terça-feira, 17 de maio de 2022

“Não Olhe para Cima”. Ficção ou realidade? O longa-metragem da Netflix que levanta críticas, discussões e comparações com a atual sociedade e a política no Brasil.

Publicado em 22 de janeiro de 2022, às 17:40
Márcia Castelo Branco – Administradora de marketing, mestre em educação, professora, pesquisadora, escritora e membro da Academia Açailandense de Letras.
Imagem fornecida pela autora.

É a primeira vez que escrevo sobre filmes, porém estou arriscando aqui, achei que não poderia perder essa oportunidade. Sim, eu assisti ao filme e no meu ponto de vista posso dizer que não é uma daquelas produções extraordinárias, mas é incrivelmente necessária.

O longa-metragem do diretor Adam McKay, “Não Olhe para Cima”, lançado pela Netflix às vésperas do Natal, com elenco formado por atores famosos em cena, contando com a participação de: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Timothée Chalamet e Rob Morgan, entre outros, tem recebido várias críticas de pessoas influentes do cinema e também internautas, levantando discussões sobre temas que vão desde questões climáticas, globalismo, negacionismo e manipulação das mídias, a verdade é que o filme descreve exatamente esse mundo louco em que estamos vivendo. 

Não Olhe para Cima foi escrito antes da pandemia. A ideia era chamar a atenção e abrir espaço para críticas ao posicionamento global diante dos problemas climáticos, como o aquecimento global. No entanto o enredo da história de dois astrônomos Randall Mindy (DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer) que fizeram a surpreendente descoberta de que há um cometa orbitando o sistema solar e vindo em direção à Terra, acaba ilustrando exatamente o que o mundo vive neste momento de pandemia, onde autoridades se opõem a uma realidade e disseminam o negacionismo mundo afora, desacreditando autoridades sanitárias e plantando a dúvida no campo da ciência.

Outro fato interessante da ficção é o tempo, na conta dos cientistas autores da descoberta iminentemente fatal, restam seis meses para o choque do cometa e a Terra, seis meses é o tempo que todos têm para solucionar um problema fatal. E diante de autoridades como a Presidente Orlean (Meryl Streep) e de seu filho, Jason (Jonah Hill), eles são ridicularizados e ignorados, ou seja, eles estão diante de dois grandes problemas, a descoberta fatal e autoridades negacionistas, o que nos remete ao posicionamento do atual Presidente e seus filhos, também parte do governo diante a pandemia de coronavírus desde o início 2020.

Ainda no filme, o que não parece mera ficção e sim mais uma atuação da realidade é a perseguição que os astrônomos sofrem por parte de autoridades estatais e também o papel da mídia em anarquizar um problema para torná-lo desacreditado por boa parte da sociedade, surgindo então dois lados: os que gritam “Não olhem para cima” e os que disparam “Olhem para cima”, é ou não é o mesmo cenário de esquerda e direita que divide a sociedade Brasil afora?

O que fica claro também no paralelo entre ficção e realidade é o momento em que as notícias da descoberta do cometa ganham a atenção da população, percebe-se aí uma sociedade obcecada pelas redes sociais e o poder de influências que as mesmas têm sobre as pessoas, mostra através de seus protagonistas a polarização que vem tomando conta das redes sociais e como tem se fortalecido a manipulação das massas diante de qualquer realidade, e como as pessoas têm encarado os problemas dentro de um viés de intolerância, negacionismo  e violência,  a tal ponto que ela está ali passando por aquele problema mas não é capaz de admitir ou notar tal realidade. Outro ponto são os relatos do posicionamento de políticos diante de um fato iminente, são curiosos quando voltamos para a realidade da pandemia e outros problemas como os ambientais por exemplo, principalmente no Brasil onde fica claro o negacionismo do governo e seus aliados diante de problemas que afetam o mundo inteiro, o filme ilustra com clareza nossos governantes, e coube até premiação de memes relacionando ficção e realidade, um deles mostra protagonistas do filme ao lado de figuras relevantes no debate público nacional sobre a crise sanitária, em tom comparativo, é o caso do presidente Jair Messias Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro e os divulgadores científicos Átila Lamarino e Natália Pasternak. Como mostra o print. abaixo: (fonte Jornalistas livres)

Imagem: Jornalistas livres

Enfim, na história fictícia todos, sociedade, cientistas, astrônomos, autoridades políticas, planeta, todos estão diante de um problema nunca antes mencionado ou vivenciado, e o que acontece? Uma guerra de informações onde as ideologias e prioridades partidárias dividem a sociedade e o foco deixa de ser o problema e passa a ser o que as pessoas defendem e o que elas acreditam ou foram convencidas a acreditar. O que assistimos na ficção vivemos na realidade, onde o mais importante é o discurso de como tirar proveito político e econômico com o que está acontecendo e por outro lado como as pessoas são facilmente manipuladas a acreditar no que eles querem que acreditem, basta erguer uma bandeira defendendo sei lá o que, que lá estarão as multidões, enquanto que a verdade é que apenas eles terão para onde ir, apenas eles se “safarão” dos problemas, e a grande massa manipulada, assim como no filme, morre negando a realidade e defendendo suas ideologias. Ressalto neste contexto uma das falas do Presidente Jair Messias Bolsonaro e seus ministros, “melhor perder a vida que perder a liberdade”, referindo-se à vacina contra a covid-19. “ Foi o que aconteceu na ficção, todos morreram menos os donos dos discursos. Ou seja, enquanto o mundo agoniza eles estão preparando o próximo discurso”. E como irão reinar na próxima etapa.

“Não Olhe para Cima” é basicamente o que acontece em tempo real, a manipulação, a cegueira involuntária de uma sociedade conduzida por seus senhores que gritam: “não olhem para cima, não tirem as vendas dos olhos, precisamos de vocês assim, para melhor conduzirem ao precipício, fazem só o que mandamos, o que a ciência diz é mentira, (bla, bla, bla…)”. Na verdade, o filme é uma sátira da cadeia de informação e poder que domina o mundo, como um dominó, os globalistas controlam os governos, os governos controlam as mídias, e as mídias por sua vez controlam as sociedades que estão cada vez mais dependentes das mídias, uma loucura.

Eu particularmente gostei do filme, nos traz para um discussão bastante questionadora de pontos importantes de nosso papel na sociedade. Questionamentos estes: Até que ponto podemos ser influenciados ou manipulados por outras pessoas ou por pessoas poderosas? Até que ponto não evoluímos como seres pensantes e livres? Até quando seremos conduzidos por quem está no poder? O que realmente está por trás de todos esses acontecimentos neste mundo bizarro em que estamos vivendo? Quem está por trás das mídias?   Qual é o nosso papel nessa sociedade tão dividida e complexa? Estes questionamentos são de um ângulo geral, porque, de um jeito ou de outro, parece que estamos sempre escolhendo um dos lados.

Fontes:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/

@jornalistas livres

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