sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

“HÁ PEDRAS E POESIA NO MEU HABITAT”

Publicado em 5 de setembro de 2023, às 16:18
Fonte: EDMILSON SANCHES – Membro da Academia Maranhense de Ciências, do Conselho Regional de Administração, do Conselho Regional de Contabilidade, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, da Academia Internacional de Literatura Brasileira (Estados Unidos), do Instituto Histórico e Geográfico e Academia de Letras de Caxias, e de Academias de Letras dos Estados do Maranhão, Pará, Espírito Santo e São Paulo.
O livro de Wybson Carvalho. Acervo: Edmilson Sanches

(Prefácio ao livro de Wybson Carvalho)

Mais de trezentos anos depois de Aristóteles e seus alunos terem dito e escrito a pioneira e basilar Arte Poética,(1) o romano Horácio, também manuscritamente, legou-nos seu pequeno grande tratado de criação literária em obra homônima(2)  —  pelo menos na tradução e referência de tantos autores e especialistas do mundo ocidental, a partir mesmo de Quintiliano (35—95), que a chamou Ars Poetica. (3)

Filho de um escravo liberto, que desempenhava atividade que possibilitou recursos para a sua educação, Horácio estudou Literatura em Roma e na Grécia e veio a ser protegido de Mecenas, rico político romano, de quem se tornou amigo e perto de cujo túmulo foi enterrado.

Horácio escreveu sobre talento (ingenium) e técnica (ars) em Poesia, (4) em carta (“epístola”) endereçada à família dos “Pisones”, mencionadamente “pater et iuvenes patre digni”, “pai e filhos dignos de tal pai”.(5) No conjunto de preceitos aos Pisões, um, entre tantos e tantos, é ressaltado logo ali, nas primeiras dez linhas da pequena grande Arte Poética:

“Os pintores e os poetas sempre tiveram da mesma forma o poder de ousar o que quisessem”.(6)

Passaram-se mais de vinte séculos depois da Arte Poética horaciana e até hoje artistas dos pinceis vão além de partes de potros, penas e peixes no desenho de um corpo “humano”, em suas licenças, liberdades e surrealismos artísticos.(7) Por sua vez, os artistas das palavras, os que (de)têm a arte de escrever com arte, tanto compõem suas extravasões quanto até assumem pequenas extravagâncias e extraordinariedades. Assim, pois:

…há poemas que têm sete faces  — Drummond; (8)

…há poetas que têm diversos nomes  —  Pessoa; (8)

…há o mesmo livro várias vezes diferente  —  Whitman; (9)

…há autor maiúsculo que prefere as minúsculas – cummings… (10)

E, enfim, há poesias escritas com imagens e as há, também, pintadas com letras.

A pintores e poetas, a plena liberdade…

Deste modo, não estranhe o leitor se neste Há Pedras e Poesias no Meu Habitat (coletânea poética), do poeta caxiense Wybson Carvalho, der de olhos com uma paleta de variadas tintas poéticas, delas de grande aderência, sensível brilho e cores fortes (muitas das vezes, ácidas; outras vezes, agônicas).

É assim que, pela décima-segunda vez, o poeta caxiense apresenta-se em celulose e tinta, agora com uma seleção ampliada  — e a seu gosto —  com mais de cento e oitenta poemas, praticamente um terço do total que Wybson Carvalho já escreveu, poemas que se escondem e se eternizam em páginas de livros, revistas e jornais, inclusive poemas encontradiços nos bolsos de paletós e outras peças de vestuário do autor e poemas garatujados em papeis  — inclusive os de mesa de bar —  que repousam entre outros papeis que nem garrafas de vinhos envelhecem entre garrafas de vinhos. Envelhecer sem envilecer…

A paleta artística de Wybson Carvalho forneceu tintas e cores, tons e meios-tons, entretons e ton sur ton, fumée e dégradée e outros matizes e nuanças mais, para a composição desta pessoal coletânea poética. Tão pessoal que, neste entremeado de tessituras, o “eu lírico”, a voz  — e vez —  do autor nos poemas, é a referência das mais presentes nos textos. Tão pessoal que temas ditos difíceis, como morte e espiritualidade (com prevalência da primeira), ocupam fácil uma terceira colocação no total de composições. Há uma relevante presença do que é fúnebre… lúgubre…  O corpo do autor dói, mas é a alma do poeta que sofre…

Entretanto, o poeta está vivo e se movimenta. “Eppur si muove”. (11) E apesar de olhares inquisitoriais, como os que se lançaram sobre a verdade heliocêntrica de Galileu no século 17, Wybson Carvalho não murmura seu desdém e seu desdito/discordância em relação à realidade circundante, citadina, de incompetências, inapetências, inconsistências e, até, indecências de caráter político, social, político-administrativo, cultural e coisa e tal. Sobre isto, o autor não murmura, não sussurra, não dissimula: ele grita, alerta, denuncia por intermédio da Poesia, porta-voz de seus sentimentos e verdades. E na polifonia temática a voz da crítica assoma e assume a primazia: é a de maior volume, altissonante, com destaque para os poemas  —  verdadeiras bordoadas —  que se referem à terra natal, Caxias, e na defesa dela, a pólis lestiana, a cidade referência do Leste do Maranhão, Princesa do Sertão. (Com a licença pre/vista por Horácio, o autor, pintor de palavras, trouxe ao quadro poético e urbano três novas unidades léxicas (neologismos), todas adjetivos: “lestiano/a”, “polislestiano/a” e “sabiano/a”  —  para quando se refere ao Leste regional, à cidade (pólis) jurisdicionadora desse Leste e ao sabiá, a ave símbolo de/cantada na “Canção do Exílio”, do igualmente caxiense Antônio Gonçalves Dias, 1823-1864).

