terça-feira, 11 de agosto de 2026

ARTIGO – NATALINO SALGADO, 80 ANOS – UMA HISTÓRIA QUE MUDOU MUITAS OUTRAS

Publicado em 27 de julho de 2026, às 10:34

Por: Marcos Fábio Belo Matos – professor dos Cursos de Jornalismo e Pedagogia do CCIm – Ufma/Imperatriz

No último sábado, 25.07, o professor Natalino Salgado completou 80 anos. E, de todas as coisas que se pode falar a seu respeito, uma que, para mim, se apresenta como mais importante é a que (tomando emprestado a expressão que li na mensagem do professor Walber Pontes para ele) o professor Natalino não apenas construiu uma história marcante na UFMA, ele ajudou a construir muitas outras.

Fiz uma conta essa madrugada e constatei que, dos 12 anos em que o professor Salgado foi reitor da UFMA, a metade deles eu estive ao seu lado.

Primeiro, como Diretor do antigo CCSST (hoje CCIm), entre 2013 e 2015. Foi com seu apoio e comando que conseguimos, entre outras coisas, abrir a Unidade do Bom Jesus, estabelecer as bases para a chegada do curso de Medicina, fazer algumas reformas para melhorar as instalações da Unidade Centro.

Depois, entre 2019 e 2023, assumindo, simultaneamente, os cargos de Vice-Reitor e Diretor de Comunicação. Foi quando tivemos que enfrentar a pandemia de Covid-19. Nessa gestão, professor Natalino trabalhou para transformar os campus do interior restantes em Centros. Ele também deu o apoio necessário para construirmos o projeto de uma nova Universidade Federal, juntando os centros de Imperatriz, Grajaú e Balsas – projeto que “bateu na trave” e só não foi efetivado porque, no fim do então governo federal, faltou a decisão política.

A Covid-19 merece uma menção à parte. Como médico, Natalino enxergou a gravidade do problema e fez com que a UFMA fosse a primeira universidade do estado, e uma das primeiras do país, a suspender as aulas e as atividades administrativas. E, como gestor, comandou a estruturação de todos os processos necessários para o estabelecimento de aulas e atividades administrativas em modo remoto. Também trabalhou para que o HU-UFMA se transformasse sob o comando da professora doutora Joyce Lages e sua equipe, numa instituição de referência no combate e prevenção do vírus.

Destaco também que foi com seu apoio direto que conseguimos, em 2021, instituir o projeto “Imprensa no Maranhão: 200 anos de história”. Com este projeto, comemoramos o bicentenário do surgimento da imprensa em nosso estado. Fizemos o ano inteiro de ações comemorativas, com matérias especiais, documentário, podcast, websérie, duas coletâneas de artigos acadêmicos, um dossiê na Revista Outros Tempos e encerramos com a distribuição da Comenda 200 anos da Imprensa no Maranhão para 50 personalidades da área, entre profissionais da capital e do interior. Registre-se que a UFMA foi a única instituição que comemorou a data.

Foi a disposição do professor Natalino de tornar a UFMA uma grande universidade que fortaleceu a interiorização, com o surgimento de novos câmpus, novos cursos e a consequente ampliação do quadro de professores, técnicos e alunos em lugares que, ou não tinham cursos superiores públicos, ou os tinham em pequena demanda. Sobre isso, basta lembrar que Balsas surgiu com cursos de engenharia, São Bernardo surgiu com cursos de Turismo, Música, Pinheiro ganhou curso de Medicina, para citar alguns exemplos.

Muita coisa foi feita a partir da gestão do professor Salgado. Muitas histórias surgiram com as ações administrativas tomadas nas suas gestões. Professores e técnicos que passaram em um concurso e puderam começar uma carreira na docência, na capital ou em um dos 08 câmpus da UFMA no interior. Professores e técnicos que puderam se qualificar por meio de Minteres e Dinteres, por exemplo. E, claro, alunos que tiveram a oportunidade de fazer um curso superior, sem sair da sua cidade, porque chegaram novos Campus, novos cursos, novas vagas. Alunos que puderam fazer um curso de pós-graduação, latu sensu ou strictu sensu em uma universidade federal, porque o número de programas de pós-graduação na UFMA deu um salto gigantesco nessa época – com o luxuoso destaque para os cursos de mestrado em Chapadinha, Imperatriz e Bacabal.

Mas aí alguém pode dizer: mas isso qualquer gestor faz. E eu, que fui gestor por 06 anos, posso afiançar: muito disso só se faz se houver disposição e boa vontade do gestor de fazer ou de ajudar a fazer. E o professor Natalino tinha ambas.

Muitas vezes, quando se deixa um cargo, é natural que as ações que um dirigente fez ou ajudou a fazer sejam naturalizadas. Por isso, é importante que se transforme a memória em história.

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