domingo, 17 de outubro de 2021

ENTREVISTA – ELIZABETH FERNANDES – “Trabalhamos para ser referência universitária”

Publicado em 5 de outubro de 2020, às 16:52

Da Redação.

Foto: site UEMASUL

Há três anos, foi criada a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, popularmente conhecida pela sua sigla, UEMASUL. Um sonho antigo que remonta aos anos 1980. Nesta entrevista, a reitora da Uemasul, professora Elizabeth Fernandes, traça a história da nova universidade, analisa a sua realidade atual e aponta os caminhos do futuro da instituição. Confira.

Região Tocantina – Qual é a história da criação da UEMASUL?

Elizabeth Fernandes – Em meados de 1980, quando a Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM) fazia a transição para se tornar Universidade Estadual do Maranhão, iniciaram os debates sobre a necessidade de autonomia na gestão dos centros de ensino espalhados pelo interior do estado. Foi nesse contexto que surgiu o coletivo “Autonomia e Luta”, que era formado por professores, alunos e movimentos sociais em geral e que pautavam a necessidade da descentralização e democratização do ensino superior em nosso estado. Uma proposta de lei chegou a ser elaborada pelo então deputado estadual Sálvio Dino, que propunha a criação da Universidade de Imperatriz, mas que na época não foi aprovada. No dia 1 de novembro de 2016, o governador Flávio Dino assinou, no Centro de Ensino Superior de Imperatriz (CESI/UEMA), a Lei nº 10.525, que criou a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). A Lei determinava as providências para a efetivação das atividades, a partir 1° de janeiro de 2017, com um reitorado Pró-tempore, para aquele ano. Ainda em 2017, a UEMASUL obteve credenciamento junto ao Conselho Estadual do Maranhão – CEE.

Região Tocantina –  Como a senhora avalia o percurso da UEMASUL, desde a criação até hoje?

Elizabeth Fernandes – A Universidade passa por constantes mudanças e expansão, que vão desde as questões estruturais às acadêmicas. Em seus três anos, conta com a criação e inauguração do campus na cidade de Estreito; modernização dos campi existentes em Imperatriz e Açailândia; criação do Centro de Ciências da Saúde; ampliação do número de vagas nos cursos de graduação, com criação de novos cursos; realização de concursos e nomeação de professores; investimentos na formação dos docentes, ampliação do quantitativo de professores doutores no quadro da instituição; aprovação do primeiro curso stricto sensu – Mestrado Profissional em Letras, e, ainda, a oferta de cursos lato sensu; ampliação do número de bolsas para atividades de ensino, pesquisa, extensão; implantação de política de internacionalização; inserção de ações de políticas públicas de acesso e permanência, tais como o cursinho popular, bolsas permanência, restaurante popular e universitário, este último, fruto da parceria SEDES/UEMASUL. Recentemente, a UEMASUL foi contemplada nos editais dos programas de Residência Pedagógica/CAPES e PIBID/CAPES, Rede de Instituições do Observatório Tecnologia na Escola (OTec). Todas essas conquistas e avanços são frutos do trabalho coletivo, das equipes de gestores, professores, pesquisadores, corpo discente, técnicos administrativos; das parcerias firmadas com órgãos e secretarias, a exemplo do Processo Seletivo Unificado – PAES, parceria UEMA/UEMASUL.

Região Tocabtina – Como se posiciona a UEMASUL, dentro do cenário das universidades brasileiras?

Elizabeth Fernandes – A UEMASUL é a primeira Universidade Regional do Maranhão, em fase de expansão e consolidação, que se coloca dentro do cenário da educação superior pública brasileira, em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. Defende que o avanço da educação e da ciência, em todos os níveis, deve ser priorizado pelos governos, face à necessidade constante de investimentos e incentivos, de modo evolutivo. Compreende o papel social da universidade como agente transformador da sociedade, engajada e atenta às demandas da comunidade com ações de pesquisa, extensão e inovação. Contribuindo para o desenvolvimento regional, promovendo avanço e qualidade de vida das comunidades locais.

Região Tocantina – Qual a perspectiva de futuro para a recém-criada universidade?

Elizabeth Fernandes – A perspectiva futura coaduna com a missão institucional de produzir e difundir conhecimentos, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. De maneira a formar profissionais éticos e competentes, com responsabilidade social, para o desenvolvimento sustentável da região tocantina do Maranhão, contribuindo para a elevação cultural, social e científica, do Maranhão e do Brasil.

Região Tocantina – A UEMASUL vai conseguir, no futuro, alcançar todos os municípios da região sul-sudoeste do Maranhão?

