—– Um texto nunca é grande para a mente interessada.
—– Desenvolvimento não é o que acontece no SOLO. É o que acontece no SER.
—– Desenvolvimento de pessoas e progresso de cidades ocorre onde há leitores de livros — não apenas de telegramas… Onde há leitores de grandes textos grandes — não de reduzidas formas gráficas, como o excesso das abreviaturas da escrita nos espaços digitais da sociedade mais virtual que virtuosa de hoje.
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Um texto nunca é grande para a mente interessada.
Não existem mentes pequenas. Cientificamente, todo cérebro é praticamente do mesmo tamanho, peso e potencial.
Portanto, não é a mente que é pequena. É a preguiça mental que é grande. A falta de interesse. De prioridade. E, geralmente, como desculpa, a falta de tempo.
Toda nação, toda comunidade, todo país, toda cidade desenvolvida é uma cidade de leitores (isto é, cidade com um grande número de pessoas com certa qualidade de formação, informação e afirmação — sem apequenar a importância do trabalho braçal, mecânico, repetitivo, burocrático etc.).
Quais as características de uma comunidade/cidade/nação sem desenvolvimento? Pesquise, e verá que índices de Educação, de Leitura, de Produção Intelectual, de Patentes Industriais são mínimos. Educação, Conhecimento, Leitura é o que, na ponta, ao final, se converte ou faz converter em produtos e serviços — sobretudo os de valor agregado — em uma comunidade.
A Suíça não tem plantação de cacau — mas produz os melhores chocolates do mundo… (O cacau, o país importa de onde? Do Brasil… do Equador… da Venezuela…).
A Alemanha não tem fazendas de café — e é um dos maiores exportadores de café do mundo, além de produzir e exportar cafés de variado gosto, a preços até SETENTA VEZES mais do que o preço do café “in natura” que compra do Brasil. Só uma indústria alemã (a Melitta, que neste ano de 2023 completa 115 anos) tem mais de 160 produtos voltados para o café em mais de 100 países — e tudo começou com um papel de coar café…. A Alemanha tem praticamente o mesmo tamanho do estado do Maranhão — e, diga-se de novo, não planta café…).
Então, reflitamos:
Desenvolvimento não é o que acontece no SOLO. É o que acontece no SER.
Desenvolvimento é feito da pele para dentro — com Educação, Saúde, Conhecimento, Ciência, Tecnologia, Cultura, os quais, por sua vez, fazem acontecer o progresso, o crescimento (estes, sim, que ocorrem no solo, no espaço territorial da comunidade/cidade/nação).
Desenvolvimento de pessoas e progresso de cidades ocorre onde há leitores de livros — não apenas de telegramas…
Onde há leitores de grandes textos grandes — não de reduzidas formas gráficas, como o excesso das abreviaturas da escrita nos espaços digitais da sociedade mais virtual que virtuosa de hoje.
Foram e são textos grandes, que desafiam e alimentam o faminto cérebro, que estruturaram e estruturam as “coisas” que ainda mantêm em pé sociedades, crenças, instituições. Por exemplo, estão aí as religiões das diversas correntes e denominações, a lerem e repetirem exaustivamente seus textos sagrados, como a Bíblia, do Cristianismo…
…o Corão, do Islamismo…
…a Torá e o Talmude, do Judaísmo…
…os Analectos, do Confucionismo…
…o Mahabharata (com o Bhagavad Gita), do Hinduísmo…
…o “Triplo Cesto de Flores” (tripitaka ) ou Cânone Páli, do Budismo…
…o Guru Granth Sahib do Siquismo…
…o Livro de Mórmon, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias…
…o Tao Te Ching, do Taoísmo…
…o Avesta, do Zoroastrismo…
…o Kitáb-i-Aqdas, da Fé Bahá’í…
…o Shinten (com o Kojuku), do Xintoísmo…
…O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, do Espiritismo / Kardecismo…
Existem mais escrituras e textos sagrados, nessas e em outras religiões, crenças e credos espirituais. Tem até “bíblia” de religião satanista…
Há uma ciência que trata dos textos sagrados ou de importância central para determinada crença religiosa: a Hierografologia.
