quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Entrevista: Bezaliel Júnior: A Assembleia de Deus e a política em Imperatriz

Publicado em 24 de junho de 2022, às 16:34
Fonte: Da Redação
O livro é fruto da dissertação do autor. Imagem: Do autor.

O mestre em Sociologia pela Ufma e historiador,
Bezaliel Alves Oliveira Júnior, é autor do livro “Evangélicos e Política: itinerários e lógicas do engajamento político de líderes pentecostais da Assembleia de Deus”, que será lançado, no próximo dia 27, na Academia Imperatrizense de Letras. A obra é fruto da dissertação do autor. Nesta entrevista, ele analisa alguns aspectos do engajamento da Assembleia de Deus nos processos da política imperatrizense. Vale a leitura.

Região Tocantina – O seu livro é fruto de uma pesquisa acadêmica. Como ela se desenvolveu?

Bezaliel Júnior – Isso, é fruto de uma pesquisa de mestrado realizada na Universidade Federal do Maranhão – Campus Imperatriz. No primeiro momento passamos pelas disciplinas obrigatórias do mestrado, isso desencadeou um fôlego teórico para a pesquisa, cada disciplina, cada conceito sociológico aprendido em sala de aula mostrava-me relações profundas com meu objeto de pesquisa, que é a Assembleia de Deus em Imperatriz e seu relacionamento com o campo político. As sugestões dos grupos de pesquisa, professores, colegas e orientadores foram cruciais também para o refinamento da proposta. Logo depois dessa parte mais teórica, tive que ir a campo e tentar aplicar, ver, questionar com base em métodos e recursos metodológicos como iniciaria essa próxima fase, que é a da escrita. Em campo, tive que ter certa cautela epistemológica, me afastar um pouco do objeto pesquisado, afinal sou da instituição a qual pesquiso só há 30 anos (kkkk) e meu objetivo não era fazer uma defesa institucional e sim algo com relevância acadêmica, deu certo. Por conta da pertença ao campo, tive certas facilidades como, por exemplo, conhecer um pouco os agentes os quais entendia que poderiam me dar informações especializadas sobre meu problema de pesquisa, por outro lado percebia certa resistência por parte de alguns líderes, pois é um tema delicado de se abordar pois divide opiniões. Foram feitas 8 entrevistas, queria fazer mais, no entanto por conta da pandemia tive que me limitar até por que eu também peguei a covid. Mas entrevistei alguns vereadores da instituição, o próprio deputado Pr. Cavalcante, o projeto político da instituição gira em torno dele, e também outras figuras que tiveram sua parcela de contribuição nesse relacionamento entre a IEADI e campo político. Em seguida, veio a parte da escrita, depois de meses ouvindo os interlocutores, gravando, escrevendo, anotando, a reflexão estava por vir. Esse momento eu achei interessante, pois lembro-me que em minha mente vinha um turbilhão de ideias, era como se fosse uma cachoeira que jorrava tudo para o papel, foi uma experiência marcante. Daí a dissertação surgiu, em seguida adaptei a língua para livro e está aí a primeira literatura da minha vida. Kkk.

O autor descreve os processos de inserção política na AD. Imagem: Do autor.

Região Tocantina – Por que estudar a Assembleia de Deus em Imperatriz?

Bezaliel Júnior – Como disse anteriormente, foi na IEADI que tive todo o meu processo de socialização religiosa, falo logo na introdução do livro, minha família toda, inclusive alguns tios pastores e líderes na instituição. De repente, ainda na graduação, percebi a possibilidade de pesquisar, de ver a Assembleia de Deus como objeto de pesquisa. Na verdade, sempre quis escrever algo sobre esta Igreja, sua história, biografia de alguns pastores, seu envolvimento com a política local, foi quando o mestrado surgiu, eu me vi impelido, atraído melhor dizendo para essa proposta, é algo que me dá prazer, me lembrei uma vez de um professor na UEMA, ele falando sobre o mundo da pesquisa, ele sempre dizia que a pesquisa, a leitura precisa lhe dar prazer, se tornaria mais fácil inclusive o refinar da proposta, eu lembro muito disso, e fui.

Região Tocantina – Qual é a real dimensão da AD na política, em Imperatriz?

Bezaliel Júnior – A Assembleia de Deus em Imperatriz começa a deixar seu absenteísmo político por volta dos anos 2000-2007, antes disso alguns nomes isolados com candidatura própria se lançavam como candidatos, alguns até conseguiram, o próprio pastor Jairo Saldanha foi na época, logo depois que ele deixou a presidência da igreja, foi candidato a vereador e deputado, mas sem êxito, é a partir desse momento, entre os anos 2000 – 2007, que a denominação passa a se organizar para eleger seus pares. Tivemos alguns nomes eleitos nas legislaturas municipais, em 2014 o pastor Cavalcante, presidente da Convenção COMADESMA, quase foi eleito a deputado estadual, em 2016 o projeto começa a atingir seus objetivos com a eleição de duas vereadoras Maura Barroso e irmã Telma pelo PROS, partido de esquerda, em 2018 pastor Cavalcante consegue se eleger a deputado estadual fortalecendo ainda mais o projeto, atualmente na câmara municipal de Imperatriz há uma bancada evangélica barulhenta, tendo muitos pastores e filhos de pastores ocupando cargos públicos por conta desses relacionamentos políticos.  

Região Tocantina – Como historiador, como você analisa a presença evangélica na política brasileira?

Bezaliel Júnior – De fato, a presença dos evangélicos no cenário político brasileiro a partir de 1986 é considerado um fenômeno. Eu posso destacar alguns pontos positivos e negativos desse relacionamento. Pra começar, posso dizer que vejo com naturalidade um segmento como qualquer outro dentro da sociedade buscar representatividade política dentro do Estado democrático e de direito, outro ponto positivo é que a participação dos mesmos no campo político acaba gerando redes de interação e ajuda mútua, amortecendo um pouco as mazelas sociais. Agora o que não vejo com naturalidade é a forma, ou metodologia usadas por muitos segmentos evangélicos para chegarem ao poder, usam a igreja, o nome de Deus, capitalizam com o Evangelho como se fosse instrumento, trampolim e discursos políticos eleitorais. Outra pauta negativa é que ainda reproduzem os mesmos comportamentos da velha política, clientelista, fisiologista, não representam uma ruptura com a cultura de dominação e com as velhas práticas dito antes, são continuísta.

Região Tocantina – Quando será o lançamento do livro?

Bezaliel Júnior – Dia 27 de Junho, na Academia Imperatrizense de Letras, em Imperatriz.

Região Tocantina – Quem não puder ir ao lançamento, como poderá ter acesso ao livro?

Bezaliel Júnior – Estará disponível em algumas plataformas digitais como Amazom, Magazine Luiza, Lojas Americanas, Mercado Livre, como também na biblioteca da UFMA em Imperatriz e em outras Universidades.

Região Tocantina – É sua intenção continuar a pesquisa? Sob que aspecto?Bezaliel Júnior – Certamente, minha proposta para um doutorado é descrever densamente o momento da entrada dos pentecostais na política brasileira, bem como seu relacionamento com os partidos políticos e discussões ideológicas part

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