Em Imperatriz, o empreendedorismo ganha novos contornos quando a criatividade encontra a sustentabilidade. Empreendedores transformam recursos naturais e resíduos em oportunidades, provando que o desenvolvimento não precisa caminhar em oposição à responsabilidade ambiental, revelando histórias de inovação e compromisso com o futuro da cidade. A iniciativa tem contribuído para dinamizar a economia local, estimulando o comércio e fortalecendo produtores da própria comunidade. Além dos reflexos econômicos, os empreendedores locais apontam ganhos ambientais como: privilegiar fornecedores regionais, reduzir a necessidade de transporte, o que diminui a emissão de carbono e favorece práticas sustentáveis, como a reciclagem.
Apesar da predisposição positiva, os comerciantes apontam obstáculos para o consumo de produtos sustentáveis locais. A principal dificuldade é a falta de informação e divulgação, o preço e a dificuldade de acesso, além da pouca variedade e da desconfiança quanto à origem sustentável por parte dos consumidores. No dia a dia, tem-se muitos desafios na vida de quem encontra no artesanato sua principal fonte de sustento.
Madeira Arte e Estilo
Francilene dos Santos Maia, de 42 anos, empreendedora da loja Madeira Arte e Estilo,
“As feiras são fundamentais para a sobrevivência do negócio. Com o meu trabalho eu consigo gerar a minha renda graças à feira organizada pela Assari. Pra manter meu negócio funcionando é por conta das feiras de artesanato que frequento. Muitas pessoas não valorizam, mas espero que um dia seja valorizado”, menciona.
A empreendedora encontrou no artesanato uma forma de unir criatividade, sustentabilidade e geração de renda. O interesse pelo trabalho com madeira sempre esteve presente e, por meio da Associação de Artesãos (Assari), teve a oportunidade de se qualificar.
“Sempre tive vontade de trabalhar com madeira, e através da Assari tive a oportunidade de fazer o curso de boneca africana”, narra.
Após a formação, Francilene passou a desenvolver peças a partir de materiais reaproveitados, reforçando o compromisso ambiental: “Sempre pensei no meio ambiente, só em estar reciclando cada pedaço de madeira, jornal, revista e livros, já é uma ajuda ao meio ambiente”, declara. Além disso, o trabalho representa uma fonte complementar de renda. “Também é uma renda a mais pra mim”, completa a artesã.

Flora velas aromáticas
Gessica Martins Gonçalves, de 32 anos“Eu comecei a participar de feiras desde julho, e acredito que as pessoas buscam muito o meu produto, principalmente por não ser de parafina”.
Dentro de casa, de forma despretensiosa, a empreendedora deu os primeiros passos no próprio negócio, a Flora Velas Aromáticas (@floravelas_a). Ao buscar conhecimento, encontrou na internet cursos acessíveis que ajudaram a estruturar a produção e a optar por matérias-primas mais sustentáveis. As velas utilizam cera de coco, alternativa vegetal à parafina, derivada do petróleo. “A gente trabalha com cera de coco e essência”, explica.
Essa escolha tem se mostrado um diferencial no mercado local. Segundo Gessica, o público demonstra interesse crescente por produtos artesanais e sustentáveis, especialmente em feiras. Apesar de contribuir para o consumo consciente e a valorização do empreendedorismo local, os desafios ainda são muitos. Um dos principais é a dificuldade de acesso à matéria-prima na região.
“O meu maior desafio é buscar produtos em outros lugares, porque alguns insumos, como a cera de coco, não são encontrados aqui em Imperatriz. Eu preciso comprar de fora”, expõe.
Mesmo com limitações, o empreendimento segue em crescimento. O lucro obtido é reinvestido no próprio negócio, garantindo a continuidade da produção. “Como eu estou no início, o lucro que recebo eu transformo em matéria-prima”, explica. Para divulgar o trabalho, a empreendedora utiliza principalmente as redes sociais, além do apoio de amigos e familiares.

