sábado, 1 de junho de 2024

O autoconhecimento e os 10 princípios de MAAT

Publicado em 1 de junho de 2024, às 9:19
Fonte: Fabio José Cardias-Gomes. Docente-pesquisador de Psicologia na UFMA-Imperatriz. Psicólogo Clínico e do Exercício e Esporte.
Imagem cedida pelo autor.

Como continuação de estudos de uma Psicologia Afrocentrada, descorro abaixo algumas anotações sobre os 10 príncípios de MAAT, este apresentado como esferas da realidade a buscarmos: a verdade, a justiça, a ordem, a retidão, o equilíbrio, a reciprocidade e a harmonia. Dimensões da sabedoria kemética que depois foi copiada ou reinventada pelos filósofos gregos Antigos, mais de dois mil anos depois, e que também de África (continente berço) partiu para os outros continentes.

Em recente livro publicado pela editora Nanse, intitulado Os filósofos Egípcios: vozes ancestrais africanas; de Imhotep a Akhenaten, escrito por Molefi Kete Asante, o autor apresenta as virtudes que representam a realização de MAAT, sendo: 1) a criticidade, 2) a devoção, 3) o controle, 4) a disciplina, 5) a tolerância, 6) a indulgência, 7) a firmeza, 8) a fé, 9) o desejo espiritual e 10) a iniciação.

Criticidade diz respeito à distinguir bem e mal, ao incluir Dat, a morte, como transição de vida. Os antigos egípcios (keméticos) a dualidade vida-morte deve ser bem distinguida, como uma unidade, e que bem-mal não equivale ao binômio vida-morte, são distintos, pois a morte, Dat, não é um mal em si, mas como se vive e como se morre, ou seja, a qualidade dessa transição vida-morte.

Devoção se relaciona com a profunidade do coração do buscador, mas como sujeito relacional, como pessoa-comunal. É a partir da meditação profunda que se encontra o caminho interior, devocional. Daí as práticas meditativas surgem desde África e não no Oriente como comumente se pensa, popularizada pelos yoguis, janaístas, budistas indianos, cínicos, estóicos, etc., séculos depois.

Controle diz respeito à regulação da mente (pensamento, sentimento, por exemplos). Diante do caos e sofrimentos que aparecem no viver, ao que cabe a cada um de nós mantermos a estabilidade interior e exterior, com ênfase na interioridade, na introspecção, na busca de regulação interna frente as intimações quaisquer do mundo externo.

Disciplina envolve nosso autotreinamento, nosso autocontrole e ordem no nosso comportamento. Ser disciplinado constitui sermos responsáveis pelas nossas atitudes, pensamentos e afetos, e os efeitos deles no mundo, no outro, na natureza. A prática disciplinar cotidiana que leva à aperfeiçoarmos o controle.

Tolerância em ouvir os outros que convivem comunalmente conosco. Compreender outras opiniões, se fazem sentido, ampliando-se para a diversidade de reflexões, complementares ou não, mas com respeito mútuo. Diferente do que vivenciamos nas ideologias contemporâneas com ideologias radicais e extremistas, em uma sociedade polarizada e em atrito nocivo e violento, de culturas intolerantes e de guerra.

Indulgência para aprendermos a liberar-nos das mágoas passadas, dos pesos delas. A liberdade de ressentirmo-nos para pode exocizarmo-no das más influências dos nossos ressentimentos.

Firmeza em mantermo-nos  seguro nas nossas crenças e ideias que se comprovam no mundo externo, no mundo do ego, sem cair no egoísmo ou na sua inflação em detrimento da totalidade da pessoa, nosso ser mais profundo que não é o ego vigil.       

Fé como otimismo e confiança no numinoso, nas luzes e sombras do mundo, e as possibilidades e oportunidads que cada uma traz de aprendizado pra vida-morte.

Desejo espiritual como uma superação dos desejos egóicos, ou como eliminação dos desejos inferiores para poder entendermos que o vencer é para nós, nessa busca, o perder, pois perder os desejos menores e que nos leva a entendermos que a perda do ego(seus desejos desenfreados) é ganho interior, vitória espiritual.

Iniciação como o domínio de si-mesmo, como processo de autodescoberta e crescimento espiritual a partir de si e depois iniciar o outro, quando atingida tal maturidade espiritual, sendo que para os sábios antigos Egípcios não havia separação de sua pedagogia e a dimensão espiritual. A morte do ego-apego em vida é a sua educação e controle, o ego-egoísta desejante e insaciável que se vê como unidade separada do todo é a metáfora do pecado original cristão e de outras compreensões religiosas. Além do ego há a totalidade.

Assim seja!

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