quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ENTREVISTA: SAMANTA MATOS – “LITERATURA É FORÇA E RESISTÊNCIA PARA A VIDA”

Publicado em 18 de abril de 2026, às 11:12
Fonte: Da Redação

A professora, poeta e pesquisadora Samanta Matos nos revela o poder que a literatura tem na sua formação e os caminhos que a levaram a também ser escritora. Doutora em Literatura pela PUC-SP, a autora acredita no poder da literatura de publicizar a condição feminina, “A literatura é para nós o grito há muito abafado”. Samanta acaba de lançar a obra “É sempre longe aqui dentro”, seu segundo livro de poesias. Esta entrevista foi publicada simultaneamente no “Caderno Mais”, suplemento da Academia Imperatrizense de Letras no Jornal O Progresso. Vale a leitura!

Caderno Extra – Como você começou na literatura?
Samanta Matos
– O universo literário chegou para mim de diversas formas. Desde as histórias contadas pela bisavó e avó, às cantigas e as prosas que nós como crianças curiosas acompanhavámos. Depois nas leituras da escola, os poemas eram os que mais me chamaram a atenção. A partir da adolescência comecei a escrever nos diários e agendas ou no finalzinho dos cadernos. Já na Universidade, tudo se ampliou conhecendo outros autores e obras que me motivaram a ler e continuar escrevendo e refletindo sobre o fazer literário até chegar na escrita dos livros que publiquei. Hoje a literatura é parte indispensável do meu dia. Continuo curiosa por novas obras e autores e inspirada a escrever, principalmente a poesia.


Caderno Extra – Quais suas fontes de inspiração para começar a escrever?
Samanta Matos
– Eu me inspiro em tudo que vejo. Seja um filme, série, leitura, conversa cotidiana ou mesmo um olhar rápido de personagens que encontro numa viagem. As mulheres que escrevem também me inspiram, pois esse foi um direito que, por muito tempo, nos foi negado e vejo na literatura a força e resistência que preciso para a vida.


Caderno Extra – Qual é o papel da literatura hoje?
Samanta Matos
– Vital. Preciso do texto literário e de outras formas de arte todos os dias para me alimentar, provocar ou inspirar. A literatura tornou-se minha forma de me colocar no mundo, seja como leitora, pesquisadora ou escritora.


Caderno Extra – Você tem um trabalho com escritas para mulheres.A escrita literária pode ajudar mulheres a viver melhor?
Samanta Matos –
Tenho certeza disso! A literatura é para nós o grito há muito abafado. É o respiro e o desacomodar que precisamos para nos colocar e nos inspirar em nossas jornadas como mulheres.


Caderno Extra – Sobre seu novo livro, o que o/a leitor/a vai encontrar nele?
Samanta Matos
– Temáticas variadas que circundam a vida e nosso lugar no mundo. Existem textos nele que motivam e inspiram e também os que causam o incômodo necessário para refletir e motivar nossas ações na construção de quem somos diante da vida.


Caderno Extra – Este é eu segundo livro. Quais as semelhanças e as diferenças em relação ao primeiro?
Samanta Matos
– Os dois são bem intimistas, muito do que escrevo, vivi ou observei com uma atenção especial. Ao mesmo tempo, esse olhar é universal, pois nos identificamos com muitas vivências que não são nossas, mas que nos atravessam.


Caderno Extra – Como você enxerga o espaço para a poesia neste mundo tão cheio de virtualidades e imersões tecnológicas?
Samanta Matos
– Penso na tecnologia como aliada. É mais uma forma de leitura através dos diversos suportes. Apesar de gostar mais do livro físico (desde o toque ao cheiro de novo), a tecnologia é um meio pra que a literatura veicule e se amplie. Todorov já escrevia sobre o medo do fum da literatura em 2007, mas vemos que ela não está exatamente em perigo, mas se renova a cada dia, com a potência que só ela tem.

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