domingo, 17 de outubro de 2021

ENTREVISTA – HÉLIO RODRIGUES ARAÚJO: Os impactos da pandemia no comércio da Região Tocantina

Publicado em 30 de novembro de 2020, às 8:20
Foto: Portal do Guigui

A pandemia do novo Coronavírus causou um estrago grande na economia. Muitas empresas fecharam as portas, outras tiveram que se adaptar para receber menos clientes, criar protocolos de biossegurança e controles sanitários mais rígidos, entre outras ações. Mas, apesar de tudo, o cenário traz uma certa esperança. Nesta entrevista, o professor Hélio Araújo, presidente da Federação das Associações Empresariais do Maranhão (FAEM), analisa os impactos da pandemia entre o comércio da região tocantina. Confira.

Da Redação

Região Tocantina – Como o senhor analisa o impacto que a pandemia causou para o empresariado da região tocantina?

Hélio Araújo – Inicialmente, como em todo o mundo, penso eu, foi de estupefação, pois nunca havíamos tido uma situação igual. Porém o empresariado da região é bastante adaptável. Todas aquelas empresas, que vêm se viabilizando financeiramente no decorrer do tempo, receberam o impacto e se adaptaram a ele, como tecnologia, inovação e muita coragem. 

Região Tocantina – É possível medir os prejuízos dos empresários da região tocantina com esta pandemia?

Hélio Araújo – Sim, se existe a possibilidade de medir os lucros, também existe a possibilidade de se medir os prejuízos. Neste momento, temos que separar bem cada um dos empreendimentos, pois cada um deles trabalhou e trabalha no sentido de minorar os seus impactos.  Tivemos em nossos estudos quatro empreendimentos bem distintos:  aqueles que fecharam totalmente suas portas e ainda não conseguiram recuperar suas atividades, que são os que mais estão sofrendo os impactos da crise que foi instalada; aqueles que  fecharam totalmente suas portas e já retomaram grande parte de sua atividade produtiva, estes sofreram os impactos e agora estão se recuperando, alguns com menos dificuldades que outros; aqueles que não fecharam suas portas, porém não mantiveram suas atividades na plenitude, que foi uma parcela considerável e que também ainda sofre um impacto grande da crise que se instalou; finalmente, aqueles que não fecharam suas portas e mantiveram suas atividades, porém ainda em um patamar de atividade inferior ao conseguido, naturalmente no mês do ano considerado. Esta foi a radiografia que conseguimos fazer no período da crise aguda e agora com o retorno de parte das atividades econômicas.

Região Tocantina  – Que estratégias a FAEM tem planejado para ajudar a classe empresarial neste momento?

Hélio Araújo – Tivemos, em um primeiro momento, dificuldade em acessar a maioria dos empreendimentos, porém procuramos ajudar dentro da necessidade de cada atividade especificamente. Efetuamos mais reuniões virtuais, no sentido de mostrar aos empreendedores o poder da comunicação e das novas tecnologias para alavancar seus negócios. Criamos um canal de comunicação aberto com todas as associações comerciais e delas com seus associados, no sentido de prover de informações atualizadas cada um dos entes federados. Tentamos demonstrar a cada empreendedor que, somente com inovação e atualização dos conhecimentos, teremos como sair ilesos desta crise que pegou a todos de surpresa.

Região Tocantina  – As políticas de ajuda governamentais auxiliaram, efetivamente, a classe empresarial?

Hélio Araújo – Sim e não. Pois, infelizmente, não temos como chegar a todos indistintamente. As empresas melhor estruturadas, melhor preparadas para os momentos de turbulência, foram contempladas com as políticas sociais governamentais, mas aquelas mais vulneráveis continuaram sem o apoio necessário para a continuidade de seus negócios. Algumas políticas foram eficientes, porém não chegaram a todos.

Região Tocantina  – O que o empresariado deve  esperar para o momento pós-pandemia?

Hélio Araújo – Assim como ele recebeu a pandemia sem preparação prévia, ele deve preparar a sua empresa elevando em consideração os cenários possíveis para a crise, que são: a crise será de mais três meses; a crise será de mais seis meses; a crise será de mais doze meses; a crise será permanente. Se ele conseguir prever cenários para todas estas variáveis que se lhe apresentam, com certeza ele sairá fortalecido e preparado para a próxima crise que virá.   

Região Tocantina  – Este ano, mesmo com a pandemia, as vendas de fim de ano poderão ser positivas?

Hélio Araújo – O desenho que temos neste momento é que serão positivas em algumas regiões e não serão em outras. Como nosso estado é continental, temos, assim como com as empresas, cidades onde o empresariado é mais amadurecido e a crise teve um impacto menor que em outras. Porém, de uma maneira geral e como o empreendedor acredita sempre em seu potencial e no mercado, teremos um final de ano com vendas e serviços bem positivos. 

Região Tocantina   – Como ficou o crédito para os empresários neste momento?

Hélio Araújo – O crédito subsidiado ainda é insuficiente, como sempre foi no Brasil, porém já temos algumas empresas saindo à frente e oferecendo linhas de crédito muito interessantes ao mercado. A Federação das Associações Empresariais do Maranhão (FAEM), em convênio com a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), passou a oferecer algumas soluções de crédito que são bastante inovadoras para nossa região, onde são oferecidos cartões de crédito para os clientes a um custo acessível, bem como a possibilidade de administrar a carteira de crédito das filiadas, com garantia de pagamento em caso de inadimplência dos clientes. Esse crédito novo é bastante bem vindo neste momento e para a manutenção da atividade econômica. 

Região Tocantina  – O que dizer para alguém que, apesar da pandemia, sonha em empreender?

Hélio Araújo – Empreender é, antes de tudo, vontade de produzir e entregar um produto e/ou serviço de qualidade e a um preço justo ao consumidor. É preciso que o empreendedor entenda que precisa de conhecimento para empreender. Conhecimento do negócio, conhecimento do mercado consumidor, conhecimento do mercado fornecedor, conhecimento das opções de crédito a sua disposição. Com base nestes pilares, com a ajuda das instituições que trabalham em prol do empreendedorismo no Brasil, é possível sempre ser bem-sucedido, qualquer que seja sua área de atuação. Entendo que devemos melhorar o conhecimento do empreendedorismo em nossas escolas. Para isso, temos em nosso país a CACB e o SEBRAE, que são instituições que sempre estão levando fundamentos destes conhecimentos a todos os empreendedores e, em nosso estado, a FAEM e as Associações Comerciais e Empresariais também têm se unido e procurado melhorar a relação do empreendedor com seus negócios, com as entidades da sociedade civil e melhorando as políticas públicas para que todos tenham as mesmas oportunidades.

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