quinta-feira, 13 de agosto de 2026

DO QUE É FEITA UMA ACADEMIA DE LETRAS

Publicado em 26 de abril de 2026, às 8:03
Fonte: Marcos Fábio Belo Matos

Senhora Presidenta,
Autoridades presentes,
Confreiras e Confrades,
Amigas e Amigos desta Academia,

Não faz tanto tempo assim, mas já parece uma estrada longa! Naquele 27 de abril de 1991, 14 intelectuais de Imperatriz e Região, capitaneados pelo jornalista e escritor Edmilson Sanches, se juntaram e fundaram a Academia Imperatrizense de Letras, com o objetivo de promover e preservar a literatura e a cultura locais.
De mãos dadas com Edmilson Sanches, estavam: Adalberto Franklin, Affonso Felippe Gregory, Eucário Rodrigues, José de Sousa Breves, José Geraldo da Costa, Jucelino Pereira da Silva, Jurivê de Macedo, Lourenço Pereira de Sousa, Lourival Serejo, Neneca Mota Mello, Sálvio Dino, Tasso Assunção e Vito Milesi.
Caminho árduo, estrada difícil de trilhar. Uma academia de letras nunca se constrói sem dificuldades, com terreno fácil e plano, mas sim, e sempre, com ações trabalhosas e dignas do nome que ela adquiriu e que, num crescendo, vai se consolidando.
Assim, a AIL foi promovendo, nessas três décadas e meia, iniciativas que a tornaram referência. Exemplos não lhe faltam. Como o projeto “Arte e Cidadania nas Escolas”, coordenado pelo poeta e compositor Zeca Tocantins, em parceria com o juiz Delvan Tavares, grande amigo desta casa. Como os números da Revista Verbo, editada por Adalberto Franklin, um devotado ao ofício da edição de livros, jornais e outras publicações, números que registram a riqueza e a diversidade da nossa literatura. Como as 18 edições do Salão do Livro de Imperatriz – o conhecido, e querido!, Salimp – que tantas alegrias deu a milhares de pessoas, daqui e de alhures, de perto e de longe, e que iniciou tantas crianças e jovens no fascinante e onírico mundo da leitura – muitos desses jovens tendo se tornado escritores e escritoras, registre-se. Como o nosso Prêmio Literário, instituído por meio da Lei Municipal nº 816/1997, atualizada pela Lei Ordinária nº 1.924/2022, hoje certamente o maior prêmio literário do estado, e que já distinguiu dezenas de obras, contribuindo, de maneira imprescindível, para o fortalecimento da literatura no sudoeste maranhense. Como o trabalho que fazemos de abrir as portas da nossa biblioteca, do nosso acervo do Jornal O Progresso e do nosso auditório e demais dependências para receber tanta gente, em especial, estudantes, servindo como local de estudo, de memória e de enriquecimento cultural. E como a nossa produção literária, individual e coletiva, em poesia e prosa, que ajuda a engrandecer a literatura que se faz por estas bandas do Maranhão.
Importante registrar que, nesta caminhada, muita gente e muitas instituições nos deram as mãos, para que essas e outras ações, aqui não nominadas, pudessem ser feitas. E, para elas, pessoas e instituições, deixamos registrado os nossos mais sinceros agradecimentos.
Por aqui, cultivamos a palavra. Somos os lutadores, as lutadoras de Drummond, lutamos uma luta vã, como disse o poeta mineiro, vã mas cheia de força ontológica e significado social.
E vamos tentando seguir as lições do poeta-farmacêutico, que deixou registrada, no profético “A procura da poesia”, a sua profissão de fé na palavra:

[…]
Penetra surdamente no reino das palavras.
[…]
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Por aqui, cada confreira, cada confrade que estampa esta galeria de fotos atrás de mim tem o compromisso de ser uma guardiã, um guardião das melhores palavras, arranjá-las o melhor que puder, para transformá-las na mais bela expressão de si e do mundo – do seu e do nosso mundo. Esta é a missão do escritor, da escritora. Esta é, também, em essência, a missão desta casa!…
Mas queremos ser maiores. Queremos ser maiores do que já somos. Sem falsa modéstia, queremos fazer mais e mais pela cultura e, muito especialmente, pela literatura desta cidade, desta região, deste estado e deste país. Queremos poder continuar a fazer o Salimp – que ele volte a figurar, como um farol, no cenário da cultura Imperatrizense! Queremos poder destacar, a cada ano, mais e mais escritores e escritoras com nosso Prêmio Literário. Queremos que esta casa continue sendo – e seja sempre mais! – um ponto de referência para atividades culturais e literárias. Queremos ser espaço para novos projetos, como o recentíssimo “Cinema na Academia”, fazendo desta casa também um berço para multilinguagens. E queremos continuar gozando do privilegiado lugar, no imaginário social, onde a cultura e a literatura se fazem pulsantes.
Que este aniversário seja mais um na bela e longa trajetória da Academia Imperatrizense de Letras.
Muito obrigado!

SOBRE O AUTOR – Marcos Fábio Belo Matos, jornalista e professor da UFMA-Imperatriz, é membro da Academia Impetrizense de Letras, ocupando a cadeira número 34.

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