Intertextualidade – Além de transitar, livre e versilibrista, pelos poemas “de crítica”, por aqueles com a participação do eu lírico e pelas questões existenciais e espirituais, Wybson Carvalho trafega, senhor de si, pela metapoesia e concede um pouco  —  pauca, sed bona —   de espaço poético para o amor, a mulher, a música… e referências aos poetas caxienses Gonçalves Dias e Déo Silva e os são-luisenses Ferreira Gullar e Nauro Machado, este nosso amigo comum, falecido em 2015. Gonçalves Dias, homem e/ou obra, é lembrado a partir da dedicatória e em versos deste livro, como no poema “Canção ao exílio”, onde na primeira quadra Wybson Carvalho relembra:

“em minha terra havia palmeiras e o canto dos sabiás.

nela, exalava o perfume dos jardins urbanos.

dela, ouvia-se a linguagem singela do cotidiano.

com a minha cidade crescia a romântica dos poetas…”

Nauro Machado, de muitas interações poéticas com Wybson, é credor dos encômios deste, que já lhe dedicou, mais que versos, uma obra inteira. Em Há Pedras e Poesia no Meu Habitat, reproduz-se o poema “Nauroemcidade” (v. página 166), onde o autor, lembrando o poeta ludovicense morto, amalgama barro e sal, em que se juntam e se fundem indivisivelmente o poeta que cantava a cidade e a cidade que encantava o poeta.

Aliás, é homem e cidade, gente e ambiente, o de que trata “Pertencimento simbiôntico”, poema onde, parece que por intertextualidade  — mímesis ou imitatio e emulação (aemulatio) –, (12) Wybson Carvalho toca e/ou sente-se tocado pela poesia de Ferreira Gullar, que, em “Poema sujo”, de 1976, diz: “O homem está na cidade / como uma coisa está em outra / e a cidade está no homem / que está em outra cidade.”(13) Ambos maranhenses, ambos com vivências fora do torrão natal, não seria de estranhar que Wybson Carvalho também trouxesse o tema às letras e às linhas; entretanto, o homem, na poesia wybsoniana, está na cidade e ambos, homem e cidade, é que, por assim dizer, não se estão “encontrando”:

“o homem está dentro da cidade e carente dela

a cidade está fora do homem […]

o homem deve estar na cidade

assim como ela deve estar nele

[…]”

(“Pertencimento simbiôntico”)

O poeta caxiense Deo Silva, um dos de maior consistência na poética maranhense do século 20, é lembrança permanente em Wybson Carvalho e em mim, que o conhecemos. Wybson, de modo talvez pioneiro, traz neste livro sua versão de um famoso poema  — não escrito, mas declamado —  de Deo Silva. Esta é, até onde se sabe, a primeira vez que o curto e carregado poema de Deo Silva ganha contornos em livro, um verdadeiro resgate de uma composição que sobrevive em razão da memória de amigos poetas e boêmios.

Esse poema, que Wybson intitula “Noite ludovicense”, sempre me lembra o título A Bolsa & A Vida, de Carlos Drummond de Andrade, lançado em 1962. Em setembro de 2020, mantive longas conversas ao telefone e troca de mensagens com o advogado, ex-deputado federal, escritor e acadêmico caxiense Frederico José Ribeiro Brandão, amigo, colega de estudos, parceiro de boêmia e primo de Deo Silva. Atestou-me por escrito ter ouvido inúmeras vezes Deo declamar o poema, a ponto de as exatas palavras lhe terem ficado indeléveis na memória conterrânea. Registre-se, aqui, então, à guisa de tributo iniciado por Wybson, a versão que escrevi (antes do contato com Frederico) e a reprodução textual dos versos deo-silvianos, conforme me disse e escreveu o confrade Frederico, confiável testemunha ocular e auricular, que assim relembra Deo: “Era uma pessoa alegre, comunicativa. Em São Luís juntou-se a um grupo de intelectuais e boêmios. Não mais saiu dessa ambiência que nem o casamento mudaria. O casamento foi encerrado. Perdeu o emprego”. Quanto ao poema: “Ouvi dele próprio! E, a meu pedido, outras vezes. Estou certo de que Deo não deixou isso em qualquer escrito seu. Deo foi meu colega de turma no Ginásio Caxiense. Meu primo, também. // Não guardo dúvidas sobre o que ouvi. Como também sei que Deo ‘recitava’ esse quase verso para muitos. E,  como não o escreveu, os que ouviram…”

Agora, sobre os famosos versos.

“Noite  ludovicense”

(versão de Wybson Carvalho)

“São Luís, um beco escuro, um ladrão e eu…

ele – mãos ao alto; a bolsa ou a vida!

eu – consulte-as; ambas estão vazias!”

