terça-feira, 26 de outubro de 2021

Entrevista: Thaisa Bueno – Mestrado em Comunicação da UFMA abre novo edital.

Publicado em 21 de setembro de 2020, às 6:15

O curso de Comunicação da UFMA, em Imperatriz, completou este ano 14 anos de fundação. Nesse tempo, já conseguiu impactar o mercado e crescer academicamente, chegando agora ao mestrado. Nesta entrevista, a professora Thaisa Bueno, coordenadora do Mestrado em Comunicação, analisa o contexto da área de comunicação na Região Tocantina e esclarece a natureza do mestrado e do novo edital, que está com inscrições abertas para novos candidatos. Confira.

Para Thaisa Bueno, o cenário da comunicação na região tocantina cresceu muito em 14 anos.

Região Tocantina – Como a senhora avalia, nesses 14 anos, a evolução por que passou o curso de Comunicação – Jornalismo da UFMA Imperatriz?

Thaisa Bueno – O curso passou por um processo de amadurecimento bem rápido. 14 anos é um tempo bem curto se pensarmos em quanto conquistamos: formamos turmas que ajudam a construir um novo cenário de mercado na cidade, implementamos uma especialização que chegou a duas edições e atraiu não só ex-alunos, mas profissionais diversos; acompanhamos nossos ex-alunos ingressarem em mestrados e doutorados em várias universidades de renome nacional e aprovamos, num período de crise da educação, o primeiro mestrado acadêmico em Comunicação no Maranhão. Esses dados, que são apenas um recorte dessa trajetória, são o reflexo desse amadurecimento. Nossos professores, em 2010, pertenciam a um quadro de um ou dois doutores em Comunicação, e hoje temos quase que a totalidade doutores atuantes. Temos grupos de pesquisa, projetos de extensão, organizamos o Simcom que é um evento tradicional na cidade. Nosso curso é um exemplo de que a educação pública de excelência é feita no país, apesar de todo o desmonte. Estamos no interior, num curso pequeno, e oferecemos uma formação de qualidade, que proporciona ferramental para nossos alunos competirem em qualquer mercado jornalístico pelo país.

Região Tocantina – Qual é a natureza do Mestrado em Comunicação da Ufma Imperatriz?

Thaisa Bueno – Nosso programa é uma formação acadêmica, ou seja, voltada essencialmente para a pesquisa e para a formação de novos professores no ensino superior. Mesmo assim, acredito que nossa formação pode contemplar também o profissional que busque um aprimoramento da sua função no mercado. Isso porque a área de concentração, que é o foco geral que norteia as pesquisas desenvolvidas pelo grupo de professores, é a ‘Comunicação Contemporânea’, ou seja, são discussões, investigações e análises que abarcam a complexidade da comunicação atual, em seus aspectos mais técnicos, na linha 1; ou mais sociais, na linha 2. Nosso quadro de professores abrange pesquisadores que adotam perspectivas distintas de comunicação, alguns voltados mais pontualmente para estudos de jornalismo, que é a formação base do curso de graduação na cidade; mas outros agregam uma conceituação mais fluída, voltada para a cultura, para o regionalismo, para as interações ou para as tecnologias. Isso torna um programa bem dinâmico e aberto para discussões que perpassem o tema comunicação na atualidade e na sua diversidade.

Região Tocantina – Qual é o cenário, hoje, da pesquisa em Comunicação na região tocantina?

Thaisa Bueno – Temos um cenário carente de estudos. Como nosso curso é muito jovem e os programas mais antigos, próximos daqui, e que de alguma forma poderiam contemplar em parte estudos sobre a região, estão em Teresina e Pará, podemos perceber que há um grande espaço para estudos que incluam as nossas particularidades. Por outro lado, com a implantação do Mestrado, já temos conseguido deixar nossa marca, com uma participação atuante em eventos e parecerias. Só este ano, em meio a pandemia, nosso programa fez uma participação significativa em dois eventos interprogramas importantes na Região Norte e Nordeste, o Pesquisacom e o Epca. Nossos professores também têm levado o nome de Imperatriz e da UFMA para encontros internacionais, reuniões de redes e ocupado espaços importantes em eventos como Alcar, Intercom, Sbpjor, entre outros.  

