segunda-feira, 7 de setembro de 2026

UM CONTO AOS DOMINGOS – #038 – ENCANTO AZUL (Iane Carolina Silva)

Publicado em 29 de junho de 2025, às 12:53

Era nas cachoeiras e águas abundantes da cidade de Carolina que vivia Yara, filha de Raoni e dona Joaquina, um casal inter-racial. Roani era um indígena das tribos de Montes Altos, da tribo Krikati, tribo que ocupa as terras do sudoeste do Maranhão – e que se casou com uma mulher da cidade, dona Joaquina, uma mulher de Montes Altos que morava no centro e que entrelaçou o coração do indígena, trazendo-o para a vida na cidade.

Juntos tiveram e criaram Yara, a senhora das águas, na língua indígena. Batizaram assim a filha porque o Sudoeste do Maranhão é banhado por muitas correntes de águas doces e cristalinas. Uma bênção para a população local, trazendo fartura em peixes, para o cultivo e para o deleite de todos os que gostam de se banhar nas águas frias daquele pedaço de chão remoto do sertão nordestino.

A cultura indígena no Maranhão se fez viva, apesar de não muito divulgada no Brasil, mas o Maranhão faz parte da Amazônia Legal. E Yara, a pedido da mãe, Joaquina, foi estudar na cidade um pouco mais avançada culturalmente, aos cuidados de uma amiga de antigamente, dona Guilhermina.

Como sempre fora costume dos nordestinos, ficara hospedada em uma pousada de uma mulher que era muito amiga da família. A família de Yara não tinha muitas condições de lhe remeter dinheiro e pagar as despesas; então o acordo era que a moça ajudasse na pousada, como pagamento pela morada.

Chegou ao local com bagagem pouca para conhecer sua inquilina. Guilhermina era o nome da pessoa que lhe daria abrigo nos próximos anos até que concluísse os estudos ou talvez até que se casasse, já que era o destino das moças naquela época.

Carolina era um lugar onde muitos viajantes passavam por diferentes motivos: tinha muitos lugares paradisíacos que atraíam pessoas, como as Cachoeiras Gêmeas de Itapecuru e outros banhos de águas que correm na Chapada das Mesas, um conglomerado de rochas e águas do Sul do Maranhão, além de ser um polo econômico e cultural da época.

Senhora Guilhermina tinha mais de 50 anos e conduzia a pousada para homens e mulheres. Mas como era de costume não só na sociedade Carolinense, mas no Nordeste Brasileiro, vigiava a conduta dos hóspedes como um general, garantindo ao estabelecimento o status de familiar e a conduta ilibada.

A pousada tinha ótima localização, ficava na Praça da Igreja, no coração da cidade. Um lugar arborizado onde as pessoas passavam todos os dias. Da manhã até a noite, a praça era cheia de vida, com pessoas vendendo coisas, passeando com suas melhores vestes, indo à missa aos domingos e qualquer atividade artística mais importante que tivesse era realizada naquele lugar onde todos se encontravam.

A dona da pousada, grande, corpulenta, de cabelos cacheados e negros, era uma pessoa dócil e amigável. Vigilante da moral e bons costumes, também era uma pessoa que se preocupava em ajudar outras pessoas, como Yara, e logo se tornaram amigas.

A boa moça vinda de longe acordava de madrugada para dar conta das tarefas. Fazia o café, lavava a louça, aprontava as coisas. Fazia tudo para pagar a hospedagem que tinha na casa. Dona Guilhermina logo assumiu uma figura meio materna meio fraternal, a amiga que Yara tinha longe da casa das pessoas que conhecera a vida toda.

A moça matriculou-se na escola e estudava no período da tarde. Era o tempo de dar conta de todos os afazeres da pousada até que estivesse pronta para as aulas no período vespertino. A dedicação de  Yara  era redobrada: esmerava-se para cuidar da pousada e para dar conta dos estudos no segundo turno.

Dia após dia Guilhermina e Teresinha foram acordando cedo juntas para trabalhar na pousada. À tarde a moça ia à escola. À noite, quando Yara não tinha que estudar, sentavam-se à calçada para olhar as pessoas que passavam e conversar sobre as coisas do dia, como é comum no interior do Nordeste.

Apesar da distância dos pais e da tribo onde passara os dias na infância e no início da adolescência, Yara se deleitava sempre que podia nas cachoeiras e riachos daquele paraíso na terra. Não era muito alta, tinha traços mesclados de seus pais. Sua beleza era exótica com o cabelo lisos e a pele morena clara, olhos pretos e um misto de duas culturas que conhecera.

E os dias passando, assim como os hóspedes. Alguns deles vinham e voltavam, outros ficavam mais tempo. Era normal criar amizade com aqueles que passavam mais dias ou até meses na pousada, afinal, no Nordeste é hábito receber bem as pessoas que vêm à nossa casa.

