Projeto “Pirâmide Invertida: Jornalistas escrevendo ficção” deverá ser lançado em formato impresso em 2026 e e-book em 2027
Para quem é do jornalismo, o termo “pirâmide invertida” é uma expressão bastante comum. Trata-se de uma técnica, inventada pelos norte-americanos e que depois se espalhou pelo mundo, de contar uma história partindo do que é mais importante para o menos importante. Chamado de lead ou lide, era um recurso usado pelos antigos jornais impressos, para que, caso o leitor decidisse “abandonar” aquela notícia depois do primeiro parágrafo, não sairia da leitura sem o conhecimento dos elementos principais da narrativa.
O livro que está nascendo toma de empréstimo este termo apenas como alegoria, mas desenvolve outra forma de leitura, que é o fato de que os jornalistas e as jornalistas vão inverter a lógica da sua profissão, escrevendo ficção. Seu foco é o conto, gênero literário que permite narrar uma história rapidamente, com concisão e o poder de impactar o leitor.
O livro terá como organizadores o jornalista e professor Marcos Fábio Belo Matos e o jornalista e escritor João Marcos Silva. A eles caberá o trabalho de contato com os autores e autoras, a curadoria do material recebido e todo o processo de edição do livro e a logística de lançamentos, divulgação e distribuição. “Organizar um livro com muitos autores e autoras é sempre bem complicado. Mas é uma adrenalina que, no fim, compensa pela obra que a gente deixa para a literatura”, afirma Marcos Fábio.
PARTICIPANTES – Poderão participar do projeto jornalistas de todos os cantos do país. “Com as redes sociais, fica mais fácil alcançar os colegas e as colegas que estão fora do Maranhão, gente que se divide entre o ofício de contar histórias reais e o de escrever histórias inventadas, explorando os recursos que a ficção permite”, esclarece Marcos Fábio.
Cada autor ou autora poderá enviar até dois contos para o projeto, de no máximo 2 mil palavras, de temática livre. Os contos podem ser enviados para os e-mails [email protected] ou [email protected], tendo como assunto do e-mail “Antologia Pirâmide Invertida”, seguido da autoria dos textos a serem enviados.
A obra terá dois formatos: será publicada em tiragem impressa e em e-book. Cada autor ou autora receberá 3 exemplares impressos e o restante será vendido e distribuído para as bibliotecas públicas. O e-book será distribuído gratuitamente, após a divulgação do livro impresso. O livro sairá pela Editora Estampa, de Imperatriz. Toda a verba auferida da venda das obras será revertida para projetos de apoio à cultura e à literatura, localizados na região tocantina.
IMPACTO – De acordo com João Marcos, este projeto tem como meta dar visibilidade ao lado ficcional de muitos jornalistas. “Nós que estamos diariamente dentro do modelo de escrita jornalística, por vezes sentimos falta de escrever com mais liberdade e subjetividade, uma abertura possível em livro-reportagem, por exemplo, mas com limitações. Já na ficção, tudo é possível. Gosto de reconhecer os dois espaços como legítimos para a criação literária”, finaliza.
Outro impacto importante é a reunião de narrativas em contos, que serão enfeixadas no formato de um livro. “Não lembro de outra antologia literária formada apenas por textos de jornalistas, o que acaba sendo um diferencial para quem vai ler e mais uma vitrine para as obras dos autores e autoras. E o livro ainda se torna um documento literário importante, para apreciação ou estudo futuros”, registra João Marcos.


Pelo cronograma do projeto, o livro deverá ser publicado no fim de 2026 e o e-book, no começo de 2027.
OS ORGANIZADORES – Marcos Fábio é jornalista e professor do Curso de Jornalismo da UFMA-Imperatriz, autor de mais de 35 obras, metade delas de literatura [contos, crônicas, novela]; organizou a antologia Mural das Minas e é membro das Academias Bacabalense e Imperatrizense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico e Imperatriz. João Marcos é jornalista, mestrando em Comunicação no PPGCOM da Ufma-Imperatriz; autor do livro-reportagem “À sombra da gameleira” e dos livros de ficção “O círculo de fogo” e “Curacanga” e membro da Aclajol [Academia de Ciências, Letras e Artes da cidade de João Lisboa].