quarta-feira, 12 de junho de 2024

ENTREVISTA – RHADAMÉS MESQUITA: Trajetória do Espiritismo em Imperatriz

Publicado em 10 de junho de 2024, às 20:14
Fonte: Da Redação
Rhadamés Mesquita é autor de recente livro sobre a trajetória do Espiritismo em Imperatriz. Imagem: Divulgação.

O Espiritismo em Imperatriz vem buscando uma renovação e ampliar sua inserção nas redes sociais, para levar mais longe a doutrina. A afirmação é de Rhadamés Mesquita, autor do livro “ Amai-vos e instruí-vos: O Espiritismo em Imperatriz”, recentemente lançado na cidade. Radhamés é graduado em Filosofia e Letras pela UEMA e servidor público federal. Espírita desde a infância, ele é dirigente do Centro Espírita André Luís há mais de 20 anos. Leia a entrevista.

Região Tocantina – O Espiritismo em Imperatriz tem 50 anos. Como começou essa história?

Rhadamés Mesquita – A presença do Espiritismo na Imperatriz é muito antiga. Bem antes do que se imagina. “Ainda no tempo da Vila já era vivenciado, principalmente no sertão, no seio da família Milhomem”, revela-nos a historiadora Edelvira Marques de Moraes Barros em seu livro Imperatriz, memória e registro. Portanto, a Doutrina Espírita já era cultivada na Vila Imperatriz poucos anos após o seu surgimento em Paris, na França, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 18 de abril de 1857. Inicia-se com uma fase de Espiritismo familiar onde se realizavam nos lares desta cidade. Jesus dizia: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles” (Mt 18, 19-20). Assim também é com o Espiritismo. Onde estiverem dois ou mais estudando a Doutrina Espírita, lá os Espíritos Benfeitores estarão. E isso era realizado no lar da família Milhomem na fazenda São João do Retiro que, naquele tempo, segunda metade do século XIX e início do século XX, tornou-se em referência educacional de Imperatriz e toda região tocantina. A outra fase, que é a do movimento espírita propriamente dito, inicia-se com a fundação do primeiro Centro Espírita de Imperatriz em 1963 pelo senhor Leôncio Pires Dourado, que foi vereador e maçom em Imperatriz naquela época. Depois da primeira instituição espírita surgiram mais cinco centros espíritas em Imperatriz, a maioria nas décadas de 1970 e 1980.

Região Tocantina – Quais os desafios daquela fase de implantação?

Rhadamés Mesquita  – Os desafios da fase de implantação eram vários, os principais eram o preconceito que se gera em relação a uma nova filosofia e tudo que é desconhecido se teme. Por isso, fazem associações equivocadas sempre com algo negativo, como se tudo que não se conhece fosse proveniente do mal. Outro desafio era a infraestrutura precária daquele tempo. Não se tinha energia elétrica, asfalto e outras necessidades básicas. Isso era um desafio para as pessoas saírem de suas casas e irem a um centro espírita que ficavam longe do centro da cidade de Imperatriz. O centro limitava-se em quatro ruas principais como a Frei Manoel Procópio, Coronel Manoel Bandeira, Godofredo Viana e Simplício Moreira e mesmo assim não tinham asfalto no início da década de 1970.

Região Tocantina – Como a doutrina veio se desenvolvendo nestas 5 décadas?

Rhadamés Mesquita  – Esse desenvolvimento veio com a ajuda da Federação Espírita do Maranhão – FEMAR, com sede em São Luís, e da Federação Espírita Brasileira – FEB, com sede em Brasília. Desde o primeiro centro espírita chamado Gastão Pereira, fundado em 21 de abril de 1963, surgiram mais cinco instituições espíritas, a Voz Espírita Campanha da Caridade em 1º de janeiro de 1972; o Centro Espírita André Luiz em 22 de maio de 1974; o Centro Espírita José Grosso em 15 de junho de 1982; o Centro Espírita Cristandade André Menezes em 18 de novembro de 1985 e o Grupo Espírita Meimei em 17 de setembro de 1990.  A FEMAR vendo o surgimento das casas espíritas em Imperatriz deu apoio para elas enviando trabalhadores para aprimoramento do estudo e da prática da Doutrina Espírita. E, em parceria com FEB, enviou palestrantes espíritas de renome nacional para vários eventos em Imperatriz ajudando os trabalhadores das instituições espíritas daqui e divulgando o Espiritismo em nossa cidade.

Região Tocantina – E como está organizada a comunidade espírita, hoje, na cidade?

Rhadamés Mesquita  – Imperatriz ostenta hoje sete instituições espíritas em pleno funcionamento. A maioria dedica-se à divulgação e estudo da Doutrina Espírita, enquanto algumas priorizam a assistência e promoção social. O Lar São Francisco que abriga idosos desamparados e a APAE foram fundados por dedicados trabalhadores espíritas de Imperatriz. Em Imperatriz há várias outras obras de promoção e assistência social asseguradas pelas instituições espíritas, como o Recanto da Paz no Parque Alvorada II e Anália Franco no Parque das Palmeiras.

O livro teve os direitos autorais cedidos à Federação Espírita do Maranhão. Imagem: Divulgação.

Região Tocantina – Quais os principais desafios para o movimento espírita de agora?

Rhadamés Mesquita  – O movimento espírita em Imperatriz enfrenta desafios como a persistente intolerância religiosa, ainda que menor que a sofrida pelas religiões de matriz africana. A adaptação das casas espíritas ao mundo virtual é crucial, pois as redes sociais se tornaram ferramentas essenciais de divulgação. Outro desafio é a renovação do movimento, majoritariamente composto por pessoas da terceira idade.

Região Tocantina – Como se dá o crescimento da doutrina, neste cenário de redes sociais?

Rhadamés Mesquita  – A inserção das casas espíritas nas redes sociais ainda é incipiente. Apesar de algumas páginas no Instagram e Facebook, apenas duas casas transmitem palestras pelo Instagram e Youtube: @centroespiritaandreluiz e @cejg.itz. A utilização do Whatsapp para atendimento ao público também é limitada, com apenas uma ou duas casas o oferecendo.

Região Tocantina – E o que os adeptos da doutrina planejam para os próximos anos, em Imperatriz?

Rhadamés Mesquita  – Nossos planos incluem intensificar a divulgação do Espiritismo e promover o diálogo inter-religioso para combater o preconceito. Pretendemos qualificar as casas espíritas para melhor aproveitamento das redes sociais, com mais lives e transmissões de atividades. Por fim, investir na evangelização espírita infanto-juvenil é crucial para reverter o envelhecimento do movimento.

Região Tocantina – Você lançou, no dia 19 de maio, um livro sobre a história do Espiritismo na cidade. Quem tiver interesse no tema, como pode encontrar o livro?

Rhadamés Mesquita  – Os direitos do livro foram cedidos para a Federação Espírita do Maranhão-FEMAR e os pedidos podem ser feitos ao Conselho Espírita Municipal de Imperatriz, órgão unificador da FEMAR, pelo fone/Whatsapp – (99)98109-2280.

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