quinta-feira, 11 de agosto de 2022

E esse tal de minimalismo, hein?

Publicado em 28 de janeiro de 2022, às 20:38
Cristiane de Magalhães – poeta, professora de Língua Portuguesa.
Imagem: Freepik

Com uma rápida pesquisa no Google, descobrimos que não é uma ideia nova. Passa pelos filósofos estóicos, por grandes religiões, como Cristianismo e Budismo, chegando à educação financeira, assunto tão pertinente nos dias atuais.

Mas afinal, o que é uma pessoa minimalista? E que tal uma decoração minimalista na sua casa? E o que seria minimalismo digital? Se fosse para resumir, poderíamos dizer que é a adesão ao estilo “menos é mais”. 

Quanto menos tralha a gente acumula dentro de casa, mais espaço livre para usar de forma proveitosa; quanto menos horas  no feed aletório da rede social, mais tempo para ler um bom livro em PDF ou para fazer uma videochamada com quem realmente importa na nossa vida; quanto menos consumimos supérfluos,  mais chances de poupar dinheiro para as prioridades, e por aí vai…

Tem gente que já é minimalista de nascença. Que aos cinco anos de idade já morava em um barraco de palha, almoçava abóbora com leite, jantava leite com abóbora e não tinha brinquedos. Aprendi desde cedo que dinheiro não cai do céu.  Acima de nossas cabeças (minha, do meu pai e da minha mãe) do lado de fora daquele barraco, no interior do interior do Maranhão, o céu era lindo e vasto. O sol de rachar deixava o banho de cacimba mais gostoso. À noite, as estrelas eram mais lindas que o espetáculo mais famoso do balett bolshoi que eu nunca assisti, mas sei que é caríssimo. E daquele céu nunca caiu 1 cruzado, moeda brasileira vigente em 1988.

Mas, o minimalismo não é sobre isso. Não significa romantizar a pobreza, aceitar uma vida de escassez e viver de luz. Significa saber que a vida, o amor e o tempo são os bens mais preciosos que temos. Não perder de vista que os bens materiais que a gente conquista são apenas complementos e não parte essencial em torno da qual deve girar a vida. Do contrário, o que era apenas a vontade de trocar um barraco de palha por uma casa de taipa coberta de telhas vai virar uma busca desenfreada por coisas inatingíveis, enquanto a vida vai passando na nossa frente. 

Depois da casa de taipa, a gente deseja a de tijolo, depois da casa de tijolo, a gente quer mudar para uma cidade maior, com mais oportunidades de emprego, para ganhar mais dinheiro, para comprar mais coisas. Depois, a gente sai da casa dos pais, vai para um kitnet, porque agora quer virar adulto, ter privacidade e liberdade. Coisas abstratas, mas que também precisam de dinheiro para conquistar. Sem falar do aluguel, comida, luz, telefone, remédios…

O fato é que, até para sair da busca eterna e desenfreada por mais coisas, fazer uma trilha na floresta e abraçar árvores, você precisa parcelar em dez vezes no cartão. A menos que voltar ao barraco de palha no interior do Maranhão esteja nos planos. Aposto que sairia mais barato. 

Dito isso, quando se resolve desativar as notificações dos aplicativos e usar o smartphone de maneira assertiva, isso é minimalismo digital. Também é minimalismo quando se aprende a buscar apenas o necessário, praticar o autoconhecimento, priorizar o simples e a trabalhar o suficiente, em vez de viver para o  trabalho. Assim como acontece quando se aprende a guardar para prioridades e emergênia um pouco do salário, se é que é possível com tamanha inflação e desemprego. 

E já que é início de ano, poderíamos dar os primeiros passos rumo ao minimalismo focando no essencial: paz de espírito, saúde, família, amigos e uma xícara de café. 

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