*

“A bolsa ou a vida”

(versão de Edmilson Sanches, baseada em lembranças do que ouvia no bar “Recanto dos Poetas”, em Caxias):

Na rua,

a escuridão.

Eu

e um ladrão.

“– A bolsa ou a vida!”

Ambas vazias.

Transcrição de Frederico Brandão, que reitera que os versos, sem título, nunca foram publicados. A partição em linhas (versos) foi por minha conta, observada a pontuação original:

Na rua escura, eu e um ladrão.

“A bolsa ou a  vida”. 

Consultei-as.

Ambas estavam vazias.

Reconheça-se, pois, nos versos acima, a árvore Deo Silva, firmemente enraizada, e, nas duas reescritas antecedentes, as folhas deixadas cair, sazonais, e que Wybson e eu ousamos recolher e conservar… Como se vê e lê, pelo dedo se conhece o gigante… e Deo Silva, lembrando verso de Horácio, executou, com as declamações de seu poema, “um monumento mais duradouro que o bronze”.(14)

Mais adiante, quando das anotações sobre eu lírico e autorreferencialidade, far-se-ão considerações acerca de outras cargas temático-poéticas wybsonianas, aí incluído o retorno de Gullar e Wybson, que voltam a se intertocar poeticamente.

*

Há tempos que Wybson José Pereira Carvalho acalantava o sonho deste livro  —  e, gentilmente obstinado, fazia questão de que eu escrevesse o prefácio e fosse o editor da obra. Induziram-no ao erro dessa escolha nossos laços e traços comuns: Caxias, a Literatura, o Jornalismo, o bar “Recanto dos Poetas”, conterrâneos escritores “mais velhos” e nossos amigos (Vítor Gonçalves Neto, Cid Teixeira de Abreu, Déo Silva, João Vicente Leitão, Luiz Leitão, Artur Cunha, Abreu Sobrinho, Sillas Marques Serra, Wilson Egídio dos Santos…), a Academia, as ideias e ideais…

Com uma vida constante e consistentemente ligada à Cultura, à Comunicação, à Literatura  — e, nesta, à Poesia –, Wybson Carvalho é referência quando a dúvida ou o assunto é Poesia e História caxienses. Foi presidente da Academia Caxiense de Letras, onde rotineiramente dá palestras para estudantes e outros públicos. Integrou os conselhos municipal e estadual da Cultura e nesse mister tornou-se dedicado participante de eventos da área em diversos pontos do País, tendo formado e firmado relacionamento com um rol de ricos nomes regionais, estaduais e nacionais da Cultura, das Letras, da Música e outros segmentos artísticos.

Mais velho dos quatro filhos (duas mulheres, dois homens) de Dona Teresinha e Seu Francisco, Wybson estreou há trinta e quatro anos em livro, Neófitos da Terra (1987), que reuniu diversos nomes da jeunesse dorée caxiense, inclusive  o outro irmão, Naldson Luiz Pereira Carvalho, advogado, também poeta e acadêmico.

O “neófito” Wybson daquele primeiro livro sete anos depois deu corpo à sua primeira obra solo, Eu Algum, de 1994. Assim, livro a livro, foi enfeixando seus poemas e se foi tornando o “veterano” autor, que agora, num esforço de Hércules, chega, literária e literalmente, à sua dúzia de trabalhos  — não contadas as antologias, inclusive nacionais, de que participou, além de presença em espaços da Internet (sites, blogs, páginas…). Para chegar aos seus doze trabalhos, Wybson, também herculeamente, teve de matar leões em Nemeia, limpar estrebarias do argonauta Áugias, rei de Élida, e pegar  —  pelos chifres ou pelas presas –  touros em Creta e javalis no Erimanto… (15)

O eu lírico / autorreferencialidade – A poesia de Wybson Carvalho, mais que um ato de criação, parece um exercício de duplicação ou extensão do poeta, que, como ser matriz, tem na Poesia uma filial de si mesmo. Com “Pedaços de um eu algum”, ele abre o livro, se anuncia… e adverte:

Pedaços de um eu algum

há no meu eu o pulsar de um desejo

e no qual há, ainda, o que, agora, almejo:

que o fim do somatório da minha dor

não interrompa os gritos do clamor,

face a um pedaço ser bem emudecido em mim,

e o meu outro resto é ouvido, mas ruim…

a sinfonia que me invade desde o nada

é bem-vinda, ainda que quase desafinada;

e eu a quero para sempre almejada,

ainda que pouco executada;

face a um pedaço inaudível ser ilusão

e o meu outro resto, não, mas real solidão…

e os versos que, agora, eu escrevo

que não sejam lidos e cantados com desvelo;

mas como a unicidade do momento

de um poeta imerso em seu eterno tormento,

face a um pedaço ser calado em mim,

mas o meu outro resto é ensurdecedor e ruim!

