura e a cultura de nossa região, enraizando-as no coração de nossa comunidade. Mas, além disso, somos catalisadores de sonhos, inspiradores de mentes e guardiões da chama criativa que arde em cada um de nós.

E que belo é o mosaico de talentos que compõe nosso quadro de membros! Não apenas escritores e poetas, mas também amantes das artes, em suas mais diversas formas. Essa diversidade é nossa maior riqueza, um reflexo da vastidão de nossa cultura e da infinitude de nossos horizontes.

Obrigado a todos vocês por fazerem parte desta jornada extraordinária.”

Retorando,  continuamos na expectativa, com o coração esperançoso e o espírito inquieto, para que a tradição do Salão do Livro de Imperatriz não se quebre. Afinal, não se trata apenas de um evento literário, mas de um patrimônio imaterial do Maranhão, uma chama que não pode se apagar.

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