quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Guilty Pleasure [prazer culposo]: porque nos envergonhar dos nossos gostos?

Publicado em 18 de maio de 2022, às 8:37
Hyana Reis – Jornalista e escritora.
Imagem: Pausa para pitacos.

Guilty pleasure, em tradução literal para prazer culposo, é uma expressão norte-americana usada para falar de conteúdos que consumimos (sejam eles filmes, séries, música, ou livros), que não são considerados bons pela sociedade em geral, mas gostamos mesmo assim. Ou seja, é aquilo que nos envergonha admitir que amamos.

Geralmente, ouvir funk, assistir reality shows, ler romances açucarados e/ ou eróticos, amar cultura coreana, entre outros, é facilmente considerado guilty pleasure no Brasil. Admitir que gosta de conteúdos fora do meio intelectual, ou até mesmo erudito, é regularmente condenado não só no nosso país, mas no mundo.

É aquela música que se ouve apenas no fone de ouvido, o livro que não fica exposto na estante, o filme que se assiste sozinho em um final de semana, porque há vergonha em expor ao ciclo social. Mas porque nos condenar ou envergonhar por consumir algo que tem o objetivo de entreter?

O entretenimento, como o nome já diz, é para se apreciar; para relaxar e descansar após um dia de trabalho, durante um fim de semana, ou naquele feriado desocupado. Nem toda arte, filme, música ou livro, deve de fato acrescentar conhecimento à nossa vida. Às vezes sua função principal é distrair, divertir, e isso, às vezes, é mais necessário ao nosso lazer e saúde mental que refletir sobre uma mazela social, ou um conceito filosófico, por exemplo.

E nem todo entretenimento tem o objetivo de ser o melhor já produzido em seu gênero. Obras despretensiosas que não buscam nada mais que ser um passatempo também devem ser apreciadas por seu propósito.

Em um mundo em que as notícias são cada vez mais desesperadoras, assistir Crepúsculo, ouvir BTS ou maratonar todas as séries e filmes da Marvel, não deve ser motivo de vergonha e muito menos de condenação.

Conteúdos são escolhas completamente individuais e não faz o menor sentido criticar quem opta por consumi-los. Se é algo que não lhe interesse, apenas não ouça, assista, leia. O fato de alguém do seu ciclo social ou do outro lado do mundo estar maratonando Harry Potter não interfere em nada em sua vida.

Como uma prova que não vou mais me sentir culpada ou envergonhada por nenhum conteúdo que eu consuma, vale admitir: assisti todas as temporadas de La Casa de Papel, acompanho o Big Brother Brasil, adoro ouvir funk e já li vários livros de romance adolescente. E você, do que vai parar de se envergonhar?

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