domingo, 17 de outubro de 2021

Na companhia dos acordes de Chiquinho França

Publicado em 24 de março de 2021, às 16:50
Linda Barros – professora e atriz
Imagem: O Imparcial

Todos temos e vivemos em um estado de espírito, que oscila sempre e todos os dias entre a alegria, a tristeza, a saudade, a raiva, ou simplesmente em nada, e às vezes a única coisa que nos “desmonta”, nos sacode e nos faz despertar de todo esse transe é ouvir uma boa música, sem nenhum cunho de crítica, de nada dizer. A música tem o objetivo de entreter, relaxar, ou somente ecoar no ar.

O ano de 2020 foi para toda a humanidade um ano atípico: ano de dor, sofrimento, medo, angústia, perdas (milhares delas), ausência de esperança. Foi um período em que, metaforicamente, não se podia nem abrir uma janela, quanto mais se sentir livre fora de casa. E, em meio a isso, a música nos salvou, a arte nos salvou.

E passando por esse período tão remoto, em todos os cantos do planeta, a nossa pequena e longínqua Ilha Rebelde, celeiro de tantos nomes importantes na literatura, nas artes visuais, na pintura, não nos decepcionou na música. Temos em nosso convívio um dos maiores guitarristas vivos, atuante e que cativa a todos com seus belos acordes. Estamos falando do “rei da guitarra” na terra do Bumba Boi, Chiquinho França, que com seus acordes nos faz estar em eterno estado de espírito. Com as cordas de sua elétrica guitarra, nos eleva ao espírito da vitória, fazendo-nos esquecer dos tempos tenebrosos.

Filho de um agricultor e de uma doméstica, o músico tem 10 irmãos, entre eles o cantor e compositor Luís Carlos Dias, grande parceiro e quem lhe ensinou os primeiros acordes. O eclético Chiquinho desde muito jovem, mais precisamente aos 15, já demonstrava para sua família que era essa carreira de artista que queria para vida. Viveu boa parte de sua vida em Imperatriz, cidade adotada para viver e desenvolver suas habilidades artísticas.

Como é comum a muitos artistas de grandes talentos como o caso de Chiquinho França, há uma mistura de ritmos. Fato este que chegou até receber algumas críticas por ele não se identificar com um só estilo musical. Eclético como sempre foi, passou por uma mistura de linguagens, influências, referências, tradições e novidades, deixando clara a efervescência que vem acontecendo nessa frente da música brasileira.

A capital do reggae, a Atenas brasileira, a terra do Tambor de Crioula e ainda a capital que é Patrimônio da Humanidade não podia também deixar de fora esse grande nome da guitarra, que, além de todo o talento, é multi-instrumentista e autodidata, reconhecido nacionalmente por suas composições que misturam frevo, chorinho, baião, xote e até mesmo música erudita, ao som do violão, do bandolim e da guitarra. Ele já carrega na vida e nos acordes mais de trinta e cinco anos de carreira, consolidada com uma naturalidade que lhe é peculiar e inconfundível.

O músico teve participação em diversos projetos coletivos como: Som do Mará e A5, além de um projeto de revitalização da música maranhense, que tem como objetivo divulgar as composições autorais feitas por artistas locais em todo o estado. Foi também Presidente da Secretaria de Cultura de Imperatriz.

Chiquinho França tem uma carreira consolidada e de sucesso, tem cinco CDs instrumentais e um DVD (Solo), gravado no Teatro Arthur Azevedo, na capital maranhense. Não é à toa que esse artista já emplacou temas musicais nos programas Globo Repórter e Fantástico, da Rede Globo.

Com todas as influências e mistura de linguagens, deixa clara a efervescência que vem acontecendo nessa vertente da música brasileira e que devemos dar muito valor e levar à frente, mostrar para os maranhenses quão rica é a nossa cultura e que, principalmente, temos que valorizar e aplaudir de pé a todos eles que nos fazem muito bem aos olhos e aos ouvidos. E nós, maranhenses, que somos amantes da boa música, não precisamos ser tão exigentes quando queremos ouvir boas melodias.

E nesse percurso de vida, quando ouvimos um acorde, um arranjo, que nos faz transcender a outro universo, só precisamos fechar as pupilas e nos deixar levar, dar asas à imaginação, que nos faz atravessar mares, montanhas e chegar até o firmamento. E, ainda, no compasso do tempo, deixando para trás todas as angústias, as lamúrias, é tempo de renovar as energias, confortar os amigos, dar valor à vida e seguir o ritmo dos acordes da guitarra de Chiquinho França, esse aquariano, nascido neste 14 de fevereiro e, junto com ele, celebrar a VIDA.

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