SOU UM PÁSSARO – Axel Brito
E hoje voo sorrindo.
Porque descobri que a vida não exige peso para ser profunda —
exige presença.
Sob meus pés, levo sandálias MR CAT.
Leves, firmes, companheiras.
Elas me lembram que o chão existe para impulsionar,
não para aprisionar.
E que caminhar também é uma forma de voar.
A vida me oferece galhos todos os dias,
mas eu já não me confundo com eles.
Se acolhem, descanso.
Se rangem, agradeço e sigo.
Aprendi que ficar além do tempo rouba a alegria
e que liberdade combina com movimento.
Sou um pássaro feliz
porque não negocio minha verdade,
não tolero o intolerável
e não repito histórias só por medo do novo.
O novo me sorri.
E eu sorrio de volta.
Meu discernimento é leve:
sei quando pousar
e sei, com a mesma serenidade, quando voar.
Minha confiança é simples:
se o galho quebrar, eu não caio —
eu voo rindo,
porque minhas asas sabem o caminho.
Quero atravessar 2026 assim:
com pés livres, coração aberto e asas brincando com o vento.
Não porque o mundo ficará mais fácil,
mas porque eu escolhi viver com mais alegria.
Que minhas sandálias MR CAT estejam nos meus pés
como quem leva conforto para o movimento,
leveza para a escolha
e felicidade para cada passo.
Porque 2026 será um ano de liberdade,
não de repetição.
Um ano de riso solto,
passos conscientes
e voos espontâneos.
Sou um pássaro.
E hoje, mais do que nunca, voo feliz.
Feliz Ano Novo.
SOBRE O AUTOR – Axel Britto é produtor cultural, escritor e músico, com atuação na gestão pública, no terceiro setor e na cena artística brasileira. Foi Coordenador de Difusão Cultural da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI), Coordenador de Relações Institucionais da Secretaria de Desenvolvimento Social de Imperatriz (SEDES) e hoje integra a equipe do vereador e vice-presidente da Câmara Municipal de Imperatriz, Rodrigo Brasmar. Como produtor cultural, tem atuação em nível nacional. Como músico e compositor, possui diversas canções. Como escritor, tem o livro “Citar te excita”, já publicado, e o romance “O Paraíso de Dante”, ainda inédito.
O NOVO VOO DA BORBOLETA – Flávia Pereira Salazar Ribeiro
A velha borboleta perde altitude e voa rasante ao ver a pista, mas vacila ao ver que o tempo voou trazendo viradas, trazendo vazios, nesse voo solitário.
Voa leve, quase sem bagagens, identifica estéreis e infrutíferos sonhos, amores evaporados, sem viço, e pergunta se valeu a pena.
Em seus devaneios cansados, ela fecha os olhos e se imagina como era: jovem, veloz, voando em v, rumo ao desconhecido da vida, decidida a reinventar-se. Mas, em meio a aparente leveza, percebe que ainda existe muito peso nublando a visão, pressionando-a para o chão.
De repente, em um bater de asas, ela percebe que a vida proporciona metamorfoses e que também não se vê como antes. Percebe urgências caducas, que se tornaram névoas, e abandona pesos mortos, ao entender que o plano original foi revisto.
Ela ainda é a mesma e é outra, novamente faminta e ávida por deflorar as oportunidades. Tudo está nublado a essa altura, mas entende que o ciclo se renova, os projetos mudam, agregam novidades e sentidos e exigem novas narrativas, recomeços…
A travessia de 365 dias pode ter chegado ao fim, mas com plano reinventando, revisitado, baú revirado. Ela decide atravessar nuvens desconhecidas, com um menino projeto debaixo das asas, pronta para aventurar-se.
Ao se ver refletida em um vítreo raio de um arco-íris volante que se desloca sem rumo, a velha-jovem borboleta, então, calibra as asas, revira os olhos, renova a maquiagem e se vê viçosa e pronta para um novo, novo. E, antes de tocar o chão, arremete e parte para um novo vôo de vida, que crepita, vibrante.
SOBRE A AUTORA – Flávia Pereira Salazar Ribeiro – graduada em Ciências Econômicas pela UFMA(2003) e História pelo Centro Universitário Claretiano (2024), com especialização em Administração Pública pela Estácio de Sá (2018) e mestrado em Educação pela UFMG (2021). Atuou como Gestora Governamental na SEPLAG-MG (Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão), na Diretoria Central de Gestão do Desenvolvimento do Servidor, área de Recursos Humanos, com ênfase na capacitação e aperfeiçoamento profissional do Servidor, e na Superintendência Central de Política de Recursos Humanos, na Diretoria Central de Saúde Ocupacional. Foi servidora pública na UFMG, onde trabalhou na Comissão Permanente de Pessoal Docente, vinculada à Pró-reitoria de Recursos Humanos e no Acervo de Escritores Mineiros, integrante do Centro de Estudos Literários e Culturais, da Faculdade de Letras da UFMG. Atualmente, é servidora na Diretoria de Assuntos Culturais da UFMA.