A autorreferencialidade é recurso e realidade em muitos autores. Às vezes, inda que separados no tempo e pelo espaço, distantes na formação e experiência, o self, essa consciência de si e reflexão sobre si próprio, une autores ou estabelece (involuntariamente? inconscientemente?) pontos de contato entre eles, como antes se anotou aqui sobre intertextualidade. Por exemplo, os dois versos finais de cada uma das três sextilhas do poema wybsoniano acima remetem ao “Traduzir-se”, do também maranhense Ferreira Gullar (1930-2016), que, nos seis quartetos das sete estrofes do poema (a última é uma quintilha) vai mostrando o eu lírico gullariano: “Uma parte de mim / é todo mundo: / outra parte é ninguém: / fundo sem fundo. // Uma parte de mim / é multidão: / outra parte estranheza / e solidão. // […] // Uma parte de mim / almoça e janta: / outra parte / se espanta. // […]”.

Em “Um sobrevivente à síndrome de Stevens-Johnson”, a autorreferenciação do poeta continua, agora particularizando e poetizando sobre um mal raro:

Um sobrevivente à síndrome de Stevens-Johnson

houve um incêndio afótico dentro de mim.

em trevas e sob a cremação da carne putrefata

emergiu o emudecido veneno

qual direito da alma se acasalar,

puramente, em si,

e sob correção ao estrago

em cicatriz na natureza humano-espiritual.

porém,

haverá nova folhagem

ao homem salvo pela Divindade Criadora

que purificou e lapidou

o bruto complexo psicofísico da criatura.

então,

a vida torna-se um fiel canto para o encanto de renascer…

Observe-se que os sete primeiros versos são dor e aflição; as sete linhas seguintes, amor (divino) e remissão. No começo, o poeta na sua poesia chora  —  chora e sangra. O ser é frágil e incompleto, mas seu fazer literário (poíesis) é forte e inteiro. O poeta se recupera e se reergue.

E com o poeta, também o homem, que espreme seu espírito e exprime na escrita seu espólio de dor e expiação, suportação e superação, resistência e fortaleza, arte e beleza.

Os sentimentos e sensações do homem vão-se desentranhando do poeta e se entranhando em sua poesia. No poema “Fogueira à embriaguez”, o poeta está só e em vão agarra-se aos versos  —  que igualmente se vão partindo do veio que é a Poesia e da veia que é a Arte:

Fogueira à embriaguez

estou tão só nesta sexta-feira.

sinto tanto frio neste último dia útil.

há dentro de mim uma sede ao álcool.

meu coração quer se aquecer

à margem de um vulcão, em erupção constante,

que derrame larvas acesas a incendiar

meu corpo acasalando solidão

nos dias subsequentes do final de semana:

sábado e domingo inúteis

a um cotidiano de fogo algum.

O crítico – Os olhos e a escrita do poeta são sensíveis ao que vê e ao que não vê, ao que se faz à cidade, ao que não se faz por ela e, também, ao que se desfaz nela. A falta que uma mesa farta faz trouxe “Fome” ao poeta (ele, que, poemas antes, já denunciara a “fome e sede do [rio] Itapecuru”, rio de nossa infância):

Fome

 ausência de iguarias

nos recipientes à mesa

do oferecimento aos desvalidos…

presença do vazio

nas vísceras do estômago

embrulhado pelo papel da sociedade…

A fome é quando o nada dói. Um nada autorizado por autoridades e avalizado por uma sociedade apática, atípica, estrábica…

O eu lírico e espiritual do poeta prostra-se em oração, em “Perdão”. E a uma força superior, a “unicidade ubíqua em onipotência e onipresença” reza um novo pai-nosso: o homem reconhece-se pecador, teme as trevas e espera a salvação do que foi com a bênção do que será:

 Perdão

 natureza e obra eternas,

unicidade ubíqua em onipotência e onipresença,

— caí em tentações pecaminosas!

livrai-me de insidiosa luz do fogo.

mas não me deixeis nas trevas.

não sou digno de beber do vinho e comer do pão!

porém,

lavai-me as feridas com meu próprio sangue,

aliviai-me a dor para que sacie a minha própria fé,

e, então, salvai-me do que fui ao abençoardes o que serei.

rogai-me, amém.

E o que dizem as linhas do desalinho em “Valsa do descompasso”? É o bêbado e seu andar trôpego, tropicando pelas ruas, entreolhado furtivamente por quem não pode sequer atirar a pedra primeira?

 Valsa do descompasso

quando meus passos estiverem bailando

de um lado para outro,

a personalidade dos indivíduos será  abalada

ao prosseguir nas vias estáticas

do comportamento social.

Em “Oferta à vida” volta o poeta às escolhas existenciais: O que, à certeza de um caminho rico (onde “haveria prata, ouro e diamantes”), o fez preferir rumar “por veredas aziagas” onde, em seu “inferno existencial” e em sua existência infernal, a riqueza do poeta é só o exercício do direito de escolher ainda que de vestes desnudo, vestindo-se “do nada”?

Oferta à vida

haveria prata, ouro e diamantes,

se eu preferisse caminhar certo

pelos tortos e estabelecidos caminhos

pautados em tua ambiência.

mas,

vesti-me do nada

e rumei por veredas aziagas

do meu inferno existencial

a destruir ilações sobre nosso espaço.

No poema “Sentenciado”, a letargia paralisa o poeta e o leva à desfinalização, ao não acabamento; leva-o ao “começo sem terminar” e à “espera sem fim”  —  e, de quebra, leva-o a perguntar: “ – por que crime fui julgado um ser ruim?”.