Com o passar dos meses, Teresinha Yara foi conhecendo outras pessoas da cidade. Indo e vindo da escola, cumprimentava os moradores nas calçadas, no comércio e se afeiçoava aos colegas da escola.

Aos finais de semana, quando tinham folga, Yara sempre ia com dona Guilherminha  tomar um banho de riacho ou de cachoeira. Toda Carolina se divertia nas águas que tornam o lugar famoso pelo Maranhão e redondezas. Apesar de Yara não ter roupa apropriada para banhar-se, nadava com suas vestes modestas, estava acostumada com a vida na aldeia indígena, os demais é que não estavam.

Depois do banho nas águas frias dos riachos que correm por Carolina, seu corpo acinturado se moldava, mostrando a formosura da moça simples do interior do sertão.

Na vizinhança da pousada havia um senhor chamado Tadeu. Era um moço velho, como chamam no sertão. Já tinha seus 40 anos e nunca se casara, trabalhava no banco e tinha posses, boa renda, casa e até carro. Um moço alvo, não muito alto. Não era bonito nem feio, nem engraçado nem chato. Apenas um homem que trabalhava muito e dono de uma seriedade que a sociedade exigia para um senhor de tal idade.

De repente Sr. Tadeu começou a frequentar a pousada para tomar café. Dona Guilhermina recebia o moço velho, oferecia um café com bolo,  conversavam sobre nada importante, enquanto Sr. Tadeu observava de longe a moça que morava de favor na pousada. Dona Guilhermina, que não era boba nem nada, observou calada aquele movimento e avistou a possibilidade de um casamento arranjado para a sua pupila.

Um belo dia, a dona da pousada chamou então Teresinha em um canto e disse:

– Olhe, Yara, você é moça jovem e pobre, precisa arranjar um bom partido. Seu Tadeu é moço velho, mas é homem sério. Se você quiser eu noivo vocês dois e você vai ter um futuro para o resto da vida.

Yara, ainda ingênua pela idade, fitou em pensamento por um instante, mas aceitou a proposta da mulher que lhe dera morada e comida, e resolveu assumir o compromisso com o senhor Tadeu. Também não havia na cultura indígena todo aquele romance idealizado que herdamos da cultura europeia. O relacionamento entre duas pessoas era o que tinha que ser: um relacionamento entre duas pessoas.

Mas como Guilhermina era quem tinha as rédeas da situação, o namoro começou aos moldes da época, com a visita vigiada na porta da pousada, presentes que ele levava a ela de vez em quando e, às vezes, uma deliciosa pipoca na praça.

Mas o futuro de Yara lhe reservava outro rumo. Um dia chega na pousada um hóspede por nome de José.  O rapaz era um pouco mais alto que os outros da região, um negro de barba bem feita, uma expressão que fazia covinhas no rosto quando sorria. A alegria era a característica mais marcante de José, que adorava dançar, contar piadas e encantar as moçoilas da região. O rapaz vinha de Porto Franco resolver umas coisas em Carolina e teve a sorte de se hospedar na pousada de Dona Guilhermina.

A moça de raízes indígenas logo se encantou com aquela alegria. Era diferente daquela labuta a que estava condicionada há algum tempo e que lhe parecia um tanto monótona. Acordar cedo para trabalhar na pousada, ir à escola. Tudo na vida dela parecia muito certo e programado.  E o tal José era um tipo de desconcerto necessário. Aquele homem e toda a sua expressão eram-lhe ao seu inconsciente o acorde dissonante.

Estava a moça conscientemente envolvida. Prometida a outro homem, Yara não sabia como se aproximar daquele rapaz, ficava desconcertada ao vê-lo na pousada. Mas José, quando a viu, tinha certeza de que ela seria dele. Os cabelos lisos, a pele morena e os olhos negros roubaram o coração daquele conquistador que caçava moças por todo o Maranhão.

Hospedado na pousada, trocava olhares todos os dias. Era um flerte às espreitas, de uma forma que os outros hóspedes e dona Guilhermina não percebessem. A moça lhe levava o café e ele lhe tocava as mãos. Quando a encontrava sozinha, passava a mão em seus cabelos. E ao longe lhe fitava o olhar sempre que podia, encantando a jovem moça prometida a outro homem.

Era um namoro proibido e sem consentimento, embora ainda não tendo havido nenhum beijo. Teresinha estava completamente apaixonada por aquele viajante que se hospedara no lugar onde morava e trabalhava. E não sabia o que fazer, compromissada com outro homem. Tinha origem humilde, os pais longe, sabia que aquele rapaz encantava moças por onde passava, mas mesmo assim não resistia aos encantos daquele sedutor.

