terça-feira, 26 de outubro de 2021

Entrevista: Shigeaki Lima – O POTENCIAL EÓLICO E SOLAR DO MARANHÃO

Publicado em 23 de novembro de 2020, às 9:44

Republicada com a cessão da Diretoria de Comunicação da UFMA

Foto: Ufma

A UFMA promoveu, no início deste mês, a assinatura de um convênio para a implantação do Projeto P&D EoSolar. Esta ação tem como meta identificar os diversos potenciais de geração de energia solar e eólica no Maranhão, para atrair empreendimentos e ampliar o uso de energias renováveis no estado. Com duração de trinta meses, o projeto é patrocinado pelos grupos Equatorial e Gera Maranhão, e conta com a parceria da UFMA, Fundação Sousândrade, Camargo Schubert Engenheiros Associados, Albitec Consultoria e Manutenção de Sistemas e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que já realizou trabalho parecido na área. Nesta entrevista, o diretor de Inovação e Serviços Tecnológicos da UFMA, Shigeaki Lima, dá detalhes de como será efetivada esta iniciativa. Acompanhe.

DCom: O que é o projeto P&D EoSolar?

Shigeaki Lima – Foi uma chamada-edital da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltada para a elaboração de mapa solar/eólico e determinação de potencial energético de uma região.

DCom: Qual é, de fato, o potencial de energia solar do Maranhão?

Shigeaki Lima O potencial solar está estimado e está presente no mapa solar do Brasil, mas não temos de fato quanto pode ser explorado em termos de irradiação que chega à superfície maranhense. Com o mapa, você tem a medição real para um determinado local. O mesmo se aplica ao potencial eólico, sabemos que é significante, por isso os parques têm se instalados na região costeira, mas, com o mapa, podemos expandir para outras regiões.

DCom: Qual a importância das parcerias para a implantação desse projeto?

Shigeaki Lima – As parcerias trazem a experiência dos modelos aplicados ao desenvolvimento do mapa, como o representante do Ceará, estado que já está na sua segunda revisão do mapa, e da Camargo Schubber, pioneira no desenvolvimento de mapas. Isto permite largarmos mais à frente nessa corrida, não cometendo erros, sendo mais eficientes.

DCom: Qual é a contribuição que a UFMA dá a essa iniciativa?

Shigeaki Lima –  A UFMA, por meio do Instituto de Energia Elétrica-IEE, lidera o projeto, é a responsável pelo levantamento dos dados para elaboração do mapa, bem como de estudos de avaliação de efeitos micrometeorológicos na operação e planejamento dos parques eólicos ou fotovoltaicos, solares. O estudo desses efeitos permitirá otimização desses e de futuros parques.

DCom: A energia solar poderá vir a substituir formas de energia tradicionais?

Shigeaki Lima O Brasil tem a maior geração de energia renovável realizada pelas hidroelétricas, contudo há o impacto ambiental. A energia solar e eólica, usando um termo forte, jamais substituirá uma ou outra fonte de energia, por questões de inércia elétrica ser intermitente, não despacháveis, jargão usado para dizer que eu não posso gerar quando quero, e não poder ser gerada em todos os locais, etc. A solução é uma combinação de fontes de energias: hidráulica, pelo mar, oceano, rios; térmica, com gás, petróleo, carvão, biomassa; eólica; solar; e, em alguns casos, até nuclear — desde que se tenha pleno domínio.

DCom: Além da solar, que outras formas de energia alternativas estão em estudo? Todas são viáveis economicamente?

Shigeaki Lima – Além da solar e eólica, o IEE tem um instituto nacional de ciência e tecnologia, denominado Instituto Nacional de Energias Oceânicas e Fluviais, que realiza estudos avançados em nível de mestrado e doutorado nessa fonte.

DCom: O senhor acredita que, em futuro próximo, a energia solar será comum nas casas das pessoas?

Shigeaki Lima – Sim, a energia solar para uso residencial, como já vem sendo utilizada, tem tido seu custo de instalação reduzido nos últimos anos, e, de 2017 até agora, só no Maranhão, têm surgido mais de uma centena de empresas voltadas para esse setor. Todavia há questões elétricas que podem, em futuro próximo e caso haja crescimento exponencial no número de usuários, gerar comprometimento das condições de fornecimento de energia da rede principal, ou seja, da concessionária, como em outros países, a exemplo da Espanha, que passou a desincentivar a injeção de energia na rede, uma vez que hoje o dono do sistema é um produtor e consumidor, e ganha créditos por injetar o excedente de energia na rede.

DCom: O que a UFMA ganha, efetivamente, estando neste projeto?

Shigeaki Lima – Os ganhos são na formação do conhecimento, na formação de mão de obra de alto nível, na infraestrutura de equipamentos que permitirão outras pesquisas, na notoriedade na região Norte, são ganhos muito positivos.

DCom: Qual é o montante de recursos para que este projeto se efetive?

Shigeaki Lima – Próximo de sete milhões de reais, e o montante destinado à UFMA é próximo de quatro milhões, que envolve custeio e capital, pois, além dos equipamentos, há as idas mensais a campo e custos administrativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Sites relevantes para pesquisa

Publicidade

%d blogueiros gostam disto: