terça-feira, 21 de julho de 2026

Consumo no período veraneio: como as altas temperaturas de Imperatriz aquece a venda de produtos gelados

Publicado em 7 de julho de 2026, às 17:23

A constância do clima quente influencia diretamente as escolhas de consumo de moradores, visitantes e a produção de empresários locais.

Por Gabriel Jordan e Thalisson Freitas

Com temperaturas máximas que facilmente alcançam os 40°C e sensação térmica ainda mais elevada, o período de veraneio em Imperatriz impulsiona diretamente o mercado local de produtos gelados. Pelo menos os moradores da cidade contam com a presença do Rio Tocantins, que passa ao lado da cidade e pode amenizar o calor de quem desejar dar um mergulho. Mas para quem não tem a oportunidade, sempre restam outras alternativas dentro da própria cidade que ajudam a aliviar o calorão.

Além do forte calor, os registros meteorológicos indicam que as temperaturas na região tocantina tendem a ser ainda maiores pela atuação do fenômeno climático El Niño, com formação oficialmente confirmada pelos meteorologistas da Administração Oceanográfica e Atmosférica Nacional dos EUA, a NOAA, para este ano. Em Imperatriz, isso significa que as temperaturas irão aumentar ainda mais, o que afeta diretamente a logística e a rotina de produção de empresários, comerciantes locais e população.

Vista do Rio Tocantins pela Beira Rio no entardecer em Imperatriz

A elevação da temperatura na produção

Para o comércio local, o calor constante exige planejamento e o controle de toda a cadeia de suprimentos gelados. Pedro Henrique, proprietário da rede Rei do Açaí, explica que a localização da cidade favorece a aceitação do produto. “Imperatriz, por ser uma região quente e ser próxima do Pará, as pessoas sabem como é o gosto de açaí. O fator do clima e o entendimento do produto favorecem a venda”, revela. 

Além disso, a empresa opta por produzir a própria polpa para garantir o abastecimento das lojas e dos revendedores. Para garantir oferta ao cliente, a empresa que começou apenas com o açaí, hoje ampliou seu mix de vendas e comercializa também sorvetes, o que reflete o favorecimento do cenário e do clima local.

Sudeste x Nordeste

A constância de temperaturas quentes em Imperatriz contrasta com o clima de capitais do Sudeste, o que se reflete na dieta de quem retorna à cidade no período de férias. Thiago Del Rey, estudante natural de Imperatriz, na região nordeste que atualmente reside em São Paulo, na região sudeste do país aponta que sua alimentação muda conforme a cidade onde está. Em São Paulo, o consumo é mais voltado para alimentos industrializados, embutidos e fast food. Ao retornar para Imperatriz, a rotina passa a incluir mais frutas, legumes e pratos naturais.

Thiago conta que a variação diária de temperatura em São Paulo desestimula o consumo regular de produtos frios, enquanto em Imperatriz o calor linear acumula a demanda por alimentos específicos, como o açaí e o suco natural. “O calor influencia diretamente na escolha do que você se alimenta. Atualmente, acho que o que ajuda a não querer comer lá fora, em São Paulo, é… açaí, esse tipo de comida, porque faz frio, em grande parte do tempo faz frio. Tem um período do tempo que também tem calor, é… mas mas não é como aqui, que é mais constante” explica.

O Impacto no comércio e infraestrutura local

Na Avenida Beira Rio, o movimento de vendas está atrelado aos horários de diminuição do sol e à prática de atividades físicas. A comerciante Raimunda Santos de Miranda, uma das responsáveis pelo Espetinho do Acássio, relata que o comportamento do consumidor muda entre o momento do dia e as estações do ano. 

Pela manhã o perfil de consumidor dela busca mais por café, salgados e sucos enquanto no período da tarde e noite, o desejo muda para bebidas como água, água de coco e também alimentos como o milho assado. Já no inverno, o período de chuvas afasta os clientes. E no verão, o fluxo se concentra no fim da tarde e início da noite.

Há pouco mais de um ano, o modelo de atendimento também passou por uma adaptação à dinâmica do sol: os comerciantes passaram a colocar cadeiras de balanço nas sombras da Avenida Beira Rio no intuito de levar conforto ao cliente entre as ondas de calor. 

Fileiras de cadeiras de balanço dispostas na calçada em frente ao estabelecimento de dona Raimunda

De acordo com Raimunda, a colocação de cadeiras na calçada ocorre a partir das 17h, momento em que as árvores geram sombra no local e a temperatura começa a cair, permitindo a permanência dos clientes por mais tempo no espaço público  “A noite é daqui até o final da rua lotado de gente sentada na cadeira de balanço”. 

Para ela, as vendas impulsionam ainda mais com essa ideia pois faz com que as pessoas se sentem confortáveis “as vendas aumentaram muito, e o povo gosta, principalmente com as cadeiras, eles conversam pegam um ventinho no rosto e ficam lá até tomar água de coco”

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