terça-feira, 26 de outubro de 2021

Nossa História – Desenvolvimento Urbano de Imperatriz III

Publicado em 7 de novembro de 2020, às 9:38
Imagem: Facebook

Agostinho Noleto – Advogado, educador, escritor e membro da Academia Imperatrizense de Letras.

Nesta terceira crônica sobre a extraordinária expansão urbana de Imperatriz, concluo sobre a etiologia do crescimento e explosão demográfica da cidade, consumada   em edificações, ruas e praças.

Da pequenina vila de Santa Teresa, situada em sítio alto e arenoso, cercada por alagadiços, ao avanço sobre as lagoas circundantes e finalmente à formação de populosos bairros, antes periféricos e hoje integrantes da metrópole, medeia um século e meio de verdadeira aventura pioneira de seus habitantes.

Fundada às margens do Rio Tocantins, Imperatriz foi delimitada ao leste pela rodovia Belém-Brasília, que corre, como o rio, também no sentido norte sul. A expansão para o sul ocorreu simultaneamente com a do norte, tamanha era a necessidade de espaço para abrigar as correntes migratórias que aqui chegaram a partir de 1960, atraídas pelas terras férteis da pré-Amazônia maranhense, descobertas pela grande rodovia transbrasiliana.

Da antiga rodoviária, construída pelos irmãos Guerra, às proximidades do Tocantins, ruas foram abertas por iniciativa de ocupantes ávidos de terrenos para construir suas moradas, formando o Grande Bacuri, um dos maiores bairros da cidade. Tudo, como disse, ao sabor do desejo da população adventícia formada por migrantes que se encantavam com o burburinho da cidade, sem planejamento urbano e organização do poder público. Ao Bacuri foi acrescentado o bairro de São Salvador, em histórica invasão de terreno de domínio privado. Depois o loteamento Buriti fez a cidade chegar às margens do riacho Cacau, um limite natural pelo sul.

Um salto inevitável foi dado pela população sobre a rodovia Belém-Brasília, assentando suas casas e negócios em novos bairros, a começar pela Vila Nova, no início da década de 1970. Além da Vila Nova muitos outros bairros se formaram na direção do Cacauzinho, antes muito distante de Imperatriz. Ao lado da Vila Nova surgiu o Parque Alvorada, grande loteamento assentado, em boa parte, em zona de alagação do riacho Cacau. 

Seguindo o caminho da rodovia Imperatriz-João Lisboa, atualmente Av. Pedro Neiva de Santana, formaram-se grandes bairros, como a Vila Lobão, resultado de bem sucedida invasão de terreno de domínio privado, mesmo com decreto judicial de reintegração de posse, que não pôde ser cumprido, por irresistível pressão social. Ao lado, a Vila Redenção, loteamento privado, expandiu a cidade até juntar-se a outros grandes bairros, como Vila Cafeteira e Vila Ipiranga.

Cumpre ainda destacar dois fenômenos do crescimento da cidade de Imperatriz, esses mais modernos, mas de grande importância para retratar a configuração de Imperatriz nos dias de hoje. O primeiro é a expansão em forma de grandes e bem estruturados condomínio residenciais às margens da Av. Pedro Neiva de Santana, que dão uma nova feição à cidade, ligando-a, praticamente, com João Lisboa, fenômeno natural das metrópoles de junção de núcleos urbanos de diversos municípios. O segundo, é o crescimento da cidade às margens da BR-010, para o sul, também em condomínios bem estruturados, pondo fim ao crescimento espontâneo e desorganizado de bairros populosos, que trouxeram enorme dificuldade de reurbanização pelo poder público, como infraestrutura, água, luz e outros equipamentos urbanos, sem força orçamentária para tamanho custo financeiro.

O presente traz uma esperança de definição da organização urbana de Imperatriz com as obras iniciadas, há cinco anos, de duplicação da rodovia federal BR-010, conhecida como Travessia Urbana de Imperatriz, oferecendo a mobilidade desejada e indispensável ao fluxo seguro de automóveis e outros veículos, pois pretende construir nove viadutos de transposição da rodovia, ligando as duas partes da cidade, que atualmente se comunicam com extrema dificuldade e perigo de grandes acidentes.

Que o futuro próximo seja alegre e risonho à população com a nova estrutura urbana da cidade de Imperatriz e que ela possa desfrutar de uma metrópole bonita e segura, tão desejada ao longo de 168 anos, desde sua fundação por Frei Manoel Procópio do Coração de Maria.

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