domingo, 17 de outubro de 2021

VAMOS CONSUMIR NOSSO TEATRO

Publicado em 7 de agosto de 2021, às 20:16
Linda Barros – professora e atriz
Imagem: Divulgação

Vivemos em um mundo consumista. E quando se fala em consumo, imaginam-se compras em shoppings, nos supermercados, nas livrarias, mas nunca em teatros ou em espetáculos. Por quê?  A desculpa para alguns é a distância, para outros os preços ou mesmo a falta de interesse. Muitos lamentam a falta de grandes nomes nas peças. Como se, para que o espetáculo seja bom (não importando o preço), devesse haver a presença de alguma estrela de renome nacional.

No Maranhão esses grandes nomes estão por aí, a esmo, ao ar livre ou nos pequenos e grandes teatros. Como disse certa vez o ator Urias de Oliveira “para viver de arte no Brasil, é preciso ser muito ‘artista’”.

Um dos grandes nomes nas artes de nossa cidade é esse mineiro, ludovicense de coração, que chegou aqui para “ficar apenas três dias”, permanecendo até hoje. Apaixonado pelo cenário de encantaria que se descortinava aos seus olhos, Urias de Oliveira Filho decidiu radicar-se em São Luís para, a partir da Ilha, mostrar ao mundo sua arte, em uma longa caminhada que já completou 40 anos de teatro. Foi através da arte que esse ator, performer e diretor teatral nos presenteou com peças magistrais, como A Solidão de Dom Quixote, espetáculo que instiga o público a pensar no cotidiano, na solidão, dando margens a reflexões sobre a própria vida.

Outra estrela de grandeza é Domingos Tourinho, uma das vozes mais significativas do teatro no Maranhão. Ator, diretor, produtor cultural e professor de Artes Cênicas, nascido em São Luís e que influência de sua mãe, que sempre “fazia comédias na Fábrica do Rio Anil e eu gostava de representá-la”, conforme ele mesmo comenta. Eis um caso claro de que a arte escolheu o artista, e não o contrário. Com uma longíngua história dentro do teatro no Maranhão, artista montou seu primeiro espetáculo, na década 1970, O Caso dos Pirilampos, com texto de Maria Clara Machado, pelo CEMA (Centro de Ensino do Maranhão). Nessa época, havia os festivais de teatro, que serviam para revelar talentos e mostrar ao público novos atores e diretores. O Espetáculo foi premiado em pleno Teatro Arthur Azevedo. Anos depois, Tourinho entrou para o LABORARTE – Laboratório de Expressões Artísticas, ficando na instituição por mais de um ano. Sobre a arte de representar, ele diz que o teatro sempre o ajudou a adquirir conhecimento técnico e teórico, afirmando ainda “que não há nenhum progresso, se não for através do estudo, de cursos que possibilitem o aperfeiçoamento”.

Outro nome a ser lembrado é o de Júlia Emília, bailarina, atriz, coreógrafa e escritora. Essa artista maranhense usa a dança como forma de consciência corporal e ferramenta para inclusão social, levando um mundo encantado a adultos e crianças com Juju Carrapeta, personagem que conta histórias sobre a cultura popular maranhense. Ademais do teatro e da dança, Júlia Emília também é escritora. Publicou “O Baile das Lavandeiras” (2006) e “Vivendo Teatrodança”, livro no qual retrata a dança através de ensaio composto de textos dramatúrgicos, processos fundamentados e fotos de investigações, mergulhando na arte popular da dança contemporânea.

Completando este passeio, chegamos a Uimar Junior, ator e performer que leva sua arte ao extremo, mostrando à sociedade as mazelas da comunidade. Uimar faz uma ponte entre o real e o imaginário, usando seus personagens para protestar, instigar e compartilhar suas angústias.  E é com esse olhar questionador que ele busca solucionar tais problemas. O ator empresta seu corpo para um propósito: tentar trazer de volta às praças seus respectivos monumentos, mostrando à sociedade uma problemática corriqueira que assolou nossa cidade.

Não podemos esquecer também de nossas produções que estão crescendo e encantando o público com belos espetáculos, com produções e direções, locais de grandes talentos, como é o caso da Companhia Teatro Improviso, que já levou ao público espetáculos como “Amor com amor se paga”, “Quase”, Cenas curtas de Comédia de costume e a releitura do clássico “O Mágico de Oz”, esse, inclusive, pode ser visto na internet. Aliás, a internet foi a grande estrela que substituiu os palcos presenciais nesse período tão difícil pelo qual todos nós passamos, ofereceu e oferece apresentações de muito boa qualidade online, como também é o caso da Humanitas Companhia de Teatro,  que recentemente ofereceu ao público o espetáculo “O Sorriso do Palhaço de Deus” e “Suíte 21”.

Seguindo a lista de artista/atores que enchem nossos palcos, estão Renata Figueiredo, Gisele Vasconcelos e Rosa Ewerton, do Xama Teatro, com “As Três Fiandeiras”, temos também a Encanto Coletivo, que oferece ao público espetáculos no gênero musical.

Todas essas estrelas estão por aí, em ruas, praças e teatros, brilhando e encantando a todos com sua arte. Algumas vezes, nem precisamos pagar ingressos, pois eles estão ar livre, na pele de Édipo Rei, Juju Carrapeta, de Dom Quixote, da Mãe D’água, Mulher Babaçu, figuras do folclore local, que nos contam histórias e nos fazem ter uma certeza: existe teatro no Maranhão!

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