sexta-feira, 19 de julho de 2024

TODOS OS ADJETIVOS PARA GONÇALVES DIAS

Publicado em 7 de setembro de 2023, às 10:28
Fonte: Linda Barros, escritora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira
Imagem cedida pela autora, que se responsabiliza pelos seus direitos autorais.

Minha terra tem palmeiras”, minha terra é minha pátria, nela posso tudo: posso até voar nas asas dos pássaros sem medo de cair. Quando se tem amor, se tem orgulho do chão que pisamos, sem medo e sem vergonha de sermos nós mesmos, tudo fica pleno. Em nossos ombros carregamos todos os fardos, as lamúrias, as tristezas, as alegrias, mas principalmente nossa história. Nosso céu tem mais estrelas/Nossas várzeas têm mais flores/Nossos bosques têm mais vida/Nossa vida mais amores. Esses versos pertencem à “Canção do Exílio”, que decerto é nosso maior patrimônio cultural, nossa própria identidade e o quão é mais importante para um povo do que falar de sua história, de sua cultura e de sua literatura?

O orgulho de nossas riquezas culturais talvez seja a coisa mais sublime que temos, talvez seja nossa maior herança. Aqui pelas bandas “das palmeiras onde canta o sabiá” temos muito o que contar. Podemos encher o peito de orgulho e gritar aos quatro ventos: temos o maior poeta da literatura brasileira, aquele cuja donzela não lhe deram a mão para que a desposasse, temos o maior nome de poeta, escritor, jornalista, tradutor, etnógrafo, aquele melhor representou o seu país, quando esteve fora dele.

Antônio Gonçalves Dias, homem de todas as letras, homem que ainda na adolescência resolveu ir atrás dos seus sonhos, para que talvez um dia pudesse ser ao menos conhecido de nome. E eis que deu certo. Gonçalves Dias, “o poema maior de nosso Maranhão”, autor que, melhor do que qualquer outro, mostrou seu país ao mundo através de seus versos, falando de amor, da natureza e das mazelas da vida, temas tão corriqueiros, mas que, com ele, ficaram na história da humanidade.

Autor do Romantismo brasileiro, Gonçalves Dias soube em cada verso, em cada palavra, deixar sua marca, como em “Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros/ de vivo luzir/Estrelas incertas/que as águas dormentes /do mar vão ferir. Foi Gonçalves Dias quem mostrou em seus textos todas riquezas que temos na natureza. O grande tradutor e dramaturgo estreou na literatura com seu livro “Primeiros Cantos”, que foi dividido em três partes: Poesias Diversas, Poesias Americanas e os Hinos.

Aparentemente sem muitas ambições nem financeiras, nem políticas, teve seu de casamento com Ana Amélia Ferreira do Vale negado, talvez como consequência por sua parca vida. No entanto, tal recusa talvez o fez se tornar o maior de todos poetas brasileiros. Com estudos concluídos em Portugal, Gonçalves Dias regressa ao Maranhão, onde conhece sua musa e amada Ana Amélia. Para ela, deixou os belos poemas de nossa literatura: Ainda uma vez – Adeus!; Se se Morre de Amor e Seus Olhos.

Gonçalves Dias foi e continua sendo estudado por gerações inteiras e outras que virão. A primeira fase do Romantismo foi inaugurada por Gonçalves de Magalhães, com o livro Suspiros Poéticos e Saudades. Mas é com Gonçalves Dias, com o livro Primeiros Cantos, que é considerado o melhor dessa época. Afundado em suas tristezas e com saudades de sua terra, escreveu um dos poemas importantes da Literatura brasileira, Canção do Exílio, texto clássico, considerado como um hino à sua terra, às suas riquezas e saudades, quem nunca declamou Minha terra tem palmeiras/Onde canta o sabiá/As aves, que aqui gorjeiam/Não gorjeiam como lá.

 Todas as reverências para o grande poeta são merecidas e necessárias e não devemos economizar nos adjetivos para descrever quão tão rica são seus escritos, passando por diferentes gêneros textuais, Beatriz Cenci e Patkull no teatro, como jornalista contribuiu com diversos como Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária.

E no mais profundo admirar, o poeta caxiense que nasceu no 10 de agosto de 1823 chega aos duzentos anos mais vivo do que nunca, e que certamente o vento balançará seus versos nas mais longínquas das palmeiras.

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