O poeta se percebe: está “enfermo, desiludido e tão só…”.

O poeta sofre por si e por sua cidade. Sua poesia é mais livre que ele e não sofre, pois que, louvada pelo porvir, está imunizada contra a ignorância do agora, ignorância que é desconhecimento e ignorância que é grosseria, mesmo!

Sentenciado

inculpado, mas transformado num ser;

enfermo, desiludido e tão só…

sem horizonte a seguir e com inércia se alimentando de mim!

não preferi esse presente letárgico;

começo sem terminar e espera sem fim:

— por qual crime fui julgado como um ser ruim?

A morte – Wybson Carvalho nem de perto é um admirador da morte. Não idolatra a dor. Mas, embora não clame pela morte,… declama-a. Aliás, nestes aspectos poético-patológicos consigne-se que, em Caxias, são de Wybson Carvalho as referências mais iterativas em relação ao bordão que afirma que “poeta não morre  —  encanta-se”. Aqui e acolá ouve-se Wybson Carvalho (re)citando essa frase  —  aliás, como escrevi em outro texto, frase de Guimarães Rosa, que creio ter origem em uma expressão latina: “Abiit, non obiit” isto é, “Partiu, não morreu”, escrita como epitáfio em lápides da antiga Roma.

Mas não há negar: o fúnebre, o lúgubre, o evocativo da morte passeia pela poesia wybsoniana, ausente o mau agouro: Absit omen. (16) Nenhuma novidade: poetas e escritores adoram esse mister e mistério que é o morrer. Como anota Maria Luisa del Barrio Vega, professora da Universidad Complutense de Madrid, citada por Ana Paula Silva em Morte, Vida, Persuasão e Poesia: “Son muy numerosas las reflexiones sobre la existencia humana, su brevidad y penalidades  o la imprevisibilidade del destino”. (17)

Vítor Manuel de Aguiar e Silva, professor, poeta, escritor português, laureado em 2020 com o Prêmio Camões, traz-nos, em sua volumosa Teoria da Literatura, de 1969, a confirmação, atribuída à metafísica cristã, de que “[…] o homem é corpo e é espírito, é grandeza e é miséria, devendo a arte dar forma adequada a esta verdade essencial”. (18)

O filósofo e poeta alemão Friedrich Nietzsche (1844—1900), no seu Assim Falava Zaratustra, escreveu, já na primeira parte, que “louco é aquele que se agarra à vida” e que “todos encaram com seriedade a morte, mas morrer ainda não é uma festa”. (19)

O caxiense Gonçalves Dias, em Novos Cantos, diz-nos que “A morte é vária e multiforme, e muda / De trajes e de máscaras mais vezes / Qu’uma cansada atriz”. O poeta continua e nos revela que o diabo da morte, se não é bonita, tampouco é como dela se diz: “Nem sempre é, qual se pinta, o negro espectro / D’irônico sorriso e brancos dentes, / […]”. Mais adiante, no poema “Visões – Passamento”, Gonçalves Dias exclama: “[…] / Morrer  — loucura, insânia! […]”. E finaliza, suplicante: “[…] / Oh! não quero morrer!…”. (20)

O poeta português Fernando Pessoa também cuidou do tema, embora, como ressalva  o professor universitário, crítico literário e ensaísta lisboeta Jacinto do Prado Coelho (1920—1984), tenha buscado “avidamente a felicidade como quem nasceu para ser feliz”. Mas, ainda assim: “Ninguém mais do que ele [Fernando Pessoa] experimentou a sensação pungente de estar condenado à solidão […]”.  (21) Prado Coelho exemplifica com os dois últimos versos de um poema pessoano, ortônimo, sem título, de três quadras, feito há noventa anos, em março de 1931: “A vida? Não acredito. / A crença? Não sei viver”. (22)

Porém, uns doze anos antes daqueles versos, Pessoa escreveu, supostamente em março de 1919, uma oitava “carregada”: “Porque vivo, quem sou, o que sou, quem me leva? / Que serei para a morte? Para a vida o que sou? / A morte no mundo é a treva na terra. / Nada posso. Choro, gemo, cerro os olhos e vou. / Cerca-me o mistério, a ilusão e a descrença / Da possibilidade de ser tudo real. / O meu pavor de ser, nada há que te vença! / A vida como a morte é o mesmo Mal!” (23)

Mais perto de Wybson Carvalho, mencione-se, sobre a morte, trecho da monografia da escritora Arlete Nogueira da Cruz, citada pelo poeta (e marido dela) Nauro Machado, em texto constante da Obra Poética, de Bandeira Tribuzi, de 2002. Segundo Arlete, que vai no contrafluxo de outras opiniões, “a morte não representa indagação, medo, absurdo. Significa paz, vizinha à liberdade na ressurreição […]”.  (24)

Desse jeito arletiano, a morte, então, seria também um outro “monstre délicat”, tal qual o tédio grandemente (de)cantado e despetalado por Baudelaire logo de entrada, em suas Flores do Mal? (25)

Wybson Carvalho, na temática da morte, poetiza em seu livro a talvez mais perturbadora das interrupções da vida: o suicídio  — ato tão perturbador que levou o filósofo, jornalista e romancista franco-argelino Albert Camus (1913—1960) a escrever o conhecido O Mito de Sísifo, publicado em 1942, onde está a frase famosa: “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”. E logo em seguida: “Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia”. (26)

O poeta caxiense apresenta, em “Um suicida”, um dos grandes textos deste livro:

  Um suicida

 domínio da inconsciência

caçador do ato imoral

transformada aparência

retrato do mal.

imposto o desejo pecador

guia do errante caminho

tal ensejo destruidor

de um animal sozinho.

vil ilusão sem sorte

começo da viagem enlouquecida

coragem para a morte

medo da vida.

