domingo, 17 de outubro de 2021

APEGO NÃO É POSSE…ECOSOFIANDO SOBRE… COISAS MATERIAIS E NEM TAIS

Publicado em 13 de março de 2021, às 8:34
José Geraldo da Costa – Administrador, professor, ambientalista, membro da Academia Imperatrizense de Letras, primeiro diretor do Campus da Ufma – Imperatriz
Imagem: https://br.freepik.com/fotos-premium/nas-maos-das-arvores-que-crescem-mudas_5983332.htm#page=1&query=ecologia&position=8

Mas o que é cativar ?

– Cativar… é criar laços.

Razões tinha nosso Pequeno Príncipe, respondendo à Raposa.

Querer não é tomar.

Uma conquista material não é querer bem… Nem integra.

Na verdade, no mais frequente, significa até seu contrário. Contribui para desintegração.

Se, ao “gostar” de uma flor, alguém a corta para si, na verdade estará dando prova cabal (fatal!) de desamor, desintegrando-a da unidade que ela faz com a planta em que foi gerada.

Quero você para mim” é muito diferente de “Quero estar com você” …

Viver com … Ao lado de… Criar laços

Anomia seria aquela sensação da falta de pertencer a algo ou a alguém. Falta de sentimento de pertencência… de pertencimento. É a expressão mais corrente da esquizofrenia que nos abate,

neste mundo de competição e de pouco ou nulo exercício da solidariedade…

Se todos são solidários, há unidade, pelo apego de todas as partes, em um conjunto em que ninguém é posse de alguém, mas todos se pertencem…

No exercício de uma Medicina mais correta, talvez mais verdadeira ou autêntica (face aos primórdios de Hipócrates…) tem-se (re)aprendido que a doença está relacionada a alguma falta de vínculo

A alguma quebra de equilíbrio…

 “Equilíbrio” quer dizer, em verdade, existência de vínculos significativo-funcionais entre órgãos ou sistemas…  que, ao se relacionarem dinamicamente, permitem viver um organismo.

E este, em e com um ambiente em que se integra.

Vale dizer: com o qual mantém laços

“A cultura ocidental é mormente de controle e de posses, em vez de unidade e apego”.

Com essa perspectiva, quebra-se a unidade de seus integrantes; que assim, irônica mas sintomaticamente, se desintegram… E, ao mesmo tempo, se distanciam (que pode ser dito, também, se desintegram…) de um “outro” Mundo, dito mais oriental… originário.

Faz algumas décadas, o historiador inglês Arnold Toynbee escreveu seu O Mundo e o Ocidente.

Ele mesmo explicou que o próprio título encerrava (até ainda hoje…) uma crítica e uma advertência essenciais: o MUNDO preexistiu  ¾  cronologicamente e, especialmente, em conteúdo cultural ¾  ao dito “Ocidente”, com sua arrogância de conquistador e, como tal (portanto e por definição) destruidor de unidades, de equilíbrios, de compromissos envolventes… de referências significativas.

É bom repetir: possuir não é criar laços.

Na verdade, é destruir os existentes… naquilo que se passa a “possuir”, além de não criar novos.

Pode-se dizer que esta é uma verdade tão antiga (?) como a própria VIDA  ¾  que em tantos momentos nos tenta “passar” esta mensagem…

Mas, “para nossa decantada cultura ocidental, a Terra e tudo que há sobre ela está aqui para “uso” ou exploração”.

E salve-se quem puder! Melhor (ou pior) dizendo: salve-se quem possuir mais…

E assim, como que em cascatas, rumamos para um abismo provável.

Porque, especialmente, os recursos materiais mais desejáveis ou mais duráveis – ouro, como símbolo; e água, como elemento hoje dramático ¾ são, na verdade, finitos e não “eternos” …

A parcimônia – “coisa” tida como atitude “de antigamente” (conselho de velhos...) – volta a ser parte integrante de falas e documentos dos mais renomados e responsáveis pesquisadores e cientistas. Não mais é privilégio da oratória de sacerdotes… É expressão de sabedoria e sensatez.

Com respeitos, trata-se de uma nova redescoberta da roda…

Parcimônia ou, em termos mais “técnicos” …, uso racional dos recursos existentes, sejam “naturais” ou (re)criados pelo homem, e suas cultura e tecnologia, de modo a que durem por mais tempo, servindo a um número maior de beneficiários desse uso.

Ao assim dizer, ocorre-me rematar, a bem da verdade (até etimológica…) que os mais usuários das expressões ECONOMIA e ECOLOGIA, infelizmente, parecem ter perdido os laços (…) com seus respectivos significados originários.

Pois que, enquanto

  • ecologia diz do estudo sistemático do ambiente, pelas relações que expressam seus seres face aos recursos existentes…;
  • economia, deve(ria) ser o saber administrar tais recursos, de forma equilibrada (=parcimoniosa e responsável…) e não a escorregadia e sempre dúbia “mecânica dos números financeiros”, historicamente usual dos tecnocratas de plantão ou disponíveis para tanto…

Economia seria (novamente: deveria ser …) o saber exercer aquela “mordomia” de que falam textos bíblicos: ser responsável e multiplicador dos “talentos”, sejam estes “capacidades” ou saberes, sejam também “bens materiais” … uns e outros entendidos como “recursos do ambiente” …  a serviço de seu equilíbrio. Este, sempre relativo, disso se sabe, mas também sempre possível.

De tal sorte que se pode dizer que administrar (de oikós+nomia…) é um processo de intervenção ordenada na realidade, de modo a promover um equilíbrio ambiental possível, em face de um caos provável….

Receitas?

Não as há.

Melhormente: recomendam-se posturas e atos éticos.

Tudo devendo ser criado e praticado em um contexto de convivência co-responsável.

Daí porque entendo a expressão desenvolvimento sustentável (já quase enjoando) como redundância e mero discurso, pretensiosamente novo, do modismo corrente… ambientalismo.

Os princípios fundamentais, já se viu (ou não?) são até quase anteriores à descoberta da roda…

Não há por que reinventá-los. Seria, no mínimo, desperdiço de recursos mentais e sociais.

Algo nada sustentável…

Há, isto sim, que praticar a solidariedade e a justiça distributiva.

Sempre renovando formatos,nos arranjos produtivos, e de vida-convivência

Sustentável é ser ético, simplesmente. 

Daí… é que se será responsável, honesto e solidário.

Consigo mesmo, com o próximo, os mais distantes, com o PLANETA.

É ser cidadão do mundo.

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