Elizabeth Fernandes – É importante ratificar que a área de abrangência territorial da UEMASUL é definida pelo Decreto Estadual nº 32.396/2016, com abrangência em vinte e dois municípios. Em três deles, Açailândia, Estreito e Imperatriz, há campus da UEMASUL em funcionamento. A priori, por ações como a implantação do Programa Caminhos do Sertão, a Universidade levará cursos de licenciatura para Unidades Avançadas, de modo a atender às demandas dos municípios. De modo a proporcionar oportunidades de acesso ao ensino superior, aos egressos do ensino médio e aos professores em exercício nas escolas dos municípios, capacitando-os para atuação na Educação Básica. Acreditamos que, com a consolidação da universidade, por meio de parcerias com os municípios, surgirão outros programas que visem a levar ações para além dos muros da instituição, alcançando e atendendo às demandas das comunidades locais.

Região Tocantina –  Como a UEMASUL se destaca em relação à pesquisa?

Elizabeth Fernandes – A Política Institucional de Pesquisa da UEMASUL vem se consolidando com o incremento quantitativo e qualitativo da produção científica institucional, por meio de estímulos de caráter técnico, estrutural e financeiro. Para isso, desde a criação, a UEMASUL implantou o programa de iniciação científica e a oferta de bolsas de pesquisas – CNPq, FAPEMA e UEMASUL. Compõe a Rede Amazônica de Educação Matemática (REAMEC). Tem ampliado o número de doutores pesquisadores, bem como focado na criação e consolidação de Núcleos e Grupos de Pesquisas. Participa de editais de captação de recursos em busca de insumos, que contribuem para agregar maior potencial e condições às pesquisas realizadas. Possui parcerias com outras IES, no desenvolvimento de projetos. Faz investimentos na estruturação de laboratórios, tem aumentado o número de bolsas, mantido o incentivo à publicação e participado em eventos científicos.

Região Tocantina – Uma das grandes demandas regionais são os cursos de mestrado e doutorado. Como a universidade está trabalhando para atender a isso?

Elizabeth Fernandes – A UEMASUL, nestes três anos, aprovou o primeiro mestrado da instituição- Mestrado Profissional em Letras. O aumento do número de professores doutores com produção científica no quadro da instituição apresenta um potencial que viabiliza a participação em editais da CAPES, possibilitando a aprovação de novos programas de pós-graduação, em nível de Mestrado e Doutorado, nas mais diversas áreas do conhecimento.

Região Tocantina – Como a UEMASUL trabalha com o cenário de crise em que vivemos?

Elizabeth Fernandes – O cenário da educação no Brasil é desafiador. As universidades brasileiras têm passado, nos últimos anos, por sucateamento e desmonte e, embora sejamos uma universidade estadual, dependemos de muitos investimentos federais. Os estados, por serem entes federados, sofrem as consequências da política do governo atual. O governo do Maranhão vem demarcando um espaço na contramão da política nacional. A UEMASUL necessitou passar por um replanejamento diante do cenário da pandemia da COVID-19, devido ao agravamento da crise global. Foi necessário redimensionar algumas ações, mas continuamos investindo e avançando naquilo que é nosso compromisso firmado com a comunidade, respeitando as limitações que a crise nos impõe.

Região Tocantina – Como a universidade trabalhou para a continuidade das suas ações, dentro da pandemia?

Elizabeth Fernandes – Em respeito às recomendações sanitárias e aos Decretos Estaduais, adotou-se o trabalho remoto: realização de reuniões e solenidades, como as do Conselho Universitário e Colações de Grau; formações para docentes. Retorno das atividades acadêmicas, por meio de ensino remoto emergencial, com fornecimento de apoio digital a discentes e docentes. Criou-se um Comitê de Monitoramento e Avaliação (CMA), com representação de toda a Comunidade Acadêmica com o objetivo de acompanhar a evolução da pandemia na região e estabelecer orientações ao público da universidade sobre medidas de prevenção e enfrentamento da COVID-19. Após a testagem dos servidores, por meio de uma parceria Regional de Saúde/SES/UEMASUL, as atividades presenciais foram retomadas na universidade, com a adoção de escala de revezamento de trabalho administrativo. O atendimento à comunidade é realizado com agendamentos prévios. Permanecemos vigilantes com a situação da pandemia.

Região Tocantina – Para a senhora, qual é o grande papel da UEMASUL?

Elizabeth Fernandes – O compromisso da UEMASUL é contribuir com a difusão do conhecimento e crescimento da região, elevando-a socialmente e cientificamente. Trabalhamos para ser referência regional na formação acadêmica, na produção e na promoção da ciência, tecnologia e inovação, pautada na ética e na transparência, buscando autonomia e sustentabilidade. Buscamos ser um espaço de inclusão, de respeito às diferenças e de exercício da democracia. A UEMASUL, como uma Universidade de ensino superior pública, gratuita, prima pela qualidade das atividades que desenvolve. Além das especificidades da academia, cuida de questões que emergem no seio da nossa sociedade, e requerem da universidade, como espaço de conhecimento e produção científica, atuação comprometida com as mudanças que a sociedade necessita

3 respostas em “ENTREVISTA – ELIZABETH FERNANDES – “Trabalhamos para ser referência universitária””

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