Nestes 10 anos, reitoria, aluno e professores celebram autonomia da Universidade da Região Tocantina do Maranhão
Por Gabriel Jordan e Thalisson Freitas
No dia 16 de julho de 1979, a Universidade Estadual do Maranhão, até então chamada de Federação das Escolas Superiores do Maranhão, a FESM, abre as portas à população em Imperatriz. Os cursos oferecidos naquela época eram licenciaturas de curto período em Letras, Estudos Sociais e Ciências. Após dois anos, por meio da Lei nº 4.400, a FESM é transformada na Universidade Estadual do Maranhão.
Após 35 anos, por vontade política do Governador Flávio Dino (2015-2022) em sua primeira gestão como governador do Estado, propôs a criação da Universidade da Região Tocantina do Maranhão, a UEMASUL. A proposta foi defendida pelo então Deputado Estadual Marco Aurélio em novembro de 2016 na Assembleia Legislativa do estado.
Até então a universidade dependia de São Luís para atendimento de suas necessidades básicas, como afirma a atual reitora Luciléa Gonçalves. “A gente precisava trocar uma lâmpada ou um papel higiênico e tudo que tinha que vir das ordens de lá pra comprar. Era tudo uma centralização de recursos e de poderes em termos de um consumo que, às vezes, olhava muito só a capital”

Luciléa Gonçalves e seu assessor especial Moab César, na sala da Reitoria da UEMASUL.
A autonomia que a universidade atingiu, foi positiva para a academia, com saldos extraordinários. No último ano da gestão anterior, em 2022, a ajuda de custo e bolsas para os alunos saiu de R$600 mil para R$13 milhões em 2025. “Houveram muitos outros avanços, mais de 80 professores, novos cursos foram instaurados nesse período; aspectos relacionados ao bem estar e desenvolvimento de carreira, qualificações continuadas, havia de fato uma necessidade de mudança”, afirma o professor e assessor especial, Moab César.
Exemplos na universidade
Atualmente, com 23 cursos de graduação, a UEMASUL contempla muitas histórias, mas tem uma no curso de Engenharia Florestal que chama atenção. É a do professor Roldão Carlos. Ele já estudou na instituição, se formou, fez doutorado fora e agora faz parte da regência da direção do Centro de Ciências Agrárias, o CCA, sendo um dos casos de desenvolvimento de carreira por meio da UEMASUL.
Ele conta que no início, quando foi escolher a graduação, a cidade de Imperatriz não tinha muitas opções de cursos, mas tinha o desejo de uma engenharia e optou pela Engenharia Florestal. Ele relembra que cresceu e aprendeu muito com seus colegas de classe na universidade. “Se eu estou onde estou hoje, é graças à trajetória da UEMA/UEMASUL”.
Apesar de hoje ocupar também o cargo de docência na instituição, ele revela que nunca pensou em ser professor. Isso aconteceu enquanto fazia o doutorado, pois surgiu uma oportunidade em um concurso da universidade que coincidia também com a área do doutorado. Ele fez, passou e hoje transmite seus conhecimentos para os atuais acadêmicos do curso.
Para Samuel Estevam, graduando do curso, é empolgante ver alguém que esteve no mesmo lugar que ele chegar onde chegou e voltar para a faculdade com o currículo cheio. “Isso faz com que os alunos possam ter uma visão do futuro profissional de forma concreta na frente deles”, afirma
Segundo o discente, a UEMASUL é um ótimo exemplo de caminho a ser seguido por outras universidades. O curso de Engenharia Florestal, em Imperatriz, por exemplo, é o único do Maranhão. No entanto, ainda sente que o curso precisa de mais divulgação. “A baixa visibilidade que temos é bem clara. No geral, a UEMASUL tem o que melhorar, mas já possui uma boa estrutura de ensino e formação.”

Samuel Estevam entrega mudas para a comunidade em seu projeto com o professor Roldão
Futuro
Para o futuro, a reitora Luciléa Gonçalves revela que irão ser iniciados dois novos cursos, de Inteligência Artificial e Psicologia, além de outros que estão nascendo para 2027, em Imperatriz. E também lembrou que nos outros campus, em Açailândia e Estreito, foram criados novos cursos e ainda planeja-se criar mais.
Ela ainda relata que a implementação da pós-graduação será um foco de sua gestão para os próximos anos. “Porque a universidade com mestrado e doutorado tem muitas portas abertas nas grandes instituições, nos grandes laboratórios, nas grandes universidades”, assegura
Para o professor Moab, os próximos dez anos de instituição são esperados com muito entusiasmo “Gigante, espero que esteja gigante, influente e poderosa, e extremamente interligada às carências e necessidades sociais, porque a universidade é um embrião”.
Comemoração
A Universidade do Sul do Maranhão comemora dez anos de existência em novembro de 2026, mas as celebrações serão ampliadas durante todo o ano. Desde o início, com a identidade visual comemorativa, em que traz emblemas da região tocantina do estado, enfatizando a sustentabilidade, fauna, flora, povos originários, cultura e a representação estudantil da universidade.
Também haverá uma cerimônia, em que serão distribuídas aos professores a medalha Maria Firmina, em reconhecimento aos seus anos de empenho na instituição. Outro evento importante será o lançamento do livro especial de 10 anos da UEMASUL que será lançado pela Editora Universitária da UEMASUL, a EDUEMASUL.
Neste livro especial, professores e professoras da instituição estão elaborando capítulos nos eixos de extensão e pesquisa nestes anos, historiografia como parte da interiorização do ensino superior no sul do estado. A previsão de lançamento é para ainda este ano, em novembro. Além disso, a UEMASUL ainda planeja mostras, festas juninas e corrida, com a temática comemorativa.