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Nas diversas Ciências, como na Espiritualidade, também se produziram suas “bíblias”, as obras clássicas, demarcadoras, como “A Origem das Espécies”, de Darwin; “O Capital”, de Marx; “O Príncipe”, de Maquiavel; “O Contrato Social”, de Rousseau… — sem falar nos clássicos da Literatura mundial e brasileira, que até os dias atuais povoaram e povoam as mentes não refratárias, os cérebros mais porosos, as vontades pessoais mais definidas e não acomodadas etc. etc.
Lamentavelmente, além da pouca leitura, a pouca escrita (no sentido de curta, criptografada e sem conteúdo mais “desafiador”). Com a intensificação das interações digitais, a linguagem é desprestigiada, a escrita é sincopada, reduzida, fragmentada.
Certa vez, uma pessoa adicionada ao meu espaço em uma rede social pediu-me que eu escrevesse sobre um determinado assunto, pois ela gostaria de saber minha opinião. Passei horas lendo e ainda mais tempo pensando (a última coisa que se faz no processo de escrever… é escrever). Após escrever o texto eu o enviei para a pessoa solicitante, pois, de qualquer modo, foi o pedido dela que levou à lavra das palavras.
Não demorou quase nada a resposta da pessoa leitora. Sabe qual foi o comentário dela? Ela escreveu: “Vdd”.
Imediatamente, perguntei a ela: “É só isso o que você tem a dizer?”
Foi pior: nem palavra nem abreviatura, nenhuma letra. Apenas um dedão azul com o polegar para cima. Então, estava tudo OK…
De onde vem essa estranha desvontade de escrever?
Quanto se ganha de tempo, de talento, quanto de esforço se economiza ao não mais se escrever “verdade”, mas “vdd”?
Não mais “beleza”, mas “blz”.
Não mais “você”, mas “vc”.
Não mais “estou rindo muito”, mas “kkkkkk” ou “rs rs rs”.
É…
Pelo visto, ninguém mesmo vai-se importar se a VERDADE é cada vez menor — “vdd”.
Ou mesmo se a BELEZA fica incompleta — “blz”.
Ou se chegamos até a diminuir o outro (“você”) — “vc”.
Como até a alegria, o riso, vai-se acabando (“estou rindo muito” passa a “kkkk” ou “rs rs rs”), o que virá por aí é mesmo de dar dó, ou tristeza (ou “ttz”)…
O risco, pela constância das repetições, é o cérebro ir acostumando-se só com o que é rápido, curto, pequeno… e, como corolário, como consequência, textos maiores, ao serem vistos pelo cérebro, são rejeitados.
A partir daí, muitos dos 86 bilhões de neurônios (que todos temos) vão se atrofiando (por falta de uso), pois que precisam de estímulos (em especial os da leitura) para, por meio de conexões elétricas, se encherem de energia e luz, provocando as sinapses e chegando àquilo que chamamos de inteligência, bons raciocínios, boas decisões, bons sentimentos, boas coisas, boas causas…
A mais recente pesquisa revela: só 8% dos brasileiros estão com melhor índice de alfabetização, conseguem ler e interpretar qualquer tipo de texto. Grande parte tem dificuldade até para “decifrar” a placa indicadora de uma linha de ônibus. (É o que está, em um mundo de informações, no estudo “Analfabetismo no Mundo do Trabalho“, do Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa).
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Pessoas e comunidades desenvolvidas chegaram a esse estágio porque leram muitas palavras e não poucas abreviaturas.
Pessoas e comunidades desenvolvidas — repita-se — são mais inteligentes porque leram livros, e não telegramas…
Seu cérebro é o que você é.
Abandoná-lo é abandonar-se.
Não alimentá-lo (bem) é matar-se.
Quem não usa bem o cérebro, pode ter certeza, muitas das vezes usa mal outras partes do corpo…
Isso, quando usa…
EDMILSON SANCHES