sexta-feira, 14 de agosto de 2026

ENTREVISTA: EDNA VENTURA – OS 35 ANOS DA ACADEMIA IMPERATRIZENSE DE LETRAS

Publicado em 20 de junho de 2026, às 10:01

Da Redação

Nesta entrevista, publicada, simultaneamente, no Jornal O Progresso e no site Região Tocantina, a professora e escritora Edna Ventura, presidente da Academia Imperatrizense de Letras, faz um panorama da entidade, pontuando a importância da AIl no cenário cultural e literário de Imperatriz e Região, por meio, principalmente, das ações culturais, como o Salimp e o Prêmio Literário. Edna Fonseca Ventura é professora da rede pública municipal, pós-graduada em Ciências Sociais. Publicou crônicas e poemas no jornal O Progresso e em outros periódicos da cidade. É autora dos livros Madrugada de Novembro, Ondas de Luz e Academia de Letrinhas. Na Academia, elaborou e coordenou projetos, captou recursos e liderou a realização de seis edições do SALIMP – Salão do Livro de Imperatriz, reconhecido como o maior evento cultural do sul do Maranhão.Participou ainda da coordenação para implantação de três bibliotecas comunitárias na zona rural de Imperatriz, numa parceria entre o poder público municipal e o Instituto Ecofuturo. Na sua experiência como gestora, também foi Secretária Municipal de Políticas para a Mulher. Pelo seu trabalho, recebeu da Câmara Municipal de Imperatriz a Comenda Barão de Coroatá. Vale a leitura!

Caderno Extra – Como nasceu a Academia Imperatrizense de Letras?

Edna Ventura – Fundada em 27 de abril de 1991,a AIL foi idealizada pelo jornalista e escritor Edmilson Sanches. Ele convidou e reuniu alguns escritores, professores, poetas e apaixonados pela literatura, com o propósito de criar um espaço permanente de incentivo às letras, à memória e às manifestações culturais de Imperatriz. Desde sua fundação, a AIL assumiu o compromisso de preservar a identidade cultural regional, promover a produção literária e estimular o pensamento crítico e artístico da comunidade.

Caderno Extra – Como se deu seu encontro com a AIL?

Edna Ventura – Meu encontro com a Academia Imperatrizense de Letras aconteceu de forma muito especial. O escritor e membro da AIL, Livaldo Fregona, então responsável pela página da Academia no Jornal O Progresso, dizia apreciar muito os textos que eu lhe entregava para publicação. Em razão disso, sugeriu que eu me candidatasse a uma vaga na instituição, cujo edital encontrava-se publicado à época. Confesso que, inicialmente, não me senti confortável em pleitear uma cadeira em tão nobre instituição. Ainda assim, por insistência e incentivo dele, mesmo de forma acanhada, apresentei meu requerimento, acompanhado do currículo, para apreciação dos ilustres acadêmicos. Dias depois, recebi, com surpresa e emoção, uma ligação do confrade Gilmar Pereira informando que eu havia sido eleita para integrar a Academia. Isso ocorreu no ano de 2001. Fazer parte da Academia Imperatrizense de Letras representa, para mim, não apenas uma honra, mas também uma grande responsabilidade com a preservação da história, da literatura e das expressões culturais da nossa região.

Caderno Extra – Qual é a importância da Academia no cenário da Região Tocantina?

Edna Ventura – A  Academia Imperatrizense de Letras possui papel fundamental no cenário cultural da Região Tocantina. Ao longo de mais de três décadas, a instituição consolidou-se como uma das principais referências de promoção da literatura, da educação e da cultura no sul do Maranhão. A AIL funciona como espaço de preservação da memória regional, de valorização dos escritores locais e de incentivo à formação de novos leitores e autores. Além disso, promove palestras, sessões de cinema, saraus, palestras em escolas. Além de oferecer ao público uma biblioteca com aproximadamente quatro mil exemplares de livros de literatura, e ainda o acervo do jornal O Progresso (de 1971 até os dias de hoje). Sua atuação ultrapassa os limites de seu prédio e da literatura, alcançando escolas, universidades, movimentos culturais e diversos segmentos da sociedade.

Caderno Extra – Quais ações a AIL já realizou e vem realizando que impactam a cultura da Região?

Edna Ventura – A Academia desenvolveu, ao longo de sua história, inúmeras ações de grande impacto cultural e educacional. Entre elas, destaca-se o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), considerado um dos maiores eventos literários do Maranhão, que faz parte do circuito de grandes feiras de livros do pais.  Além do Salimp, a AIL realiza: palestras e debates culturais, saraus e recitais; lançamentos de livros; visitas literárias em escolas; incentivo à leitura; preservação do acervo do jornal O Progresso; Prêmio Literário AIL; atividades voltadas à valorização dos escritores regionais. A Academia também mantém diálogo permanente com a comunidade e instituições públicas e privadas, fortalecendo ações em favor da educação e da cultura.

Caderno Extra – A maior realização da AIL nestes 35 anos é o Salimp. Você acredita que o Salão ainda pode ser retomado?

Edna Ventura – Sem dúvida, o Salimp representa uma das maiores conquistas da Academia Imperatrizense de Letras e da própria sociedade imperatrizense. O evento transformou-se em patrimônio cultural da cidade e do Maranhão, reunindo escritores, artistas, estudantes, professores e leitores de várias regiões do país. Acredito na retomada e no fortalecimento do Salimp. Eventos culturais dessa dimensão nunca desaparecem da memória coletiva. O Salão construiu uma história sólida, criou identidade própria e demonstrou sua importância para a formação cultural e educacional da população. Mas a luta é e tem sido árdua, especialmente nesses últimos três anos. Sua retomada depende da união de esforços entre poder público, iniciativa privada, instituições culturais e sociedade civil. O desejo da Academia é que o Salimp continue sendo um espaço democrático de encontro entre livro, leitura, conhecimento e cidadania.

Caderno Extra – Quais os planos da AIL para o futuro?

Edna Ventura  A  Academia pretende ampliar ainda mais sua atuação cultural e educacional. Entre os objetivos estão: resgatar e fortalecer o Salimp; expandir projetos de incentivo à leitura; intensificar ações junto às escolas e universidades; modernizar e revitalizar a biblioteca; intensificar os canais de comunicação; ampliar parcerias institucionais; consolidar ainda mais a AIL como referência cultural do Maranhão e da Região Tocantina.

Caderno Extra – A AIL tem impacto na literatura de Imperatriz?

Edna Ventura – Sim, a AIL possui impacto profundo e permanente na literatura de Imperatriz. Grande parte da produção literária regional passou, direta ou indiretamente, pela atuação da Academia e de seus membros. A instituição ajudou a revelar autores, incentivar publicações, fortalecer o hábito da leitura e valorizar a identidade cultural da cidade e da região. Além disso, tornou-se espaço de reconhecimento e legitimidade para escritores, pesquisadores e artistas locais. A história cultural de Imperatriz, nas últimas décadas, não pode ser contada sem a presença e a contribuição da Academia Imperatrizense de Letras, que tem papel reconhecido na promoção cultural da Região Tocantina, especialmente por meio do Salimp, do Prêmio Literário AIL e de ações educativas e literárias desenvolvidas há mais de três décadas em diversos espaços da sociedade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Sites relevantes para pesquisa

Publicidade