terça-feira, 11 de agosto de 2026

O POTENCIAL DA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DA REGIÃO TOCANTINA

Publicado em 6 de junho de 2026, às 18:56

No último mês, Imperatriz foi palco do seu primeiro festival de cinema: o Festival Inovador Talvez (FITZ). Foi um evento que reuniu produções audiovisuais de várias regiões do país e, claro, de Imperatriz. Nesta entrevista, publicada, originalmente, no caderno Extra do Jornal O Progresso, o seu idealizador, João Luciano, faz um balanço do evento e destaca a sua importância. João Luciano é produtor audiovisual, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e fundador do Coletivo Inovador Talvez. Atua como diretor artístico de eventos voltados ao cinema e à formação de público, entre eles o FITZ – Festival Inovador Talvez, o Procine e o Festival Novíssimo. Como roteirista e diretor, desenvolve obras que transitam entre o experimental, o pop e o autoral, sempre dialogando com questões culturais e sociais contemporâneas. Entre seus trabalhos estão os curtas “Príncipes no Exílio” (2016), “Me Entedie Mais” (2018), “A Besta Pop” (2018), “Os Fãs Mais Rebeldes que a Banda” (2022), “As Paneladas’ (2023), “Não Existem Mártires Apenas Marketing” (2024) e “Não Quero Citar Teóricos’ (2025). Atualmente, finaliza o curta “Xica do Sertão”, em fase de pós-produção. Vale a leitura.

Caderno Extra – Como surgiu a ideia do Festival?

João Luciano – O FITZ surgiu do desejo de fortalecer e aquecer a cena audiovisual de Imperatriz e da região tocantina. Um festival é mais do que um espaço de exibição: é um lugar de encontro, troca e reconhecimento, onde conhecemos as histórias diante e por trás das câmeras. A proposta nasceu da vontade de estimular um movimento cinematográfico que dialogue com a identidade da nossa região e faça o público se enxergar nas telas.

Caderno Extra – Por que ele recebeu este nome?

João Luciano – O nome FITZ vem da minha produtora, que busca desenvolver projetos audiovisuais com uma linguagem mais pop, acessível e menos engessada. Além disso, o nome também dialoga com a forma como muitas pessoas chamam Imperatriz, “ITZ”. Queríamos construir um festival com uma identidade jovem, contemporânea e próxima do público, fugindo de uma estética engessada.

Caderno Extra – O festival terá continuidade?

João Luciano – Com certeza. A continuidade de iniciativas como o FITZ é fundamental para fortalecer o audiovisual local e incentivar novas produções. Nossa intenção é consolidar o festival no calendário cultural da cidade e ampliar cada vez mais a participação de realizadores da região. Para as próximas edições, queremos abrir a convocatória com mais antecedência, estimulando que mais pessoas produzam e inscrevam seus filmes.

 Caderno Extra – Qual o balanço da participação de cineastas de fora e de Imperatriz?

 João Luciano – Recebemos obras de diversas partes do país, muitas delas vindas de centros onde a cultura de festivais já está mais consolidada. Em relação à participação tocantina, o resultado atendeu nossas expectativas, especialmente considerando que ainda estamos construindo esse circuito na região. Também percebemos que a produção local está muito voltada para o documentário, algo comum em movimentos cinematográficos em formação. Esperamos que o FITZ inspire mais realizadores a compartilharem suas obras e ocuparem esses espaços de exibição.

 Caderno Extra – Como você avalia a produção audiovisual da Região Tocantina?

 João Luciano – Imperatriz é a segunda maior cidade do Maranhão e possui um enorme potencial criativo, mas a produção audiovisual ainda está em processo de fortalecimento. Mesmo assim, tivemos a honra de realizar pré-estreias de filmes e web séries imperatrizenses durante a cerimônia de abertura, além de homenagear o professor Gilberto Freire e apresentar uma mostra tocantina muito bem recebida pelo público. Existe muita vontade de produzir, muitas histórias cativantes e um público interessado em ver suas próprias narrativas representadas na tela.

Caderno Extra – Qual o futuro que você imagina para o FITZ?

João Luciano – Espero que o FITZ cresça junto com a cena audiovisual imperatrizense, de maneira orgânica, estruturada e cada vez mais conectada ao público. Vamos trabalhar para o projeto como uma vitrine para os talentos da região, fortalecendo a circulação de obras e criando oportunidades para realizadores locais.

Caderno Extra – O festival teve apoio institucional?

João Luciano – Sim. Contamos com parceiros importantes que contribuíram para a realização das atividades, além do apoio do curso de Jornalismo da UFMA, por meio da professora Yara Medeiros e de Alexandre Maciel. O projeto também foi contemplado no edital Mais Festivais Audiovisuais, da Lei Paulo Gustavo Estadual, promovido pela SECMA, sendo o único projeto do sul do Maranhão selecionado nessa categoria.

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