sábado, 17 de outubro de 2026

ENTREVISTA: ANTÔNIO CARLOS SANTIAGO FREITAS – UM MEMORIAL PARA SANTA TERESA D´ÁVILA

Publicado em 9 de novembro de 2025, às 11:11
Fonte: Da Redação.
Foto: Antônio Carlos foi um dos responsáveis pelo trabalho de elaboração
do Memorial da Igreja Santa Teresa D´Ávila. Foto: Divulgação

Antônio Carlos Santiago Freitas é mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), especialista em Comunicação Empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo e em Gestão Pública pela Universidade Federal do Tocantins. Graduado em Jornalismo pela UFMA – Campus Imperatriz, integra a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Itinga do Maranhão. Faz parte do Grupo de Pesquisa Jornalismo, Mídia e Memória (Joimp) e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz. Na Paróquia Santa Teresa D’Ávila, esteve diretamente envolvido na concepção e organização do Memorial, conduzindo pesquisas e a recuperação de documentos que resgatam a trajetória da igreja e sua relação com a formação da cidade de Imperatriz. Nesta entrevista, publicada, simultaneamente, no site Região Tocantina, ele esclarece o processo de montagem do memorial e a importância para a história cultural, social e religiosa da cidade.

Região Tocantina – Qual é a importância de um Memorial para a Paróquia Santa Teresa D’Ávila?
Antônio Carlos
– A Paróquia Santa Teresa D’Ávila está intimamente relacionada com o início da história de Imperatriz. Apesar de sua relevância religiosa, social, cultural e arquitetônica, faltava-lhe um espaço que permitisse à comunidade compreender, de forma viva e acessível, a sua trajetória de mais de um século e meio de missão.
O Memorial vem suprir essa lacuna. Mais do que um lugar de memórias, ele representa um elo entre o passado, o presente e o futuro da paróquia e da comunidade católica da Região Tocantina. Ao visitar o espaço, somos convidados a redescobrir as origens da cidade e compreender a importância da fé na formação do município.
Região Tocantina – Você esteve presente em todo o processo de criação deste memorial. Como se deu este processo?
Antônio Carlos
– Sim. Recebi um convite do padre Edimar Arnaldo, pároco de Santa Teresa D’Ávila, em janeiro de 2022, para integrar a comissão de comunicação, criada em preparação às comemorações dos 170 anos de fundação de Imperatriz e do 170º festejo da padroeira.
Naquele momento, compreendemos que seria importante reunir e divulgar informações que mostrassem a trajetória da paróquia. Diante da escassez de registros e da ausência de documentos mais antigos no arquivo paroquial, iniciamos uma busca intensa por essas fontes.
Conversei com moradores antigos do entorno da igreja e realizei visitas a acervos eclesiásticos, como o dos frades capuchinhos, em São Luís, que guardava registros do período em que os religiosos estiveram à frente da paróquia, entre as décadas de 1920 e 1970. Também busquei informações no Arquivo Público do Maranhão, onde encontrei documentos importantes da Arquidiocese de São Luís, que auxiliaram na compreensão do contexto histórico do século XIX. Outro acervo valioso foi o da Diocese de Carolina, que contribuiu para completar essa linha do tempo.
Ao longo de dois anos de pesquisa, foi possível reunir informações, fotografias e objetos desde a década de 1850 até os dias atuais. Foi um trabalho árduo, mas extremamente gratificante, pois começamos praticamente do zero e conseguimos reconstruir uma memória essencial para a história religiosa e cultural de Imperatriz.


Região Tocantina – O que o visitante vai encontrar no Memorial?
Antônio Carlos
– O visitante encontrará um espaço cuidadosamente preparado para preservar e valorizar a história da Paróquia Santa Teresa D’Ávila e de Imperatriz. O Memorial reúne peças sacras, documentos, fotografias, objetos litúrgicos e obras de arte que testemunham a caminhada da igreja ao longo desses 173 anos.
Região Tocantina – Haverá outras etapas da criação do Memorial?
Antônio Carlos
– Sim. Foi inaugurada apenas a primeira sala, que reúne e expõe as peças mais antigas e significativas da história paroquial. Ainda pretendemos concluir a galeria dos 59 padres — de Frei Manoel Procópio ao atual pároco — e dos 15 bispos que acompanharam a paróquia desde sua vinculação à Diocese de São Luís, passando pelas prelazias de Grajaú e Carolina, até chegar à atual Diocese de Imperatriz.
Também planejamos a criação de uma segunda sala, dedicada à exibição de vídeos e à exposição digital do acervo fotográfico da igreja, atualmente em processo de restauração e digitalização.
Região Tocantina – Que peças têm maior destaque neste conjunto de obras?
Antônio Carlos
– Quem visita a igreja já se depara, no altar, com a histórica imagem de Santa Teresa D’Ávila, a mesma trazida por Frei Manoel Procópio do Coração de Maria no dia da fundação de Imperatriz. No mesmo espaço, há ainda uma peça de grande importância: a lâmpada do Santíssimo Sacramento, datada de 1832, considerada o objeto mais antigo preservado pela paróquia. Uma peça que, a princípio, funcionava a óleo e hoje funciona com eletricidade, após uma adaptação.
Já no memorial, encontram-se os primeiros livros de batismos e casamentos registrados na cidade, datados de 1859 a 1877, documentos que testemunham a vida religiosa dos primeiros moradores de Imperatriz.
O acervo também guarda objetos pessoais do primeiro bispo da Diocese de Imperatriz, Dom Affonso Felippe Gregory (falecido em 2008), e do padre Tarcísio Cardoso da Silva, primeiro imperatrizense ordenado sacerdote (falecido em 2015).
Entre as obras de arte, destaca-se o quadro “A Fundação de Imperatriz”, do artista plástico Francisco Gonçalves. Pintado em óleo sobre tela e de estilo neoclássico, ele retrata a chegada de Frei Manoel Procópio com a imagem de Santa Teresa D’Ávila. A obra, que pertenceu por muitos anos à Família Cortez Moreira, foi oficialmente doada à paróquia pela Dra. Graça Cortez Moreira.


Região Tocantina – O espaço já está aberto à comunidade? Como é o acesso?
Antônio Carlos
– Sim. As visitas ao Memorial podem ser agendadas na secretaria paroquial, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 14h às 18h, e aos sábados, das 8h às 11h30.
Por motivos de segurança, o espaço permanece fechado e é aberto apenas mediante solicitação. Mesmo assim, nos primeiros 20 dias após a inauguração, já recebemos cerca de 200 visitantes, entre acadêmicos da UEMASUL, paroquianos e visitantes de cidades vizinhas. A expectativa é que, nos próximos meses, possamos receber também turmas da rede pública de ensino.
Região Tocantina – O Memorial tem potencial para se transformar em um espaço de pesquisa?
Antônio Carlos
– Certamente. Hoje já dispomos de um acervo organizado e acessível, algo que não existia de forma sistematizada há poucos anos. O memorial oferece aos pesquisadores quatro livros de tombo devidamente digitalizados e dois livros em processo de transcrição paleográfica, além de um volume biográfico que reúne informações sobre todos os padres que exerceram ministério na paróquia, entre 1852 e 2025.
Com a ampliação e digitalização contínua do acervo, acredito que poderemos consolidar esse espaço como uma referência para estudiosos da história religiosa, social e cultural de Imperatriz e de toda a região.

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