terça-feira, 18 de agosto de 2026

ENTREVISTA: ROSEANE PINHEIRO – IHGI: UM BALANÇO DE DOIS ANOS DE TRABALHO E CONQUISTAS

Publicado em 11 de janeiro de 2026, às 12:23

A jornalista e professora doutora do Curso de Jornalismo da Ufma-Imperatriz, Roseane Arcanjo Pinheiro, é membra fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Impetatriz (IHGI) e, desde a criação da entidade, em 2023, está à frente dela, como sua presidenta. Nesta entrevista, ela faz um balanço desses dois anos de atividade, destacando as ações de estruturação, os eventos e as publicações organizadas, a busca por uma sede própria e outras conquistas que marcam a consolidação do IHGI como uma importante entidade no cenário cultural de Imperatriz. A entrevista foi publicada, originalmente, no Caderno Extra – suplemento literário da Academia Imperatrizense de Letras, no Jornal O Progresso.

Caderno Extra – Para quem ainda não sabe, o que é o IHGI?
Roseane Pinheiro
– O Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz, o IHGI, é um espaço para fortalecer as ações que valorizam o patrimônio histórico-cultural de Imperatriz-MA. É um espaço de mobilização para que sociedade, poderes públicos e entes privados reconheçam e protejam os bens culturais da cidade. O IHGI, fundado em 1989, ganhou novo fôlego em 2023 com a escolha dos 40 membras e membros, que hoje fazem eventos, lançam livros e realizam projetos que destacam a memória e a história da cidade.
Caderno Extra – Nesses dois anos de existência, quais as principais ações da entidade?
Roseane Pinheiro
– No primeiro ano, entre 2023 e 2024, o foco foi divulgar estudos dos integrantes sobre a memória e a cultura de Imperatriz. Fizemos rodas de conversa nas universidades públicas e privadas, onde divulgamos pesquisas sobre aspectos da história do futebol, da fotografia, da educação, das mídias, das comunidades, entre outros temas. Tivemos a participação de parceiros e parceiras que são professores e professoras da UFMA e da Uemasul.
Entre 2024 e 2025, o objetivo foi debater momentos marcantes de Imperatriz, a exemplo de eventos sobre o centenário da elevação à categoria de cidade e a chamada “Revolução de janeiro”, de 1995, quando ocorreu uma grande mobilização política local.
O Instituto promoveu também, com a Uemasul, através do Centro de Pesquisa em Arqueologia e História Timbira (CPAHT), e a Casa das Artes, o Seminário sobre Patrimônio Histórico-Cultural. Na oportunidade, tivemos contato com o Iphan e a Superintendência do Patrimônio Cultural do Governo do Estado do Maranhão, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Fizemos um debate relevante sobre políticas locais, estaduais e nacionais de proteção ao patrimônio cultural. O IHGI faz parte de uma comissão permanente para dar continuidade às novas iniciativas na área.
Outra frente, no segundo ano, que está em andamento, é a conquista da sede física do IHGI. Solicitamos um prédio na Rua Frei Manoel Procópio, antiga XV de Novembro, que fica no circuito histórico de Imperatriz. A sede marcará a nossa presença institucional, dará maior visibilidade à instituição e nos integrará ao patrimônio cultural da cidade. 
Caderno Extra – Por que é importante a preservação da memória e da história de uma cidade?
Roseane Pinheiro
– Nós só valorizamos aquilo que conhecemos. A tarefa do IHGI é fortalecer as ações que mostram a relevância dos bens culturais, sejam bens materiais, como ruas, prédios, sítios arqueológicos e praças, ou bens imateriais, como saberes e memórias de comunidades e grupos. Queremos que esse sentimento, de que precisamos conhecer e defender o que é nosso, seja geral e não apenas pauta de um grupo. É importante chamar a atenção sobre o que é patrimônio, que se traduz em lugares, saberes e objetos que farão muita falta a uma comunidade se desaparecerem. O patrimônio cultural precisa ser protegido por lei, que vai detalhar como aquele bem deve ser respeitado por todos.


Caderno Extra – Como o IHGI se incorpora às ações culturais de Imperatriz?
Roseane Pinheiro
– A área cultural demanda forças conjuntas, então o Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz busca incentivar o agir coletivo, além de possuir seus próprios projetos. Temos um diálogo importante com a Academia Imperatrizense de Letras. Nos articulamos junto às universidades públicas e privadas e com as organizações da sociedade civil, como a Casa das Artes, através do Seminário de Patrimônio, e à Diocese de Imperatriz, com a qual preparamos um memorial sobre a cidade, a ser inaugurado. Temos um carinho muito grande pelo Clube de Mães, fundado em 1971, que recebe nossos eventos. Mantemos ainda um importante canal com a Fundação Cultural de Imperatriz, com a Prefeitura Municipal de Imperatriz e o Governo do Estado, através da Agência Executiva Metropolitana do Sudoeste do Maranhão, a Agemsul.
Caderno Extra – O IHGI tem uma política de trabalhar em conjunto com as universidades locais?
Roseane Pinheiro
– O IHGI fez importantes parcerias com as universidades e faculdades, que são espaços de capital intelectual e onde são formados os futuros profissionais, professores e pesquisadores. Realizamos rodas de conversa com a UFMA, Uemasul, Fest e Uniceuma. Queremos ampliar essa rede de contatos com as demais instituições. Com a editora da Uemasul, por exemplo, já publicamos dois e-books, com estudos que tratam da memória e história de Imperatriz, com temas ligados à religião, fotografia, educação, entre outros. Foram 10 pesquisas divulgadas. Em 2026, o Instituto vai participar novamente do edital com envio da proposta do terceiro livro. As obras anteriores já lançadas e a próxima reúnem muitas contribuições e são de autoria dos integrantes do IHGI, parceiros e convidados.
Caderno Extra – Quais as próximas ações do Instituto?
Roseane Pinheiro
– Em 2026, daremos andamento às ações de capacitação. Temos já organizado um Curso de Extensão sobre Patrimônio Cultural para os jovens universitários. Seguiremos buscando apoio dos poderes públicos para a proteção dos bens culturais através de leis e políticas públicas.
Iremos lançar, até junho de 2026, a primeira publicação com o mapeamento sobre os bens culturais materiais de Imperatriz, feito com recursos da Lei Aldir Blanc, através da Fundação Cultural de Imperatriz e Ministério da Cultura. E como citamos, participaremos de edital da editora da Uemasul para que possamos publicar um terceiro livro com novos estudos sobre a história, cultura e memória de Imperatriz, que pode ser utilizado como material didático em escolas e universidades. Além dessas, informamos que vão ocorrer outras atividades a serem divulgadas brevemente.
Caderno Extra – Você foi a primeira presidente da entidade, sendo reeleita para mais uma gestão. Como é a representação feminina no IHGI?
Roseane Pinheiro
– Queremos cada vez mais ampliar a participação feminina no IHGI, para acompanhar o avanço delas em todos os setores. Porque as mulheres são muito qualificadas e atuantes na sociedade. Portanto, o Instituto deve ser um espaço inclusivo e plural para acompanhar essa realidade. Em 2023, quando o IHGI retomou as atividades, tínhamos menos mulheres entre os 40 integrantes. Em 2024, fizemos a escolha de novos membros e mais 3 mulheres foram eleitas através de um processo com ampla participação dos quadros do Instituto. A atual diretoria, por exemplo, tem uma expressiva participação feminina, somos numericamente a maioria, e agregamos, com muito respeito e espírito coletivo, todos em torno dos objetivos do IHGI.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Sites relevantes para pesquisa

Publicidade