A Corda Arte
Nilson Henrique Machado dos Santos, de 53 anos.
“Eu fui gostando do artesanato de Imperatriz, que usa muita matéria prima, que é a palha de Buriti, semente de açaí, cabaça, coco babaçu, argila, e eu adorei o trabalho e comecei a praticar, até chegar no nível que estou”.
Natural de Niterói (RJ), o empreendedor chegou a Imperatriz há dez anos e se apaixonou pela cidade. Antes artista plástico, hoje atua como artesão e gerencia a loja A Corda Arte (@acordaarte.itz), no Centro de Artesanato de Imperatriz, junto com a esposa, Rosa Santos. O processo de produção é cuidadoso e exige tempo, desde a coleta da matéria-prima até a finalização das peças.
“Tem peça minha que fica 4 a 5 dias para ficar pronta, porque a gente faz com bastante amor e carinho para nosso freguês”, revela.
O artesanato é sua principal fonte de renda e hoje conta com mais de 200 clientes na cidade, alcançando também outros estados, como Brasília, São Paulo e Recife. “A gente participa de feiras nacionais de artesanato”.
Sobre os desafios da profissão, Nilson destaca que a dedicação é o principal caminho: “Como eu falei, fazer com amor e carinho, toda profissão você tem que fazer com gosto, com amor, que tudo dá certo”, conclui.

Artes e Aroma
Eline Maria da Costa Sousa França, de 51 anos
“Eu me deparei com o sabonete e foi amor à primeira vista. A partir daí comecei a investir, estudar e me aperfeiçoar mais”.
Dona da Artes e Aromas (@artesearomasitz), o empreendedorismo sustentável surgiu a partir de uma necessidade pessoal. Com a chegada do primeiro filho e a impossibilidade de trabalhar fora, ela buscou uma alternativa de renda dentro de casa, momento em que conheceu a produção de sabonetes artesanais. Segundo Eline, a qualificação constante é um dos pilares do trabalho. “A minha formação, ela envolve estudos contínuos, né? Então isso contribui diretamente com o desenvolvimento das práticas que eu realizo, permitindo que eu atue de forma consciente, responsável e alinhada à sustentabilidade desde a escolha dos materiais até a entrega do meu produto final”, alega.
Apesar de perceber que os consumidores reconhecem os benefícios dos produtos naturais, a empreendedora aponta que ainda falta valorização. Ela explica que os sabonetes são livres de parabenos e de substâncias prejudiciais à saúde, diferenciais que nem sempre são considerados no momento da compra. Ainda assim, a permanência do negócio no mercado demonstra sua viabilidade econômica.
“Então, um negócio com anos já no mercado e ainda não foi extinto é porque com certeza gera algum tipo de lucro, né?”, cita. Entre os principais ingredientes utilizados estão a babosa e diferentes tipos de argila, como a dolomita, a branca, a rosa e a verde. “Esse produto final é um produto de qualidade, seguro e que qualquer pessoa pode fazer o uso”.

Onde comprar produtos sustentáveis?




Segue também o contato dos artesãos presentes na reportagem:
- Madeira Arte e Estilo – Francilene: (99) 99121-6912;
- Flora Velas Aromáticas – Gessica: (63) 9914-1610 (Instagram: @floravelas_a);
- A Corda Arte – Nilson: (99) 99196-2851 (Instagram: @acordaarte.itz);
- Artes e Aromas – Eline: (99) 99173-092 (Instagram: @artesearomasitz)
Produto que também se transformou em revista, para mais acesse: https://heyzine.com/flip-book/ed9d651f32.html
Produto desenvolvido por acadêmicos do curso de jornalismo da UFMA/Imperatriz na disciplina de Leitura e produção textual II, coordenado pela professora Camila Rodrigues Viana, e publicado no site Região Tocantina, editado pelo professor Marcos Fábio Belo Matos e diagramado por Eduardo Jorge.