Um dia, José deixou um bilhete para Teresinha no café da manhã. Partiria em breve de volta para Porto Franco; mas disse a ela para encontrá-lo nas cachoeiras gêmeas, onde poderiam ficar à vontade. Teresinha cabulou aula neste dia e foi encontrar o rapaz, quando pela primeira vez sentiu o amor debaixo daquele lugar paradisíaco que mais parecia o cenário de um filme. Foi mágico, inesquecível.

José partiu de volta para Porto Franco e Yara continuou sendo noiva de seu Tadeu. Ninguém soube do amor perdido debaixo das cachoeiras que ela e José tiveram. Para a sociedade Carolinense, Yara continuava sendo a moça da pousada prometida a Tadeu, que a visitava às vezes com um presente ou um pacote de pipoca à porta da pousada sob os olhos vigilantes de dona Guilhermina.

Apesar de José ter ido embora, os dois continuaram se correspondendo. Yara e José enviavam cartas um ao outro, mantendo um relacionamento a distância. Enquanto isso, seu Tadeu, moço velho, já preparava as economias para o casamento com Yara. Ele já tinha esperado tempo demais na vida para achar que perderia a oportunidade de se casar com uma moça tão bonita e prendada.

Guilhermina então resolveu fazer o enxoval da moça. Foram ao mercado comprar os panos e as linhas para fazer os crochês e os bordados dos panos de pratos e outros, toalhas e colchas de cama, como é de costume no Nordeste. Seria o tempo suficiente para dar conta de todos os detalhes do casamento.

Enquanto isso, Yara continuava recebendo cartas de José em segredo. Ela sabia que ia se casar com seu Tadeu, mas seu coração pulsava com as palavras de amor que lia daquele rapaz que lhe mostrara uma faceta mais bonita da vida.

Um dia dona Guilhermina viu uma carta chegando para Yara e lhe perguntou o que era. A moça desconversou, dizendo que um rapaz tinha escrito a ela, que era admirador secreto, mas que ela não levava ele a sério. A mulher então deixou o assunto para lá.

Antes do casamento, tinha a festa de noivado, e foi justo na melhor época para os nordestinos: o São João. Naquele tempo era difícil ir de um lugar a outro, mas os pais da descendente de indígena foram até Carolina para conhecer o noivo da filha.

Ficaram hospedados na pousada de dona Guilhermina, que era amiga da família. Como é tradição no interior do Nordeste, as famílias passam uma, duas semanas de visita quando chegam de viagem, às vezes, até um mês.

Os dias foram se passando naquela pacata cidade e o seu Tadeu foi conhecer os pais de Teresinha. O moço velho, prometido da moça bonita da cidade, pediu a mão da filha do casal jurando uma vida de conforto e segurança.

Dona Joaquina e seu Raoni logo se afeiçoaram ao futuro genro, consideraram uma pessoa de bem, de posses e que daria à filha deles um futuro seguro. Não hesitaram em dar a bênção que o casal precisava para formar a união. Agora era só esperar a festa de noivado que Tadeu tinha preparado para apresentar sua noiva a toda a Carolina.

Mas antes disso teve a festa de São João. E no clube da cidade houve um forró de estremecer as águas dos poços mais calmos daquela cidade cartão-postal. Os jovens não podiam deixar de ir à festa que reunia a maior alegria da tradição do Nordeste. E claro que Yara, apesar de estar noiva e sob os olhos de muita gente, deu uma fugida para conhecer a maior festa da cidade.

O forró pegando fogo e o arrasta-pé pelo salão. Yara observava os casais se balançando juntinhos no terreiro. Eram dois para cá, dois para cá; um ritmo que só quem conhece o forró e o xaxado sabe como é o caqueado.

E de repente alguém lhe puxa a mão para dançar. Distraída  demais com os bailantes, Yara se vira e dá de cara com o olhar sorridente de José. A alegria toma conta daquela moça prometida que continuava a corresponder aquele amor incerto. E eis que ele aporta à sua frente, justo às vésperas do seu jantar de noivado.

A puxada de mão era José lhe tirando para dançar. Sem recusar, os dois apaixonados se embalam no forró de São João em meio a muitos, mas se tornam únicos, como se nada mais existisse. No entanto, não se engane. Na sociedade carolinense todos vigiam. E, ao verem a noiva do velho moço Tadeu se balançando, bailando com outro homem, foram correndo à pousada chamar dona Guilhermina e os pais da moça. Claro que não deixaram de convocar também o noivo para presenciar Yara com o rapaz caçador de moçoilas no Maranhão.

De repente, o forró da festa parou com um grito:

– Yara! – Exclamou o pai de Teresinha, que já estava por demais influenciado pela cultura da cidade.

– O que é que você está fazendo com esse sujeito? Pra casa agora!

Yara, espantada, não falou nada, só observou.

