sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Mural das Minas #21: RILNETE MELO: PALAVRA, FORMA E CONTEÚDO

Publicado em 22 de outubro de 2022, às 7:49
Imagem fornecida pela autora.

Rilnete Melo é maranhense, nasceu em Marajá-Monção, e reside em Pindaré Mirim-MA desde os 5 anos de idade.
Licenciada em Letras/Espanhol, pós-graduada em docência do ensino superior, atuou na educação como professora de Língua Portuguesa e Espanhol.
Escritora, cordelista, membro das academias ACILBRAS – Academia de Ciências Artes e Letras do Brasil , ABPML e AIML – Academia Internacional Mulheres das Letras.
Participou de várias antologias nacionais e internacionais. É autora do livro “Construindo Versos” e dos cordéis “E agora José?”, “Pindaré Mirim 96 anos”, “Lázaro 80 anos”, “Literatura é direito da gente” e “Asas do meu sertão”.

AO VIVER MEUS DIAS

Desbravar o mundo
eis meu primeiro ofício a Gaia
e a planta dos meus pés
cravaram
o solo feminino
na dureza estereotipada
do caminho

Pisei flores e espinhos….
Abracei minhas Marias
sem temeridade
ao viver dos meu dias

conform (idade)
Minha alma carrega a leveza da infância
o sentido secreto da juventude
as escolhas insensatas …
as decisões acertadas
a grandeza da maternidade

as vicissitudes
Trago o desígnio da palavra em punho
a levitar sobre meus demônios
à beira da minha mudez
que grita no papel
minha vida
ou a minha pequenez
diante da imensidão
do mundo

DESENTALO

Das piabas
 que mastiguei,
das águas
por onde passei,
tirei da garganta
a voz entalada
(comendo farinha
ou o pão que o diabo amassou)
E  o sangue poético escorreu

DENTRE OS MEUS VENTOS: O ZÉFIRO

Por entre alguns ventos,
eu busquei o frescor,
fiz minha ronda
em outros ares,
Voei sobre pedras,
cavernas e mares,
fui águia desolada;
Flutuei sobre meus medos,
Mordi a língua em segredo…

Mas não,
Eu não cortei minhas asas
para dar aos corvos
das cidades mortas
por onde passei…

Aterrissei,
com as asas cansadas ,
e sobre duras penas,
minha voz virou poema
E te encontrei…
No primórdio
era sopro indomável,
que na súbita paixão
Virou leveza
Dentre os meus ventos:
O Zéfiro
(Serenidade a la grega)

NO CALOR DO TEU AMOR

levando no corpo
o sol do teu abraço
deixo desquarar
as velhas vestes,
das quais
me desfaço

NO FOGO ETÉREO DA PALAVRA

(in)memória a Samuel Barreto

Emerge ígneo
em pedreiras
os versos cinzentos
do menino fênix

Na metalinguagem celestial
ousa no céu
o incorpóreo poeta
por sobre a terra
a representar a imortalidade
no papel

A voz do silêncio
ressurgindo das cinzas
em grito se crava
eternamente magmática
na camada vulcânica da poesia
e como epitáfio
fugindo da lápide fria
transforma-se em brasa
no fogo etéreo da palavra

SE PÓ(DER) POEMA

Permito-me refazer…
Junto os grãos de areia da
minha praia, ganho a cena
e escrevo o poema
Espalho no solo sedento de amor
a água do meu oceano
para futura geração
em desencanto

Uma resposta

  1. Gratidão pela oportunidade e o reconhecimento. Estou feliz e honrada por ter contribuído com esse brilhante canal de comunicação. Abraços poéticos ⚘❤

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