Como se lê, para os que se autoencaminham para a morte, Wybson Carvalho, sensível e criticamente, esculpiu, com palavras, uma lápide imorredoura, um obelisco eterno, onde também define  — igualmente sem exaurir —  o suicídio: “coragem para a morte / medo da vida”. Talvez tocado pela dolorosa, recorrente e surpreendente incidência de atos suicidas, o poeta compôs uma quase nênia, uma canção para os que se levaram (ou foram levados) à autoimolação.

Sem esgotar, repita-se, o assunto, Wybson traz aos olhos e sentimentos do leitor um dos mais definidores e definitivos textos da Poética maranhense sobre o ser e o ato suicida. Em uma só estrofe, mas três quadras (delimitadas pelos esquemas rímicos abab, cdcd e efef —  rimas alternadas), veem-se:

  1. a descrição do turbamento da consciência, condição para o fim próximo;
  1. desejo do autofindar-se se impondo e conduzindo ao “errante caminho” da (auto)destruição; e
  1. no último quarteto, o imparável começo do ato final para a desvida  —  dito/escrito com uma precisão sensível e suavemente crua, traduzida e encerrada pela assepsia e quase secura dos dois últimos versos da quadra final: “vil ilusão sem sorte / começo da viagem enlouquecida / coragem para a morte / medo da vida”.

Observe-se também a expressão “[…] ensejo destruidor / de um animal sozinho”: é o suicida um ser ilhado, em ambiente externamente despovoado de outros seres, mas intimamente habitado por multidões de angústias, dores, dúvidas…

Viver  — ora, viver é para os fracos; é só seguir a turba… Mas morrer, morrer “por si mesmo”, é para os que se desnudam, se desaglomeram, “se livram” dos outros para, não estando em si, em gesto último, se livrarem de si.

A pólis – É quando se devota à sua cidade que Wybson Carvalho amplia a linguagem e amplifica a dicção do livro. Ad augusta per angusta.(27) Veja-se:

Saneamento superficial

a alma da cidade é banhada em água servida

corrente na sarjeta a céu aberto das vias públicas

qual lágrima escorrida na vergonha lestiana

dos transeuntes a inspirar o odor urbano:

fezes e urina são a oferta sem saneamento.

O poeta descobre e avisa: “na pólis há porções negras” (“Refeição à ganância”). Ele percebe: “a população / está na cidade / dentro e carente dela / […]” (“Pólis lestiana sem alma”). Ele insiste:

Vestuário de forças

há anos

a polis troca-se e se veste

com a mesma roupa:

concreto por sobre

as múltiplas negras arestas urbanas.

porém,

os munícipes lestianos estão despidos

da humanologia social

e a sós.

Em “Negação”, “o não entregue aos carentes / não sacia a ganância dos abastados / […]”. É o quanto mais tem, mais quer  —  o muito para os que tanto têm, retirado dos muitos que tanto precisam. No poema, o “não” é a mais forte forma de fazer uma afirmativa.

A pólis é o espaço em que o poeta habita e que é por ele habitado. Desse modo, sendo em igual tempo agente e usuário desse espaço, o poeta tem natural autoridade, direito e, mais que isso, dever de apontar omissões, denunciar agressões, externar emoções relacionadas ao que está sendo feito e ao que não se fez. Tem o direito (senão dever) de dessacralizar gentes e gentalhas, que se acreditam santificadas, que são tão pobres que só têm  — finito —  dinheiro e, muito mal usado,  —  transitório —  poder. Em sua cidade, o poeta, à sua maneira, dessacraliza o “sagrado” , desmitifica o que se fez “mito” e desmistifica o que pura mistificação é.

Desse modo, com a mais poderosa arma (a palavra), em sua melhor “embalagem” (a Poesia), Wybson Carvalho “manda ver” em quem não sabe ver e ainda assim manda…

A série de poemas à pólis (Caxias, cidade-mãe e referência da região leste do Maranhão) é de uma bem-vinda acidez cítrica e nitidez crítica, tudo contido em (in)contidas palavras e versos. De modo singular, talvez único na Literatura  — especificamente na Poesia —  caxiense, senão maranhense, Wybson Carvalho teceu, com os fios de suas emoções de cidadão,  e escreveu, com a competência de quem sabe lavrar a dor, excepcionais poemas-denúncia, onde palavras e conceitos, de forma ímpar, parecem vir aos pares: desvalidos & necessitados, podridão & vergonha, sarjeta & esgoto, fezes & urina, carências & desencantos, parcos & poucos, mendigo & mendicância, desespero & desesperança. A Poesia também não foge à luta…

Ao denunciar e defender sua terra, o poeta constrói um dos mais sólidos conjuntos poéticos de crítica social, política e moral (imoral). Corre o saudável risco, este conjunto poético, de tornar-se referência para estudantes e estudiosos e de reverência para seus conterrâneos (ainda que não coetâneos).