José fitou o pai da moça e respondeu:

–  Sujeito, não. Meu nome é José, seu moço. E eu não sou Jesus, não; mas respeite minha barba.

– Não sei que sujeitinho o senhor é – redarguiu; vá se embora e deixe minha filha em paz. Passe pra casa, Teresinha! Já!

 – Olhe, seu moço. Não sei se o senhor sabe, mas eu amo sua filha. E ela não vai a lugar nenhum, não. Ela vai ficar comigo que é o lugar dela. Já sei que prometeram ela a esse aí, mas é comigo que ela quer ficar, é comigo que ela vai ficar.

– Preste bem atenção. Eu nem sei quem é você, deixe de conversa e largue a mão da minha filha. Teresinha está prometida e vai se casar. Pegue seu rumo e desapareça da minha frente.

Enquanto isso, a atração tinha deixado de ser a banda de forró para ser a disputa por Teresinha. A moça, que, apesar de amar José, era obediente ao pai. E foi com ele para casa, junto da mãe, Guilhermina, e o noivo, Tadeu.

Após o incidente, Yara foi proibida de sair de casa por uns dias. A cidade precisava esquecer o que aconteceu na festa de São João antes da festa de noivado entre a moça e o moço velho. Mas como nordestinos passam muito tempo em casa de parentes ou amigos, seu Raoni e dona Joaquina ficaram no estabelecimento de Guilhermina desde que chegaram até o dia do noivado da filha.

Após o noivado, os pais de Yara voltaram para Montes Altos, onde puderam voltar para a lavoura e esperar o dia de voltar para o casamento. O noivo continuou trabalhando no banco. Teresinha deu continuidade ao trabalho na pousada, os estudos na escola e os bordados e crochês para seu enxoval.

Não obstante, as cartas de José chegavam em segredo, vez por outra. Até que um dia, uma em especial selaria o destino deles. O casamento se aproximava e Yara precisaria dar um fim ou um novo começo à real história de sua vida.

Certo dia ela disse à Dona Guilhermina que precisava comprar mais linha para o bordado. Saiu da pousada em direção ao mercado.  Lá, dirigiu-se até o ponto de ônibus que faz linha para fora de Carolina. A última carta que recebera continha dinheiro para comprar uma passagem que a levaria até certo ponto, onde encontraria José. De lá, foram até Riachão. José levou Yara para a casa de uma pessoa que ele conhecia. Lá, a moça passou a noite aguardando ver José no dia seguinte.

Amanheceu; os dois se encontraram. A mulher que hospedara Yara lhe arranjou um vestido branco empoado, já desgastado com o tempo, mas bem arrumado, bem passado a ferro. Ele vestia uma calça e uma camisa social, com o cabelo arrumado como nunca visto e a barba feita. Nem parecia aquele homem galanteador que conquistava meninas pelo interior do Maranhão.

Os dois pegaram uma carroça e foram até a capela. Lá se casaram com apenas as testemunhas que lhe deram abrigo para passarem a noite. Não houve almoço nem festa nem arroz na saída da igreja. A mãe e o pai de Yara não estiveram presentes na cerimônia, mas o amor dos dois estaria selado para sempre.

A lua de mel agora seria no lugar paradisíaco dos poços azuis que banham a cidade de Riachão. Para isso ninguém precisa trabalhar em banco ou ter um dote gigante para se casar. Basta nascer ou morar dentro do território da Chapada das Mesas do Sul do Maranhão e ser nativo desse lugar cheio de águas azuis e cristalinas que encantam o mundo.

Arranjaram uma casinha perto do poço, bem longe da cidade, para receber os visitantes que queriam conhecer as cachoeiras e as águas azuis daquele lugar único na Terra. Ela cozinhava, arrumava a casa e ele guiava os turistas pelos poços e cachoeiras. Sempre que queriam namorar iam para as águas azuis viver o amor que sentiam pelo outro, longe dos bancos e dos olhos da sociedade maranhense. Assim foram felizes. Com o passar dos anos, tiveram filhos e netos e levantaram a pousada que chamariam de Encanto Azul – o Complexo do Amor.

SOBRE A AUTORA – Iane Carolina Silva é piauiense, mas vive em Imperatriz há 11 anos. É formada em Jornalismo pela UFPI e pós-graduada em Comunicação Institucional pela Metodista-SP. Com 41 anos, escreve poesias desde os 14. É produtora cultural, elaboradora de projetos, produtora de audiovisual e assessora de imprensa do Ministério Público do Maranhão. Apaixonada por teatro e cinema, escreve contos inspirados em histórias reais, motivada pelas pessoas que conhece na sua vivência com o jornalismo. Recebeu o Prêmio Maranhão de Literatura (2024), realizado pela Secretaria de Cultura do Maranhão. Também é colunista do Portal Acesse Piauí e agente exclusiva do cantor e compositor Erasmo Dibell.

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