terça-feira, 30 de novembro de 2021

NUMA GALÁXIA DISTANTE

Publicado em 18 de outubro de 2021, às 15:35
Elson Araújo – Advoado, escritor e membro da Academia Imperatrizense de Letras
Imagem: Unsplash

O problema estava ficando sério demais. Não estava mais circunscrito àquela órbita. Se quisessem  se autodestruir, que se destruíssem sozinhos, sem causar o fim dos vizinhos de galáxia. Era preciso fazer alguma coisa, até porque depois da superfície, o lixo produzido naquele planeta irmão começava a poluir também o espaço sideral, e a ameaçar outros astros. Não!  A situação não era de omissão, mas de ação.

-De longe assim, nem parece uma ameaça. É um planeta tão bonito, tão belo, tão azul- comentou a esposa daquele líder intergaláctico.

É só de longe, esposa. Amanhã faremos a última reunião para resolver esse problema causado por eles. Não sairemos de lá sem uma tomada de decisão. Eles estão sem comando, sem gestão- disse com firmeza, o líder.

O encontro das lideranças intergalácticas estava marcado para acontecer num Exoplaneta. Tratava-se de uma reunião ultrassecreta e seria temerário realizá-la   em qualquer planeta daquela galáxia.  

-Já identificamos centenas de exoplanetas. Decidimos que a reunião será num deles, já escolhido. Nem para você, que é minha mulher, posso dizer em qual deles definiremos o que fazer- voltou a falar o líder.

Uma a uma as naves, com as lideranças intergalácticas, foram chegando àquele distante Exoplaneta. Ao todo, oito líderes representando os planetas daquele sistema, integravam o conselho, que só se reunia em crises extremas.

 Estrategicamente a liderança do planeta problema não foi convidada. Estava perdida, não tinha mais autoridade, não tinha   mais forças para resolver a grave situação do seu povo.

Para evitar vazamentos, a reunião seria por telepatia. Daquela forma não haveria como o encontro ser gravado. A partir do momento que fosse lacrado o portão toda e qualquer comunicação seria telepática.  E assim aconteceu.

Como resultado dos encontros anteriores, algumas propostas já tinham sido apresentadas para resolver a situação.  Faltava a definição por uma delas. A mais radical e, menos provável de ser aceita, seria   a de varrer o planeta problema do mapa sideral, dessa forma o resto do sistema ficaria à salvo.

-Pela rapidez da operação eles nem vão sofrer. Temos tecnologia para isso. Poderíamos fazê-lo no ciclo do sono deles- defendeu o autor da ideia, logo rechaçada.

Por não ter tido a ideia aprovada o radical proponente abandonou o encontro, e não esperou para ouvir e votar nas outras propostas.

A última proposta foi apresentada por um decano do conselho acostumado a tomar decisões complicadas nos momentos de crises. Era o mais hábil na comunicação telepática. Era também o guardião das memórias e segredos do Conselho Intergaláctico.  Tinha muito poder. Para se ter uma ideia, anos antes um desavisado pirata da mente tentou hackear seus arquivos mentais e se deu muito mal. De onde estava, o mestre percebeu a tentativa de invasão e agiu rápido. De olhos fechados acionou um comando mental e explodiu a cabeça do invasor. Sua proposta, a que sobrou, estava ali agora para ser ratificada.

Pelo conhecimento prévio da proposta, a votação seria apenas simbólica. O planeta não seria varrido do espaço, ou penalizado com algo que viesse a destruir a vida por completo.  Certo é que seus habitantes precisavam de uma lição e o planeta se salvar. Necessário era frear a poluição do ar, dos rios, mares e oceanos; acabar com o descarte de lixo espacial e a emissão de radiação nuclear e gás carbônico. Também integrava o pacote da proposta de salvação, diminuir o tamanho da população.

Uma semana depois da reunião do Conselho Intergaláctico, no módulo invisível, uma nave pousava no continente mais populoso daquele pequeno planeta.  A operação, como planejada, foi muita rápida.

Dias depois, uma misteriosa moléstia contagiosa começou a acometer os habitantes daquele continente e de seus limites. Na velocidade da luz o mal tomou conta de todo o planeta pegando a todos os dirigentes de surpresa. Para evitar o contágio as pessoas passaram a se isolar. O planeta foi obrigado a  diminuir o ritmo. Em poucos dias, embora muitas vidas tenham desaparecido, o ar ficou mais puro, com menos poluentes, os oceanos mais limpos. Até as baleias voltaram a frequentar os muitos mares.

– Missão cumprida! Sacrificamos muitos, mas salvamos aquele planeta –  comunicou, telepaticamente, o líder da missão aos membros do Conselho Intergalácticos

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