Em filmes futurísticos como ‘De volta para o Futuro’, ‘Blade Runner’ ou o ‘Quinto Elemento’, que mostram como seria a vida depois dos anos 2000, o futuro geralmente era algo imaginado como extremamente tecnológico, com carros voadores, robôs e pequenos dispositivos que fariam de tudo.
Algumas dessas tecnologias já foram alcançadas por nós. Coisas inimagináveis como a internet, o poder se conectar com o mundo todo, e inteligências artificiais que executam tarefas por nós já fazem parte da sociedade e estão integradas de forma irreversível à nossa rotina.
No entanto, enquanto a tecnologia avança em ritmo cada vez mais acelerado, a humanidade dá passos para trás, o que nos deixa em um paradoxo dessa sociedade do século XXI.
Em pleno 2021 me vi vivendo histórias até então já superadas e que foram parte da vida de nossos antepassados como o movimento anti-vacina e a crença cada vez mais popular da terra plana.
Coisas que me fazem sentir em 1633, quando o astrônomo Galileu Galilei recebia sua sentença frente a um tribunal da Inquisição por dizer que a terra era redonda e girava em torno do sol. Ou no Brasil de 1904, quando o país viveu a Revolta da Vacina, em um movimento de ignorância e medo do que um imunizante poderia causar.
Histórias que já somam mais de um século e que hoje retornam para aterrorizar uma sociedade que já deveria estar a frente disso. Lembro que os anos 2000 foram de avanço na ciência e tecnologia, com os estudos sobre clonagem, a doação de órgãos e células tronco.
Hoje, a ciência se ocupa em provar que a vacina contra a Covid-19 não contém um chip que irá lhe controlar, ou que o coronavírus não passa de uma invenção da China. É desesperador e desanimador ver como chegamos a esse ponto.
Mas, estudando história é fácil perceber que o ser humano está condenado sempre a repetir as mesmas tragédias, pois a geração que aprendeu na dor os resultados catastróficos já não estão mais aqui para lembrar e alertar. E mesmo que tivessem, provavelmente seriam silenciados.
É uma dor ver que estamos repetindo erros e tragédias que a história já nos ensinou como lidar. Não sou inocente a ponto de acreditar que, a essa altura da evolução, estaríamos vivendo em uma sociedade utópica. Quero apenas a chance de viver novos erros, que ensinem as gerações futuras a avançar ainda mais, pois repetir os mesmos não nos leva pra frente, é apenas uma marcha fúnebre ao passado.