domingo, 17 de outubro de 2021

Nossa História – O desenvolvimento urbano de Imperatriz – II

Publicado em 20 de outubro de 2020, às 18:47
Imagem: Museu Virtual de Imperatriz

Agostinho Noleto – Advogado, educador, escritor e membro da Academia Imperatrizense de Letras.

Na coluna anterior, dissertando sobre o mesmo tema acima, me referi ao sítio onde Frei Manoel Procópio instalou sua povoação de Santa Teresa, em 1852. O pequeno campo alto e arenoso servia perfeitamente para abrigar a povoação, mesmo que insalubre por causa das lagoas e alagadiços em sua volta, mas não era suficiente para receber as levas de imigrantes que chegaram a Imperatriz, a partir da abertura da rodovia Belém-Brasília. Havia limitação de espaços entre a Lagoa do Murici e o centro urbano, às margens do Rio Tocantins. A crônica de hoje descreve o esforço e superação de espaço pela cidade de Imperatriz em busca do futuro extraordinário que a aguardava.

A princípio, a ligação da cidade com a rodovia venceu o obstáculo da lagoa pela abertura da avenida Getúlio Vargas, o centro geométrico e socioeconômico de Imperatriz. Depois, surgiram mais duas avenidas marginais e longitudinais e as ruas transversais com nomes dos estados brasileiros.

No entanto, a Lagoa da Murici continuava impedindo o crescimento da cidade. Não seria impedimento se ela, a lagoa, fosse tomada como um elemento natural de urbanização. Um belo espelho d’água cercado de vegetação, no centro da cidade, seria um fator de desenvolvimento e não de impedimento à urbanização. Lembro que, na gestão do prefeito Xavier, o DNOCS, órgão federal, propôs a realização de obras na lagoa, se a Prefeitura desapropriasse as poucas casas em sua volta. Fui nomeado presidente de comissão de estudo sobre a estimativa de custos das desapropriações. Feito o relatório, o prefeito não se pronunciou a respeito, até mesmo porque seu governo foi interrompido por intervenção do Governo do Maranhão. Perdeu-se a oportunidade de se descortinar uma bela lagoa que seria limitada pelas avenidas Dorgival Pinheiro e Santa Teresa, e Ruas Sousa Lima e Maranhão.

Como curiosidade, lembro da indignação do missionário Rev. Roberto Johnson, da Igreja Presbiteriana com a violação da Lagoa, cujas terras marginais ele havia comprado do Prata, popular figura de Imperatriz, que ali mantinha uma chácara onde criava frangos. Roberto viu, de sua casa, na Rua João Lisboa, hoje uma clínica de imagem, árvores de sua propriedade sendo tombadas. Eram bonitos amarelões e outras grandes árvores nativas de lagoa. Correu para lá e interpelou os homens que invadiam sua propriedade e derrubavam as belas árvores que ele conservava com zelo e carinho. Continuaram o corte porque cumpriam ordens do prefeito, que determinou a abertura da Rua Rui Barbosa até a Rua Maranhão, passando pelo meio da lagoa. Chegou à minha casa para contar, chorando, o que fizeram com suas árvores e pedindo conselhos de como agir. Sugeri que fosse imediatamente à prefeitura tentar deter o corte. Entrou alterado no gabinete do prefeito Renato Moreira de quem ouviu que mais nada poderia ser feito e que, de fato, se fazia necessária a abertura da rua. 

Perdeu-se um recurso paisagístico de grande beleza, o espelho d’água da lagoa, circundado por grandes árvores e palmeiras nativas de buritiranas, onde habitavam jaçanãs e marrecos.

Foi o começo do fim da Lagoa do Murici, que foi sendo aterrada, com prejuízo das ruas adjacentes que passaram a receber as águas pluviais, antes contidas nela. Recentemente, uma grande galeria subterrânea faz o escoamento das águas até o Rio Tocantins.   

Perdi-me na triste história do aterramento da Lagoa do Murici, hoje ocupada por grandes edificações, como o Centro de Convenções, edifícios comerciais e residenciais, universidade e Igreja Assembleia de Deus.   

Voltando ao avanço da cidade além Lagoa do Murici, duas ações iniciaram esse processo: o primeiro foi a abertura da Av. Bernardo Sayão, em frente ao 50º BIS, com as dimensões desejadas pelo Exército. A mesma avenida foi continuada desde o aeroporto, no centro da cidade, até encontrar a ponta deixada pelo quartel. Surgia o bairro Nova Imperatriz, loteado sob o comando do Olívio Viana, que entregava lotes de residência ao povo, depois, eleito vereador. A segunda ação veio com as obras de asfaltamento da cidade no governo Pedro Neiva de Santana, em 1972. O responsável pela obra, senhor Gaspar, deu continuidade à Rua Ceará, cruzando a Bernardo Sayão, a fim de permitir a passagem dos caminhões que buscavam material de aterro para levantar o leito das ruas que deveriam receber o tratamento asfáltico. Nasceram as Quatro Bocas e, em seguida, o bairro Juçara em volta do clube fundado em 1971.

A partir daí, Imperatriz se expandiu em grandes bairros que representam a banda norte da cidade. A banda sul ao centro da cidade é outra história que prometo contar da próxima vez.   

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