Grande parte deste livro reflete assim a via crucis, via lucis (28) do poeta, ou seja, o caminho da cruz leva ao caminho da luz, o trilhar as dificuldades da cidade alimenta o ser em sua poeticidade. Aí, então, o poeta, com sua escrita, assesta a pontaria e acerta sua artilharia no alvo que é a asnaria e a barbaria instaladas, cuja omissão, inação e/ou incompetência depõem contra a qualidade de vida da cidade e o bem-estar de seus cidadãos. Santa ira poética!

*

O jovem universitário   — que, nas férias, saía de Recife (PE) e vinha para sua terra —  foi inicialmente aprendendo com os bons: Déo, Vítor, Cid, os livros do Nauro Machado… Já o experiente poeta aprende com a cidade, apreendendo-a. Como os antigos peripatéticos, que ensinavam/aprendiam no caminhar, Wybson Carvalho anda a cidade-berço enquanto seu corpo e olhar, ambos uma só antena sensível, captam as realidades e irrealidades, fluidez e concretude e as transportam para a efemeridade eterna dos poemas. A cidade é seu habitat sociocomunitário e dela o poeta extrai suas virtudes e vicissitudes, que ele intenta levar até ao habitante, para que este, tocado, possa melhor exercer sua cidadania. Como escreve Octavio Paz, nobilíssimo Prêmio Nobel de Literatura, “[…] as palavras do poeta, justamente por serem palavras, são suas e alheias. Por um lado, são históricas, pertencem a um povo e a um momento da fala desse povo […]”. (29)

A poesia de Wybson Carvalho, em sua dor e denúncia, amor e pronúncia, haverá de resistir e permanecer. Pois a Poesia  — é Alfredo Bosi quem confirma – “resiste à falsa ordem, que é, a rigor, barbárie e caos. […] Resiste aferrando-se à memória viva do passado; e resiste imaginando uma nova ordem que se recorta no horizonte da utopia”. (30)

*

Wybson, há pedras e poesia em seu habitat. Ambas são igualmente sólidas.

E podem ser úteis na construção de um mundo  — e de uma cidade — melhor…

Parabéns, Poeta.

Edmilson Sanches
Editor

***

Notas / Referências

                                                      (E. S.)

(1) Aristóteles nasceu e morreu na Grécia. Viveu 62 anos, de 384 a. C. a 322 a. C. Sua Arte Poética, datada de entre 335 a. C. e 323 a. C., é resultado das anotações de seus alunos das aulas que ele dava.

(2) Horácio (Quintus Horatius Flaccus) nasceu e morreu em Roma. Viveu 56 anos, de 65 a. C. a 8 a. C. O primeiro nome de sua Arte Poética (datada da segunda década antes de Cristo) é Epístola aos Pisões, título relacionado à carta  —  em versos —  que enviou a membros de uma família amiga, os Pisones.

(3) Quintiliano (Marcus Fabius Quintilianus) nasceu e morreu em Roma. Foi professor, advogado, poeta. Viveu 61 anos, do ano 35 ao 96, no primeiro século da Era Cristã. Em obra sua, sobre oratória, faz referência à Epístola aos Pisões, chamando-a Arte Poética, como na obra aristotélica. Sobre isto, veja-se Epistula ad Pisones, edição bilíngue organizada por Bruno Maciel, Darla Monteiro, Júlia Avelar e Sandra Blanchet (Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2013).

(4) Veja-se em Epistula ad Pisones, op. cit.

(5) Veja-se em “Ars Poetica de Horácio – O Texto Original”, de Lucia Sá Rabello, professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, publicado na revista Organon, vol. 29, nº 56, páginas 259 a 277 (Porto Alegre: UFRGS, janeiro/junho de 2014).

(6) Em Latim: Pictoribus atque poetis / Quidlibet audendi semper fuit aequa potestas. Optou-se pela tradução de Paulo Rónai, em Não Perca o Seu Latim, 3ª edição (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984).

(7) Referência aos cinco primeiros versos da Arte Poética / Epístola aos Pisões, de Horácio, em Epistula ad Pisones, op. cit.: “Se um pintor desejasse unir um pescoço equino / a uma cabeça humana e revestir de variadas penas / membros reunidos de várias partes, de tal modo / que uma mulher formosa de rosto termine em um peixe / horrendamente negro, vendo tal quadro, seguraríeis o riso, amigos?

(8) “Drummond” – referência ao “Poema de sete faces”, que abre o livro Alguma Poesia (1930), o primeiro do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. In: Poesia Completa e Prosa (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977). “Pessoa” – referência ao poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) e seus diversos heterônimos, pseudônimos e outros nomes ou formas de assinar obras (livros e outros textos). Pesquisas feitas por estudiosos de três nacionalidades (portuguesa, holandesa e brasileira) chegam a perto de 130 nomes usados por Fernando Pessoa  —  que, além de poeta, foi astrólogo, comentarista político, correspondente comercial, crítico literário, dramaturgo, empresário, ensaísta, escritor, filósofo, inventor, publicitário e tradutor.

