sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O MELHOR EXEMPLO É O SEU

Publicado em 12 de agosto de 2021, às 7:34
Marcos Fábio Belo Matos – jornalista, professor e escritor
Imagem: Unsplash

Uns meses atrás, circulou pela internet (eu mesmo compartilhei) uma imagem bem interessante. Vou tentar descrevê-la para vocês. Num banco de praça, estão quatro pessoas: duas mulheres e duas crianças, dois meninos. As duas mulheres têm na mão, respectivamente, um livro e um smartphone. As duas crianças também. O menino com o livro é filho da mulher com o livro. A mulher com o smartphone é mãe do menino com smartphone. Aí entra o balãozinho: a mulher com o smartphone pergunta à outra: “Como consegue que seu filho leia um livro?”. A mulher do livro não, responde, claro. Nem precisava. A imagem fala por si.

Análise de discurso, agora: as pessoas na imagem não têm rosto. O que significa (ou pode significar) que é uma metonímia: pode ser qualquer uma, pode caber qualquer uma naquela situação. A mulher com o smartphone tem uma bolsa mais social que a outra, que está com uma sacola estilo ecobag – é mais “socialmente correta”. Mas aí já são as idiossincracias…

Sendo assim, posso dizer que também cabe essa parábola imagética para qualquer situação. E, sinceramente, penso que cabe mesmo.

Defendo que o melhor exemplo é o seu. É você quem dá. Quer que seu filho ou sua filha (ou seus filhos e suas filhas, se você quer ter mais um) seja leitor/leitora, goste de música, curta cinema, artes plásticas, culinária, seja religioso/religiosa, seja um bom/uma boa comerciante, cuide bem dos animais e da natureza? Dê o exemplo. Tive um amigo na faculdade,  que já entrou na graduação maduro e era, pela sua história de vida, um lutador. Um dia, ele me disse algo assim: “Marcos, na minha casa, minha mulher e eu damos, todos os dias, para os nossos três filhos, o melhor exemplo de que estudar vale a pena. Todos os dias eles nos veem lendo e estudando, na mesa da cozinha.”

Dê o exemplo para seus filhos e filhas, dê o seu exemplo, que algum resultado positivo haverá. E isso para o bem e para o mal. O filho de um político desonesto tem uma chance de ser um político desonesto. Mas tem também a chance de ser uma pessoa de bem, pelo exemplo do que vê em casa. A filha de um adulto radical também pode crescer uma adulta radical. Mas pode se transformar numa pessoa com mente menos bloque(t)ada, pelos malefícios da mente formatada com os quais ela convive todos os dias, à sua volta.

Não há uma relação matemática nisso. Por uma razão muito simples, já adiantada por Charles Chaplin, quando escreveu: “Não sois máquina. Homem é que sois.” O que há é apenas um percurso que se faz, todos os dias, por uma questão de crença, de posicionamento pessoal. Trocando em miúdos: nada indica que seu filho ou sua filha será aquilo com o que você sonhou por você ter dado o exemplo. Mas você terá feito a coisa certa. Se não tivesse dado, teria feito a coisa errada.

O exemplo ainda é o mais poderoso instrumento de educação.

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