sexta-feira, 22 de outubro de 2021

MARCOS FÁBIO: DO ANONIMATO AO 18º ANDAR

Publicado em 31 de julho de 2021, às 15:56
José Neres – Professor. Membro da AML e da Sobrames
Imagem: Divulgação

São,

Vou andando na estrada da vida

Com o mundo me moendo as carnes

Chupando os ossos

E degustando

Os restos de meu sangue ácido.

(Intocável, do livro Anonimato)

Publicado em 1990, Anonimato é o título do livro de estreia de Marcos Fábio Belo Matos. Um trabalho artesanal, com capa desenhada pelo então estudante e agora renomado e premiado designer Marcelo Henrique Lima Figueiredo, e cujo título reflete muito bem o universo daquele jovem sonhador que começava a descortinar o mundo pelos olhos das palavras escritas, tentando imprimir nas páginas em branco um pouco das sensações que ao mesmo tempo incomodavam e deslumbravam aquele bacabalense que ensaiava os primeiros passos no mundo do jornalismo e das letras.

Sabedor de que nossa memória costuma trair até mesmo nossas lembranças mais delicadas, o escritor, ainda bem jovem, aos trinta e três anos, decidiu eternizar nas páginas de um livro suas Crônicas de Menino (2005) – um trabalho delicado em uma linguagem simples e eivada de metáforas na qual o homem já formado, e com toda uma carga de vivências, marca um encontro com aquele menino que ainda está vivo dentro de si e que encontra nas palavras escritas uma forma de eternizar-se.

Antes disso, porém, Marcos Fábio, um respeitado e querido professor de Língua Portuguesa e de outras disciplinas voltadas para o mundo do Jornalismo, já havia se encantado pela prosa de ficção e percebeu que tinha o poder demiúrgico de decidir o destino de suas personagens com a força das palavras no papel ou na tela do computador. Em 1997, veio à luz o livro O Homem que Derreteu e Outros Contos, nos quais personagens simples, que poderiam ser encontradas em qualquer esquina ou dentro de algum coletivo se reúnem, divertem e dão lições de vida aos leitores.

Algumas dessas personagens voltam depois no livro Cotidiano Cinza (2005) e recepcionam outros seres de tinta, sangue e papel nas páginas de um livro que encanta da primeira à última página. Fiel a um estilo minimalista e adepto da ideia de que “menos pode ser mais”, Marcos Fábio Belo Matos publicou também o livro Contos Cáusticos (2016), com textos de pequenas dimensões físicas, porém com profundidade em termos de busca do entendimento das relações humanas.

Além de ficcionista, devemos também destacar a faceta de pesquisador de Marcos Fábio. Oriundo de sua dissertação de mestrado, veio à luz o excelente estudo sobre os primeiros momentos das projeções cinematográficas em São Luís. O livro … E o Cinema Invadiu a Athenas: A História do Cinema Ambulante em São Luís rapidamente tornou-se uma referência não apenas para os estudiosos da Sétima Arte, mas também para quem se interessa pelas mudanças comportamentais na sociedade a partir do aparecimento do cinema.

E foi essa sua paixão pelas relações entre a arte cinematográfica e a Análise do Discurso que o levou a publicar o livro Ecos da Modernidade: Uma Análise do Discurso sobre o Cinema Ambulante em São Luís, que é fruto de sua tese de doutoramento em Linguística e Língua Portuguesa, e que traz um olhar aprofundado sobre a divulgação da chegada dos aparelhos de projeção cinematográfica no Maranhão.

Como homem voltado para os estudos científicos sobre o Jornalismo, a Linguagem e suas extensões, o autor de Anonimato também organizou diversas obras de conteúdo mais técnico, como é o caso de Secretariado: Mitos, Falácias e Verdades (com Nilzenir de Lourdes Almeida Ribeiro e Thatiana Silva Santos, 2002), Comunicação: Outros Olhares (com Francisco Gonçalves da Conceição, 2004), e Comunicação, Jornalismo e Fronteiras Acadêmicas I e II (com Marco Antônio Gehlen, 2011 e 2017), entre outros, além de diversos artigos em periódicos acadêmicos.

Atualmente, Marcos Fábio, além de continuar escrevendo contos, como é possível ver no e-book Baú (2020) e crônicas, como é o caso de Palavras no Avesso (2019), tem investido também em narrativas mais longas, conforme pode ser visto na novela o 18º Andar (2017) e em outros trabalhos ainda não publicados, mas que já foram apreciados por algumas pessoas de seu círculo de amizades.

 O atual Vice-Reitor e Diretor de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão faz parte dos quadros de membros efetivos das academias Bacabalense e da Imperatrizense de Letras, e tem pós-doutorados em Comunicação. Porém, suas marcas mais visíveis não estão em seus títulos acadêmicos ou em suas publicações, mas sim no trato gentil com as pessoas e trabalho que o fez sair do anonimato e alcançar um patamar de sólida carreira intelectual e acadêmica.

Certamente, nesse trajeto de vida o fator predominante foi o trabalho e o esforço coletivo e pessoal, já que raramente se chega aos andares mais altos sozinho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Sites relevantes para pesquisa

Publicidade

%d blogueiros gostam disto: