domingo, 17 de outubro de 2021

Espelho

Publicado em 13 de outubro de 2020, às 19:59
Foto: Paulo Camarão

Axel Britto – produtor cultural

Narcisa, trago o que o poeta Antonio Cícero define sobre o mito “Narciso”: “Filho de uma flor aquática e de um rio meândrico”. Entenda querida e enxergo longe, que o verdadeiro órgão sexual dos seres humanos é a pele; pele que a considero o grande ponto sexual dos seres humanos, e bem debaixo do nosso nariz, o verdadeiro Ponto “G” .

Entra pelos olhos querida a bonita elegia de Antonio Cícero, que salta à vista : “Cristalizado de forma precária e preciosa, traz o sigilo de sua origem no semblante vivido, conquanto reflexivo”. Querida, através dessa reflexão, vem um pensamento que mudo de figura e demonstro cara de fuinha: “A sociedade concentra a sexualidade nos órgãos genitais, esquecendo com o tempo da pele, deixando de aproveitar a pele sensível que tem entre todos os mamíferos, onde se acaricia gatos e cachorros e não entre si”.

A pele é o grande termo, fim, estado sexual do ser humano, querida e bem na venta, tem sua utilidade do nascimento a morte, mesmo que tenhamos uma doença terminal a pele segue funcionando a dá na vista, emoções a flor de pelos e poemas idealizados na beleza : “Ousaria defini-lo como aquele em que a vida mesmo se retrata. É pois fatídico que, logo ao se encontrar, ele se perca e, ao se conhecer, também se esqueça, se está na confluência da verdade e da miragem”, decifra o poeta Cícero.

Frank Sinatra, que salta aos olhos, em seu trabalho artístico, afirmou que a sexualidade é se fundir, sentir um ao outro, sentir-se embaixo da pele do outro, embora hoje homens e mulheres tenham feito da sexualidade um exercício físico e mental. Querida, a pornografia deveria mudar, deveria deixar de ser aquela pornografia tediosa do mete e tira, para se converter numa pornografia de pele. Seguindo o pensamento, a sociedade burguesa capitalista concentrou a sexualidade nos órgãos genitais para que o resto do corpo pudesse focar em produzir para o sistema, e dentro da reflexão, vem a canção do cantor e compositor João Bosco : “…Bate é na memória da minha pele, bate é no sangue que bombeia nas minhas veias..”.

Saiba querida, que as pessoas de autoestima alta e pele felizes são pacíficas e tranquilas, onde não encontramos variações de humor e reflete na cara, que sua forma de amar não são possessivas. Pessoas com problemas de autoestima, bem debaixo de nossos narizes, se fecham em si mesmas, numa timidez incapacitante ou fazendo uso de um comportamento grosseiro e desafiante, como é o caso de alguns políticos .

Faço vista querida ao verso do genial poeta Antônio Cícero, que através de seu olhar de peixe morto, traz: “Que as verdes margens da fonte emolduram sua imagem fluida e fugaz de água sobre água cerúlea”. Nas barbas de todos que carregam o sobrolho, a canção de cantora Ana Carolina: “A pele que muda, transmita, a pele presencia, sacia, a pele testemunha, a unha e a mão, a espada que empunha, não vale a pena o que não vale a pele”.

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