(9) Referência ao livro Leaves of Grass (Folhas de Relva), do poeta norte-americano Walt Whitman (1819-1992), lançado inicialmente em 1855, com 12 poemas e sucessivamente ampliado, a ponto de, 21 anos depois, na sexta edição (1876), a obra ser publicada em dois volumes.

(10) Referência ao poeta, ensaísta, dramaturgo e pintor norte-americano Edward Estlin Cummings (1894—1962), considerado um dos grandes nomes da inovação poética e literária em geral no século 20, que tinha por hábito escrever abreviadamente e em minúsculas seu nome (e. e. cummings) e seus poemas. Também usava minúsculas após pontos.

(11)  “Eppur si muove” (ou E pur si muove)em Português: “Entretanto, se move [a Terra, ao redor do Sol]”. Frase latina atribuída ao cientista italiano Galileu Galilei (1564-1642), que, para não sofrer castigos maiores da Inquisição, a teria murmurado logo após negar que a Terra não girava em torno do Sol.

(12) Sobre mímesis ou imitatio e emulação (aemulatio), veja-se, entre outros, a Arte Poética de Aristóteles e o Tratado de Imitação, de Dionísio de Halicarnasso, que escreveu ser a emulação “uma actividade do espírito que o move no sentido da admiração daquilo que lhe parece ser belo” (in Tratado da Imitação, editado por Raul Miguel Rosado Fernandes, publicado em 1986 pelo Instituto Nacional de Investigação Científica e Centro de Estudos Clássicos das Universidades de Lisboa).

(13) In Poema Sujo, de Ferreira Gullar (Rio de Janeiro, José Olympio, 2006).

(14) “Pelo dedo se conhece o gigante”: expressão latina  —  “Ex digito gigas”.  “Um monumento mais duradouro que o bronze”: “Exegi monumentum aere perennius”, “Executei um monumento mais duradouro que o bronze”, verso que, no dizer de Paulo Rónai, op. cit., refletia o “justo orgulho” do poeta Horácio ao publicar os três primeiros livros das suas Odes, em 23 a. C. (o quarto sairia dez anos depois, em 13 a. C.; nesse intermédio se publicariam, entre outras obras horacianas, a Epístola aos Pisões ou Arte Poética, aqui já referida).

(15) Nemeia, Élida, Creta e Erimanto são locais em que, segundo a mitologia grega, o herói Hércules realizou alguns dos 12 trabalhos, em cumprimento a uma espécie de penitência.

(16)  “Absit omen”. Frase latina. Em Português, “Esteja ausente o mau agouro”, na tradução de Paulo Rónai, op. cit.

(17)  Veja-se em Morte, Vida, Persuasão e Poesia: A Composição do Elogio Fúnebre em Don Luís de Góngora e Gregório de Matos, de Ana Paula Silva.São Paulo: Humanitas/Fapesp, 2012.

(18)  Veja-se em Teoria da Literatura, 8ª edição, de Vítor Manuel de Aguiar e Silva. Coimbra: Almedina, 1988.

(19)  Veja-se em Assim Falava Zaratustra, 3º edição, de Friedrich Nietzsche. São Paulo: Escala, 2008.

(20) Todas as citações em Poesia e Prosa Completas, de Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.

(21) (22) Veja-se em Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, de Jacinto do Prado Coelho. São Paulo: Verbo/Edusp, 1977.

(23) As citações e datas estão em Obra Poética, de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.

(24) Veja-se em Obra Poética, de Bandeira Tribuzi. São Paulo: Siciliano, 2002.

(25) Veja-se em As Flores do Mal, 1ª edição, de Charles Baudelaire; tradução de Júlio Castañon Guimarães. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2019.

(26) Veja-se em O Mito de Sísifo, de Albert Camus. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.

(27) Ad augusta per angusta. Frase latina. Quer dizer que se chega “a resultados sublimes por caminhos estreitos”, na tradução de Paulo Rónai, op. cit. No prefácio, a alusão à composição de bons poemas que denunciam e criticam as más práticas contra a cidade.

(28) Via crucis, via lucis. Expressão latina da idade Média: “O caminho da cruz [é] o caminho da luz” (Paulo Rónai, op. cit.).

(29) Veja-se em Signos em Rotação, de Octavio Paz. São Paulo: Perspectiva, 2003.

(30) Veja-se em O Ser e o Tempo da Poesia, de Alfredo Bosi. São Paulo: Cultrix, 1977.

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2 respostas

  1. Pelo prefácio, diga-se, pela obra de arte prefacial, em que muito bem Sanches foi inspirado já podemos perceber o tesouro que é esta obra de Wybson Carvalho. É um bom convite para os caminhos das delícias da leitura a ser seguido e visitado em “Há pedras e poesia em meu habitat”. Deve ser bem denso. Wybson se recria na imaginação com muitas obras como em Necrópolis. E deste trabalho com esta inicial grafada por Sanches completa a gigantesca importância para ele, para Caxias e para os caxienses que amam poesias e apreciam cada trabalho que mexe com a urbanidade deste povo. Parabéns pelo prefácio e ao Wybson pelo novo trabalho que deve ser fenomenal.

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