terça-feira, 17 de maio de 2022

A importância do antagonista

Publicado em 4 de maio de 2022, às 16:18
João Marcos – Jornalista e Escritor.

Esta é para os escritores(as) de plantão: o mal é tão importante quanto o bem na narrativa de seu livro. As virtudes e os bons valores são fáceis de serem detectados e construídos, porém isso não é o suficiente para ter um bom enredo. O seu protagonista precisa superar algo, seja ele humano, alienígena, espiritual… não importa. Sem conflito não existe história! Por isso, redobre a sua atenção quando for criar um antagonista ou vilão. Vou te explicar o porquê.

O que é

O antagonista é aquele que se opõe ao protagonista. É um empecilho, a dificuldade, a batalha que o seus personagens principais vão ter que enfrentar para alcançar o seu objetivo, seja ele bom ou ruim. Christopher Vogler, em seu livro “A Jornada do Escritor” (2015), ilustra bem o papel dos vilões e antagonistas de uma história.

“Antagonistas e heróis em conflito são como cavalos numa parelha, que puxam em direções diferentes, enquanto vilões e heróis em conflito são como trens que avançam um de encontro ao outro, em rota de colisão.”

Todo mal precisa de um motivo

Na minha opinião, o seu vilão precisa ter uma história tão firme e bem construída quanto a dos seus personagens principais. O meu antagonista preferido é o Presidente Snow, de Jogos Vorazes. As suas vontades e a sua postura como ditador, o torna real, crível. Na trilogia principal sabemos pouco sobre ele, mas em Cantiga de Pássaros e Serpentes (2020), Snow é mal por um simples motivo: falta de caráter.

Já Tom Marvolo Riddle ou apenas Lord Voldemort é pedra no sapato não só de Harry Potter, mas de todo o mundo mágico. Toda sua amargura vivida na infância e adolescência, culminou para o despertamento de sua maldade. Além disso, ele é o símbolo da ganância e do preconceito.

Este personagem é um exemplo de que a personificação do mal nas suas narrativas devem estar tão bem fundamentadas quanto o bem.

O mal em todo lugar

Dungeons & Dragons ou Caverna do Dragão foi uma animação muito popular nos anos de 1980 e para mim, o reino inteiro é a personificação do mal. Aquele grupo de seis jovens e uma unicórnio vivem aventuras um tanto que melancólicas envolta da atmosfera daquele reino. E quem pensa que o Vingador é o antagonista está bem equivocado. Ele é apenas uma parte daquele mundo, do todo.

O último episódio nunca foi ao ar, mas o roteiro produzido por Michael Reaves intitulado Requiem veio a público erevela que o Vingador era filho do Mestre dos Magos que foi cativo de uma maldição. Isso muda tudo, já que não fica claro se as crianças conseguiram ou não saírem daquele mundo.

Quebrando as regras

Cheguei até aqui dizendo que o mal precisa ter um motivo, mas e se não tiver? No livro Caixa de Pássaros (2014), de Josh Malerman, ninguém sabe explicar que criaturas são aqueles que invadiram a terra. São alienígenas? São seres espirituais? O legal é realmente não saber.

Não existir um motivo, não significa que o mal deve ser isento de sentido. O mal precisa ser coerente ao mundo em que se manifesta.

Por isso, escrever é como montar um quebra cabeça em que você decide como as peças vão se encaixar. É preciso ter calma, ler e escrever bastante, mas se você fizer tudo direitinho, com certeza terá um público leitor cativo e que aprecia as suas obras.

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