Região Tocantina – Como está hoje em dia a política de bolsas para alunos do mestrado?

Thaisa Bueno – Com a atual política do governo federal, a oferta de bolsas para programas novos não é das melhores. Fomos excluídos, por exemplo, da concorrência por bolsas do CNPq e as atuais bolsas oferecidas pela Capes não são garantidas quando encerrar o estudo dos atuais mestrandos. Ou seja, temos lutado a duras penas para manter nosso programa de bolsas. Por outro lado, somos muito afortunados por poder contar com o apoio fundamental do governo de Flávio Dino (PCdoB), por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa, a Fapema; e da Ageufma, que tem nos ajudado bastante na distribuição desses recursos. Atualmente o programa, por conta dessas ações, mantém duas bolsas Capes e sete bolsas Fapema. As bolsas são distribuídas aos alunos regulares por meio de edital. Na primeira seleção, como ainda estávamos aprendendo a organizar as coisas, selecionamos alunos exclusivamente por critérios de classificação; já a partir da segunda entrada, abrimos um edital para os interessados com outros critérios, além deste, incluindo condições socioeconômicas e de produção.

Região Tocantina – O mestrado pode ser feito por alunos que não sejam do Curso de Comunicação?

Thaisa Bueno – Sim. Nosso programa desenvolve pesquisa em Comunicação, mas o mestrando não precisa, necessariamente, ter formação na área específica. Como os estudos da Comunicação são essencialmente interdisciplinares e nossas linhas de pesquisa englobam discussões amplas como política, cultura, tecnologia entre outras, estamos abertos a participação de candidatos de áreas que discutam tais temas. Atualmente, por exemplo, temos um aluno formado em Letras, outro em Direito e um em Teatro.

Região Tocantina – Quais os pontos mais importantes do edital deste mestrado?

Thaisa Bueno – Esse é um edital diferente, já que estamos vivendo um momento de exceção, por conta da pandemia. Então, para começar, é um edital cuja inscrição e toda a seleção será feita online. A inscrição, por exemplo, será feita pelo Sigaa e toda a documentação deverá ser enviada pela sistema, não há mais necessidade de encaminhar documentos pelo Correio, por exemplo, como era de praxe nas seleções anteriores. A seleção também será toda pelo sistema remoto e por isso não há uma etapa de prova escrita. As questões referentes às leituras indicadas vão ser arguidas na etapa da entrevista, juntamente com perguntas acerca do projeto. Outra novidade é a taxa de inscrição, que baixou de preço. Embora a inscrição seja uma arrecadação importante para um programa pequeno como o nosso e ainda tenhamos muitas demandas, nosso Colegiado está sensível às questões adversas por conta da Covid 19 e decidimos diminuir o valor da taxa para R$ 100,00. O edital este ano oferece dez vagas de ampla concorrência, sendo que destas duas são dedicadas a pessoas negras (pretas e pardas), e duas vagas suplementares, uma para pessoa indígena e outra para servidor técnico da UFMA.

Região Tocantina – Qual é o caminho para o Curso de mestrado alcançar o doutorado?

Thaisa Bueno – Primeiramente há um processos de construção do doutorado, que é um trâmite normal da Capes. Temos de passar por uma avaliação, para depois poder participar de um processo de seleção para uma possível aprovação do projeto. Como nosso programa foi aprovado no meio da quadrienal, só seremos avaliados pela Capes em 2025, isso se não mudarem os prazos de avaliação do governo. Então, depois disso é que estaríamos autorizados a apresentar um projeto para concorrer ao doutorado. É de praxe que o programa só tente o doutorado se obtiver o conceito 4 da Capes e essa nota depende de muitas coisas, incluindo investimento da instituição em apoio ao docente e discente, infraestrutura, biblioteca, bolsas, etc. É um projeto da instituição, mais que somente do programa. Mas, obviamente, que este é um sonho que começamos a plantar agora.

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