terça-feira, 28 de junho de 2022

Mural das Minas #08: MARIA DIVINA (DIVA) LOPES: POESIA, ENGAJAMENTO E SENSIBILIDADE

Publicado em 30 de maio de 2022, às 19:02
Foto enviada pela escritora.

Sobre mim: Sou fruto do amor incondicional de um lugar chamado família e comunidade, das terras áridas maranhenses bem perto das palmeiras e do rio e bem longe do mar. Carrego sonhos coletivos, herdados da minha ancestralidade afrodescendente e das lutas por terra, território e liberdade. Em tempos de descrença, minha poesia versa a vida, a luta e esse povo de mil faces… Tenho tendência à insubmissão e carrego comigo a sede de justiça. Sou Maria Divina Lopes, educadora popular, Pedagoga – Formada pela Universidade Federal do Pará – UFPA, Mestre em geografia pela UNESP, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/ MST-MA, filha, irmã, companheira. Nasci em Passagem Franca-MA, no ano de 1976, hoje moro em Imperatriz-MA, me considero uma, entre tantas outras mulheres negras maranhense, que ousam poetizar a vida.

ARTE MAIOR

É arriscado desejar o improvável.
Mesmo que seja flor,
mesmo que seja bela,
mesmo que seja tangível,
mesmo que seja possível.
Degustamos a presença,
como se fosse fruta,
como se fosse vinho,
como se fosse canto,
como se fosse carne,
como se fosse festa,
como quem compõe a vida esculpindo a arte maior.

DE/COMPOSIÇÃO

Um sistema orquestrado aprisiona
o movimento da existência.
Desnudo minhas fraquezas diante do que vejo,
ao revelar meu rio de preocupações.
Meu refúgio de indignação,
meus pedaços de afetividade,
minha fração inteira de inspiração
confrontam-se cotidianamente com a de/composição
da sociabilidade humana.
É áspero o arranjo que compõe os dias atuais,
consente um sustento racionado para uma sinfonia de famintos automatizados,
produz uma diversão que artificializa a alegria,
e uma arte que não sensibiliza.
Tudo é vendido, comprado, mercantilizado.
Até mesmo a lágrima
vira mercadoria e embrutece o amor.
Amor,
esse alento que materializa toda a consistência dos meus ideais.

REBELA-TE

Diante de quem arquiteta a morte,
manipula consciências,
mobiliza destruição,
negocia direitos,
incentiva a ignorância
destrói o sonho.
Março está em nós.
Rebela-te,
Repõe a insurgência,
o fervor do caldeirão,
a decisão de não retroceder,
de manter-se em bando.
Rebela-te,
Recupera a coragem de enfrentar a engrenagem que produz morte, fome e violência,
a decisão de atacar, para defender-se.
Rebela-te,
Somos mulheres, nos interessa a felicidade,
fazer a semente germinar
produzir alimentos na terra,
nos banhar de mar,
nos vulcanizar contra quem oprime,
ser balaio de amor
ser multidão em luta pelo direito de existir!

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