terça-feira, 30 de novembro de 2021

Consumo consciente: você realmente precisa fazer essa compra?

Publicado em 1 de novembro de 2021, às 11:26
Hyana Reis – Jornalista
Imagem: Unsplash

Eu admito, sou uma consumidora voraz. Do tipo que perdeu as contas de quantas compras inúteis já fez na vida, mas ama a sensação de preenchimento que se sente após fazer mais uma aquisição. Mesmo que ela dure apenas alguns minutos, é viciante. Um traço da minha ansiedade.

Foi durante a pandemia que notei o quanto eu realmente não precisava de tudo aquilo para viver. Sendo uma pessoa privilegiada, que manteve o emprego e a segurança trabalhando em home office, decidi doar boa parte do que não me era necessidade básica. E por mais que fossem montanhas de roupas, acessórios, e etc, nada fez realmente falta. Com menos gastos, também pude aumentar minha doação mensal à uma ONG com a qual contribuo.

Naqueles meses de isolamento foi fácil perceber como não precisamos de tanto, e o mundo agradeceu. A diminuição das atividades, do consumo de gasolina , de bens e produtos reduziu a poluição ambiental, a quantidade de lixo e melhorou a qualidade do ar, segundo monitoramento da Nasa.

Claro, temos o fator econômico e o fato de tantos reduzirem seu consumo não por consciência, mas por pura necessidade. Mas, ainda assim, estudos mostram que, durante esse período, a população mundial viveu com menos, não só pela falta, mas também pela escolha. Segundo pesquisa da Good Must Grow, uma consultoria de marketing socialmente responsável, em 2020 os consumidores se mostraram mais dispostos a adotar medidas de  consumo consciente, consumindo menos, fazendo doações para instituições de caridade e dando preferência a produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis

Foi neste período que abri os olhos para esta prática. Mas afinal, o que é isso?

Também chamado de consumo sustentável, o consumo consciente é a prática de estar atento à real necessidade do que adquirimos e os seus impactos. Produzir menos lixo, menos poluição e menos desigualdade são alguns dos objetivos.

Parece simples, é só não comprar o que não é necessário, basicamente. Mas em uma sociedade tão consumista isso se torna desafiador. Ao sair do isolamento, percebi quão rápido voltei a cair em velhos hábitos de consumo: adquirir um look novo para tal evento, mesmo tendo milhares de roupas em perfeito estado no guarda-roupa; comprar um livro novo, tendo ainda vários não lidos na estante…

Voltar ao convívio em sociedade ativa vários gatilhos de consumo. E me vejo correndo o risco de desaprender muito do que aprendi a duras penas nesse que foi um dos momentos mais obscuros da nossa história.

Hoje, adotei algumas medidas para manter o consumo consciente, a primeira delas é me perguntar: eu realmente preciso disso? Por mais tentador que seja, se a resposta for não, não seguir em frente; não comprar um livro novo até que eu tenha doado outro e aberto espaço na estante; e se eu passar mais de dois meses sem usar algo, vai para a doação. Falo isso em uma posição de extremo privilégio em um momento como este: ter uma renda mensal e um teto sob a cabeça (sim, o básico virou luxo).

O mundo como conhecemos não vai durar muito. É provável que o planeta continue a viver por bilhões de anos, mas a raça humana segue para a extinção. A natureza não vai nos prover de recursos para sempre, e não é possível comer dinheiro. Ainda que seja, não acha que é moralmente errado gastar tanto com supérfluo enquanto outros literalmente catam ossos para comer? Eu sei, esse é um problema estrutural e o governo deveria prover e buscar soluções. Mesmo assim, eu gosto de me sentir parte da solução e não do problema.

Mesmo que seja em algo tão pequeno, como não comprar aquela blusinha, eu já me sinto melhor. Consumo consciente não faz bem apenas para o planeta, mas também para a consciência.

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